“O mercado continua na espera de melhores condições macroeconômicas para realizar emissões”, comenta Carolina Lacerda, diretora da ANBIMA. “Com o cenário atual, as empresas estão mais cautelosas, com emissões em volumes cada vez menores e operações com prazos cada vez mais curtos”.
A queda é ainda mais acentuada, de 79,4%, quando comparada aos resultados do primeiro trimestre de 2014, período em que as captações internacionais alcançaram R$ 40,5 bilhões. Na comparação com 2015, destaca-se a retração da captação com títulos de renda fixa e instrumentos de securitização, de 58,1%, liderada pelos CRIs (84,9%), notas promissórias (71,4%) e debêntures (53,4%). Já os FIDCs apresentaram crescimento de 7,5%. Também contribuíram positivamente para o resultado de 2016 as operações com ações (R$ 590 milhões) e a captação externa (US$ 1,5 bilhão), ausentes no primeiro trimestre do ano passado.
Considerando apenas o mês de março, as ofertas domésticas das companhias brasileiras somaram R$ 21,9 bilhões. Contudo, desse montante, R$ 20 bilhões corresponderam a uma única operação com debêntures de leasing, da Santander Leasing. Contabilizando apenas as operações corporativas domésticas, o volume captado no mês cai para R$ 1,9 bilhão. Houve captação com todos os demais instrumentos do mercado local, mas o volume médio das operações foi reduzido, de apenas R$ 106 milhões.
Essas captações foram realizadas por meio de 18 operações. Os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) foram responsáveis por quatro delas, com volume total de R$ 847 milhões. As debêntures – que não foram emitidas em fevereiro – voltaram ao mercado e foram responsáveis pela captação de R$ 550 milhões em março. Também foram levantados R$ 248 milhões por meio de notas promissórias e R$ 190 milhões com ações.
O mercado de renda variável também teve movimentação no mês. O follow-on de R$ 190 milhões do Banco Mercantil de Investimento elevou as captações em renda variável do ano para o patamar de R$ 590 milhões.