Notícia
21/03/2016

Perspectiva de queda de juros favorece papéis prefixados em fevereiro, mostra Panorama

Queda esperada dos juros impulsiona rentabilidade de títulos prefixados e fundos de renda fixa em fevereiro.

A combinação das sinalizações da autoridade monetária com o cenário externo deflacionário e a desaceleração do IPCA de fevereiro reforçam as expectativas de queda dos juros e favoreceu a rentabilidade dos prefixados. Segundo o Panorama ANBIMA, o nosso índice que reflete a carteira prefixada com prazo acima de um ano, o IRF-M 1+, apresentou retorno de 7,8% até o dia 7 de março, a melhor performance do ano entre os subíndices do IMA em 2016, junto com o  IMA-B 5+, que reflete a carteira das NTN-Bs acima de cinco anos, que registrou variação de 7,7% nesse mesmo período. Esses papéis embutem uma parcela prefixada nos seus rendimentos e, por apresentarem uma duration bem mais elevada do que a carteira do IRF-M 1+ (9,8 contra 3,1 anos), são mais sensíveis às variações dos juros.
 
Veja mais
 
Esse movimento também se refletiu na indústria de fundos, com a valorização das carteiras com títulos prefixados. Assim, os fundos de Renda Fixa com duração alta apresentaram os maiores retornos em sua classe, como os tipos Soberano (2,07%), Grau de Investimento (1,82%) e Crédito Livre (1,66%). Já as maiores rentabilidades do mês de fevereiro foram registradas pelos fundos de Ações, com destaque para os tipos FMP - FGTS e Mono Ação, que em fevereiro apresentaram valorização de 12,77% e 7,89%, respectivamente. Os ganhos refletiram a indicação do governo chinês de que buscará taxas mais altas de crescimento da economia, favorecendo as carteiras desses fundos, que são constituídas exclusiva ou majoritariamente por ações de empresas produtoras de commoditties, como Vale e Petrobras.
 
No mercado de capitais, as ofertas domésticas das companhias brasileiras alcançaram R$ 292 milhões em fevereiro, volume inferior à média observada nos últimos seis meses. O montante pouco expressivo deveu-se, principalmente, à ausência de captações com debêntures no período, o que não ocorria desde fevereiro de 2009, já que as debêntures se mantêm, historicamente, como o ativo mais utilizado pelas empresas domésticas para a captação de recursos no mercado local. Sem ofertas de ações e de captações no mercado internacional, as emissões de fevereiro ficaram restritas aos segmentos de renda fixa de curto prazo, com ofertas de notas promissórias, e de instrumentos de securitização, com a distribuição de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), ainda que com baixos volumes. No início de março, mereceram destaque a primeira captação internacional realizada pelo Tesouro em 14 meses, que movimentou U$ 1,5 bilhão, e o anúncio, pelo Ministério da Fazenda e BNDES, de medidas de incentivo às debêntures de infraestrutura.