Notícia
11/04/2016

Mercado de Capitais: Empresas reduzem captações em 24,9% no primeiro trimestre

Empresas brasileiras reduziram captações no mercado de capitais em 24,9% no primeiro trimestre de 2016.

As operações realizadas pelas empresas brasileiras ao longo do primeiro trimestre somaram R$ 13,7 bilhões no mercado local, com retração de 24,9% no volume de captações em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são Boletim de Mercado de Capitais de março.
 
“O mercado continua na espera de melhores condições macroeconômicas para realizar emissões”, comenta Carolina Lacerda, diretora da ANBIMA. “Com o cenário atual, as empresas estão mais cautelosas, com emissões em volumes cada vez menores e operações com prazos cada vez mais curtos”.
 
A queda é ainda mais acentuada, de 79,4%, quando comparada aos resultados do primeiro trimestre de 2014, período em que as captações internacionais alcançaram R$ 40,5 bilhões. Na comparação com 2015, destaca-se a retração da captação com títulos de renda fixa e instrumentos de securitização, de 58,1%, liderada pelos CRIs (84,9%), notas promissórias (71,4%) e debêntures (53,4%). Já os FIDCs apresentaram crescimento de 7,5%. Também contribuíram positivamente para o resultado de 2016 as operações com ações (R$ 590 milhões) e a captação externa (US$ 1,5 bilhão), ausentes no primeiro trimestre do ano passado.
 
Em março foi realizada a primeira oferta internacional de 2016, depois de oito meses sem registro deste tipo de operação. O Tesouro Nacional realizou uma emissão de bônus denominados em dólares no volume de US$ 1,5 bilhão e prazo de 10,2 anos.

Considerando apenas o mês de março, as ofertas domésticas das companhias brasileiras somaram R$ 21,9 bilhões. Contudo, desse montante, R$ 20 bilhões corresponderam a uma única operação com debêntures de leasing, da Santander Leasing. Contabilizando apenas as operações corporativas domésticas, o volume captado no mês cai para R$ 1,9 bilhão. Houve captação com todos os demais instrumentos do mercado local, mas o volume médio das operações foi reduzido, de apenas R$ 106 milhões.
 
Essas captações foram realizadas por meio de 18 operações. Os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) foram responsáveis por quatro delas, com volume total de R$ 847 milhões. As debêntures – que não foram emitidas em fevereiro – voltaram ao mercado e foram responsáveis pela captação de R$ 550 milhões em março. Também foram levantados R$ 248 milhões por meio de notas promissórias e R$ 190 milhões com ações.
 
O mercado de renda variável também teve movimentação no mês. O follow-on de R$ 190 milhões do Banco Mercantil de Investimento elevou as captações em renda variável do ano para o patamar de R$ 590 milhões.