Notícia
30/07/2015

Para Comitê Macro, redução da meta de superávit expõe limites do governo

Comitê Macro da ANBIMA avalia que redução da meta de superávit primário indica ajuste fiscal mais gradual e baixo crescimento econômico.

Para o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA, o recente anúncio de redução da meta de superávit primário do governo de 1,2% para 0,15% do PIB sinaliza que o ajuste fiscal será mais gradual do que o esperado anteriormente, o que reforça a expectativa de baixo crescimento nos próximos dois anos. Na avaliação do grupo de economistas, que se reuniu no último dia 24, a mudança nas projeções oficiais revela aspectos relacionados à questão fiscal que não estavam claros no primeiro semestre. Para os analistas, o passivo fiscal do governo teria sido subestimado, assim como os efeitos da desaceleração econômica sobre a receita tributária.

Eles lembraram que os resultados das contas públicas dos últimos meses já mostravam que não seria possível alcançar um superávit de 1,2% do PIB em 2015. Desta forma, o grupo revisou a mediana para 0,15%, igual à meta oficial. Para o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico, a surpresa foi a redução também do superávit para 2016 (de 2% para 0,7%) e para 2017 (de 2% para 1,3%). A avaliação é de que os novos parâmetros expõem os limites do governo nos campos político e econômico.

Nas projeções do grupo, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deverá ficar em 9,1% este ano. Para 2016, as projeções permanecem acima da meta oficial de 4,5%, indicando uma inflação de 5,5% para o período.

O debate do comitê e outras informações estão no Relatório Econômico, publicação da ANBIMA que consolida a discussão e as projeções do grupo.