Notícia
21/07/2016

Mercado mantém expectativa de queda para juros e inflação, sinaliza Panorama

Mercado financeiro espera queda de juros e inflação no segundo semestre, com valorização de títulos prefixados e retração nas ofertas de renda fixa.

A expectativa do mercado para este segundo semestre é de maior queda da inflação e dos juros, como mostra o Panorama ANBIMA. No mercado de renda fixa, a rentabilidade dos ativos no primeiro semestre, refletida na trajetória do IMA-Geral e seus subíndices, mostra a performance favorável dos títulos prefixados e indexados de maior duration. O IMA-B5+ (NTN-Bs acima de cinco anos) registrou retorno acumulado de 20,82%, o melhor desempenho do segmento, seguido pelo IRF-M1+  (carteira de prefixados acima de um ano), que apresentou variação de 19,6% no mesmo período. O prêmio, medido pela diferença entre a inflação implícita de um ano (expectativa de inflação + prêmio de risco) e a projeção do IPCA para o mesmo período, registrou uma redução expressiva no semestre, o que, em alguma medida, justifica a percepção de valorização dos títulos prefixados de prazos mais longos junto aos investidores.
 
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Para o segundo semestre, as condições que permitiram um quadro de valorização dos ativos de renda fixa devem se manter, ainda que permaneçam dúvidas quanto ao início efetivo da redução dos juros. Se, por um lado, a sinalização da nova equipe do Banco Central de que conduzirá de forma conservadora a política monetária elevou a confiança dos agentes quanto à melhora do quadro inflacionário, por outro, postergou de agosto para outubro as apostas para o início da queda dos juros.
 
Mercado de capitais
 
No primeiro semestre, o total das operações das companhias brasileiras registrou o pior volume desde 2010. O montante captado nos mercados doméstico e internacional chegou a R$ 66,5 bilhões, o que corresponde a uma queda de 22,2% em comparação aos primeiros seis meses de 2015 e de 58% em relação a igual período de 2014. O resultado foi influenciado pela pior performance das ofertas no mercado local. Este movimento de retração não é novo. O processo de encolhimento das ofertas vem se prolongando desde 2015, como reflexo do aumento dos custos de captação, devido à subida dos juros domésticos, e da queda do nível de atividade da economia, o que desincentiva a realização de operações com valores mobiliários por parte das companhias, tanto para a realização de novos investimentos como para o refinanciamento de passivos.
 
Entre os instrumentos do segmento de renda fixa, o que registrou menor utilização em 2016, na comparação com 2015, foi a nota promissória. As ofertas tiveram redução de 52,2% em volume. As debêntures aparecem em segundo lugar, com retração de 46,1% no montante captado no semestre em comparação ao mesmo período do ano passado, e um encolhimento de mais de 50% no número de empresas emissoras. Apesar da forte retração, as debêntures se mantêm como o valor mobiliário mais utilizado pelas companhias brasileiras, com participação de 52,7% das operações.
 
Fundos de investimento
 
O comportamento dos ativos em junho seguiu a mesma tendência observada em boa parte do primeiro semestre, o que se refletiu na rentabilidade dos fundos de investimento. Impulsionados pelos ativos de renda variável e de renda fixa de maior duration, o Ibovespa e o IMA-Geral voltaram a registrar valorização significativa no mês, de 6,3% e 1,81%, respectivamente, enquanto o dólar recuou 10,72% no período. Nesse contexto, os fundos de Ações voltaram a apresentar as maiores valorizações, com destaque para a alta de 14,45% dos fundos setoriais, seguidos pelos tipos FMP-FGTS e Mono Ações, esses últimos estimulados pela valorização das ações da Petrobras e da Vale, predominantes nessas carteiras. Esses fundos também acumulam as maiores valorizações no ano, de 33,72%, 28,88% e 28,49%, respectivamente, os únicos a superarem a valorização do Ibovespa no mês e no ano (18,86%).
 
Em contraste com a expressiva valorização dos ativos, a captação líquida da indústria voltou a ficar negativa pelo segundo mês consecutivo, registrando resgate líquido de R$ 5,3 bilhões em junho. O ingresso líquido nas classes Previdência (R$ 6,2 bilhões) e Multimercados (R$ 3,2 bilhões) no mês não foram suficientes para compensar a saída líquida de R$ 12,7 bilhões na classe Renda Fixa, concentrada em poucos fundos. No primeiro semestre, porém, a indústria acumula captação líquida de R$ 38,1 bilhões, contra R$ 29,4 bilhões no mesmo período de 2015, e R$ 3,8 bilhões em 2014.