Notícia
25/07/2016

No dia do escritor, conheça autores ilustres que estamparam cédulas e moedas em todo o mundo​

Apresenta autores ilustres homenageados em cédulas e moedas de diversos países, destacando suas contribuições literárias.

​​​​​​Nesta segunda-feira, 25 de julho, é celebrado o Dia Nacional do Escritor. Para celebrar a data – instituída durante o I Festival do Escritor Brasileiro, em 1960, pela União Brasileira dos Escritores – o Banco Central apresenta uma série de cédulas e moedas de vários países que homenagearam importantes autores da história mundial, bem como elementos de suas obras. As peças fazem parte do acervo do Museu de Valores do BC, espaço destinado a preservar a história do dinheiro brasileiro, e algumas delas encontram-se atualmente em exposição, como as que estampam Machado de Assis, Mário de Andrade, Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade.

O Museu de Valores do BC funciona no Edifício-Sede do Banco Central, em Brasília, de terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Também é possível visitar o espaço no primeiro sábado de cada mês. Clique para saber mais sobre o Museu. ​


Miguel de Cervantes (1547 – 1616)

Miguel de Cervantes Saavedra foi um romancista, dramaturgo e poeta espanhol. A sua obra-prima, Dom Quixote de La Mancha, muitas vezes considerada o primeiro romance moderno, é um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerada um dos melhores romances já escritos, além de ser comumente citada como a obra mais vendida do mundo depois da Bíblia. Em 1605 foi publicada a primeira parte. A segunda veio apenas em 1615.

Cervantes narra a saga de um nobre, Alonso Quijano, que sonhava com aventuras incríveis de cavalaria, inspirado nos romances que lia, mas não conseguia ver a miséria da realidade que o cercava. Inspirado por alucinações, Quijano tomou uma estalagem por castelo, onde se fez armar cavaleiro, adotou o nome Dom Quixote, e convenceu seu ambicioso vizinho, Sancho, a se tornar seu escudeiro. Os personagens se contrapõem, simbolizando universos diferentes. Enquanto Sancho aproxima-se da realidade, Dom Quixote, permanece no imaginário. O livro foi publicado em uma época de grandes transformações, uma vez que os romances de cavalaria, até então populares, começavam a decair. Inspirado pelas inovações vigentes no contexto em que viveu, Cervantes satiriza o estilo literário, criando nesta obra uma paródia das novelas medievais protagonizadas por cavaleiros heróicos. O trabalho de Cervantes é considerado entre os mais importantes em toda a literatura, e sua influência sobre a língua espanhola tem sido tão grande que, frequentemente, refere-se a ela como La lengua de Cervantes (a língua de Cervantes).


















Sua produção é composta por 12 contos escritos em 1613; por Viagem ao Parnaso, de 1614; e por uma coletânea de suas melhores produções teatrais, Oito Comédias e Oito Intermédios, de 1615. Coincidentemente, faleceu no mesmo dia que William Shakespeare, em 23 de abril de 1616. Miguel de Cervantes foi homenageado na cédula de 100 pesetas, da Espanha, em 1928.


William Shakespeare (1564 – 1616)
Poeta, dramaturgo e ator, é considerado o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo. Suas obras são bastante conhecidas e apreciadas por gerações. Incluindo aquelas em colaboração, sua produção consiste em 38 peças, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos e mais alguns versos esparsos, cujas autorias, no entanto, são ainda disputadas. Suas peças foram traduzidas para todas as principais línguas modernas e são mais encenadas que as de qualquer outro dramaturgo. Shakespeare produziu a maior parte de sua obra entre 1590 e 1613, mas sua reputação só viria a atingir o nível em que se encontra hoje no século XIX. Entre as obras mais conhecidas estão “Romeu e Julieta”, “A Tragédia de Júlio César”. “Hamlet”, “Rei Lear” e “Macbeth”.

Estima-se que as obras de Shakespeare influenciaram pelo menos 20 mil peças musicais. Ele é também o dramaturgo mais consistentemente adaptado nos palcos: em todo o século XX houve mais de 50 mil produções e adaptações no mundo. Em termos de tradução, vendas e estudos Shakespeare só perde para a Bíblia e fica à frente de tópicos como Comunismo, Islamismo e Judaísmo.














Shakespeare figurou na cédula de 20 libras esterlinas, que teve circulação entre 1970 e 1993. No anverso da cédula, a Rainha Elizabeth II está em vestes judiciais e vê-se a imagem de São Jorge matando o dragão, que é inserido nas peças de William Shakespeare. No reverso, vê-se a cena do balcão de Romeu e Julieta ao lado da escultura do autor no “Canto dos poetas” na Abadia de Westminster em Londres.


Irmãos Grimm (Alemanha, Jacob 1785 – 1863 e Wilhelm 1786 – 1859)
Jacob e Wilhelm Grimm foram linguistas acadêmicos, poetas e escritores alemães, responsáveis por obras sobre a cultura folclórica alemã durante o século XIX. Com o objetivo de compilar as histórias tradicionais e de preservar os contos que haviam sido transmitidos oralmente de geração para geração na Alemanha, os irmãos realizaram uma série de pesquisas para reunir as histórias populares. Sua primeira coleção de histórias folclóricas foi publicado em 1812. Muitas delas foram popularizadas como Cinderela, João e Maria, Rapunzel, Branca de Neve e os Sete Anões, A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, A Bela e A Fera, entre outros, e tiveram seus direitos de reprodução comprados por Walt Disney, que as transformou em filmes de animação. As versões dos contos dos Irmãos Grimm, no entanto, eram mais macabras, servindo para amedrontar as crianças, na função de “Cautionary Tales” (algo como “Contos de advertência”). Os irmãos Grimm também contribuíram com a língua alemã, criando e divulgando, a partir de 1838, o Dicionário Definitivo da Língua Alemã (o "Deutsches Wörterbuch"), que não chegaram a completar, devido à morte de ambos entre as décadas de 1850 e 1860.












Os irmãos apareceram na cédula de 1000 Marcos Alemães, que circulou entre 1992 e 2001, até a introdução do Euro no país. A cédula foi fabricada pelo Deutsche Bundesbank e, em seu anverso, do lado direito, há um retrato dos Irmãos Grimm feito pela pintora Elisabeth Jerichau-Bauman. Do lado esquerdo, vê-se uma paisagem representando a Alemanha. No reverso da nota, no centro, há o “dicionário alemão” publicado pelos irmãos. E atrás dele, a “biblioteca real”, da Universidade Humboldt de Berlim, que mantem em seu acervo a coleção privada da biblioteca dos Irmãos Grimm.


Goethe (Alemanha, 1749 – 1832)

Johann Wolfgang von Goethe foi um autor e estadista alemão, dramaturgo, filósofo e realizou pesquisas no campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e início do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller, foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang. Goethe é considerado o mais importante escritor alemão, cuja obra influenciou a literatura de todo o mundo.


Constituem sua produção romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais. Através do romance “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, que narra o sofrimento do personagem por amar e ser correspondido pela jovem Charlotte, prometida a outro homem, Goethe tornou-se famoso na Europa no ano de 1774. Sua principal obra é o drama trágico “Fausto”, publicado em partes, desde 1790, depois em 1808 e, por fim, em 1832, ano de sua morte, tomando-lhe a vida inteira. Baseada numa lenda, a obra relata a vida de Dr. Fausto, que vendeu a alma para o diabo em troca de prazeres terrenos, riqueza e poderes ilimitados. O autor estampou o anverso da cédula de 20 Marcos Alemães, da Alemanha Oriental, em 1964. No reverso, vê-se a vista do Teatro Nacional, em Weimar.


Victor Hugo (França, 1802 – 1885)

Victor-Marie Hugo foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. O autor criou poemas e romances que integravam questões políticas e filosóficas em histórias que procuravam retratar a sua época, tendo como tema recorrente o embate humano com o mal. Narrou os problemas de seu tempo e as inquietações humanas e sociais da França pós-revolucionária e passou 20 anos de sua vida no exílio. Ferrenho opositor do imperador Napoleão II, o republicano Hugo foi obrigado a sair da França e se refugiar em países como Bélgica e Reino Unido.


Suas obras mais célebres são “Les Misérables” (1862) e “O Corcunda de Notre-Dame” (1831), que foi traduzido em diversos idiomas. “Os Miseráveis” permanece como a obra mais popular de Victor Hugo e foi adaptada diversas vezes no cinema, na televisão, no teatro e em musicais, incluindo a Broadway. A versão cinematográfica mais recente é britânica, de 2012, e recebeu oito indicações na 85ª edição do Oscar, vencendo em três categorias, incluindo a de melhor atriz coadjuvante.

Victor Hugo aparece na cédula de 500 francos antigos, que passou a ser 5 Francos Novos.  Em 1960, o “Novo Franco” (“New Franc”- NF) foi implementado na França e valia 100 francos antigos. Emitida em 1960, a cédula circulou até 1968. Ela pertence à série “celebridades”, na qual são homenageadas personalidades francesas. No anverso, o autor figura ao lado do Pantheon, um dos pontos turísticos de Paris, situado no Quartier Latin. O monumento, originalmente construído como igreja dedicada à Santa Genevieve, atualmente, em sua cripta, mantém sepultados famosos escritores, poetas e cientistas, como Voltaire, Rousseau, Marie Curie e o próprio Victor Hugo. No reverso da cédula, há a imagem da “Place des Vosges” ao fundo, a praça planejada mais antiga de Paris, construída por Henri IV, em 1612, situada no bairro de Marais.


Charles Dickens (Inglaterra, 1812 – 1870)

Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana. No início de sua atividade literária também adotou o pseudônimo Boz. Apesar de os seus romances não serem considerados muito realistas, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. Em muitas de suas obras, criticava as condições econômicas e sociais da época: o contraste entre o ambiente dos empregadores e seus subordinados, as condições deploráveis do trabalho infantil, a vida miserável dos pobres e a crueldade da prisão por dívidas, testemunhando os aspectos mais sombrios da revolução industrial. Dickens já teve suas obras adaptadas para o vários meios, como a rádio, o teatro e o cinema. 


 


 


 


 




Uma de suas principais obras é “Oliver Twist”, publicado em folhetins entre 1837 e 1839, que narra a história de um rapaz órfão que foi expulso do orfanato precário em que vivia por pedir mais mingau de aveia. Ao fugir para Londres, as circunstâncias o levaram a se envolver com uma quadrilha de assaltantes. Com as desventuras do personagem, Dickens narra a delinquência como consequência das péssimas condições sociais. O autor possui mais de 40 obras publicadas, de romances a contos, e entre os seus maiores clássicos estão “David Copperfield”, “Christmas Carol”, além de “Um conto de duas cidades”, que é o maior best-seller da história inglesa, ficando em 3º lugar na escala mundial.

O autor figurou no reverso da cédula de 10 libras que circulou entre 1992 e 2003. Ao lado de sua efígie, vê-se uma partida de cricket que faz parte do livro “As aventuras do Sr. Pickwik” (The Posthumous Papers of the Pickwick Club), que foi o primeiro livro de Charles Dickens a ser publicado.


Fernando Pessoa (Portugal, 1888 – 1935)

Foi poeta, escritor, astrólogo, crítico e tradutor português. Por ter sido criado numa escola católica irlandesa na África do Sul, dominava o idioma inglês, justificando a publicação, ao longo de sua vida, de três obras na língua inglesa e somente uma em português. Pessoa traduziu várias obras do inglês para o português, como as de Shakespare e de Edgar Allan Poe, e obras do português para o inglês. Ele escreveu poesias utilizando múltiplas personalidades, heterônimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, que possuem biografias diferentes, com estilos de textos, temas e opiniões distintas. Seus diversos “eus” possuem produções e visões ideológicas próprias. Das suas frases mais conhecidas, destaca-se “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Fernando Pessoa aparece na cédula de 100 escudos que circulou entre agosto de 1987 e janeiro de 1992. Desde então, foi dado um prazo de vinte anos para ser feita a troca por euros no Banco de Portugal, processo concluído em 2012.














Antoine de Saint-Exupéry (França 1900 – 1944)

O escritor, ilustrador e piloto da II Guerra Mundial escreveu para jornais e revistas francesas. Suas obras eram sempre caracterizadas por elementos de aviação e de guerra, como "O Aviador" (1926), "Voo Noturno" (1931), "Terra dos Homens" (1939), "Carta a um Refém" (1944). Seu livro mais importante foi "O Pequeno Príncipe" (1943). Morto em um acidente de avião durante uma missão de reconhecimento, em julho de 1944, Saint- Exupéry nunca teve o corpo encontrado. Apenas em 2004 foram achados os destroços do avião que ele pilotava, a poucos quilômetros da costa de Marselha, na França.


 


 


 


 


 


 


Publicado em 1943, O Pequeno Príncipe conta a história de um piloto de avião que sofre um acidente no deserto do Saara e precisa consertar sua aeronave antes que a água acabe. Nesse contexto, ele conhece o Pequeno Príncipe. A obra é rica em simbolismo, com personagens como a serpente, a rosa, o adulto solitário e a raposa. As ilustrações também foram feitas pelo autor. O livro é o maior best-seller da história da literatura francesa e é constantemente citado como um dos cinco livros mais vendidos de toda a história. Até hoje, o Pequeno Príncipe vendeu cerca de 134 milhões de cópias em todo o mundo, 8 milhões delas no Brasil. A obra foi traduzida para mais de 220 línguas e dialetos, sendo a terceira obra literária mais traduzida em todo o planeta.

Saint-Exupéry foi homenageado pelos 50 anos da publicação de “O Pequeno Príncipe” em uma cédula de 50 francos que circulou entre 1993 e 2001, antes de o Euro se tornar a moeda corrente na França (em 2002). No anverso da cédula, há uma efígie do autor, com a imagem do seu personagem mais célebre, o Pequeno Príncipe, a imagem de um avião, além de uma ilustração do livro, em que um elefante é devorado por uma cobra. No reverso, o Pequeno Príncipe aparece novamente ao lado de um avião Breguet 14, o mesmo utilizado pelo piloto do livro.

O autor também foi homenageado em moeda comemorativa e de giro da Bielorússia , com valor de 20 Rublos, feita em prata com pedra semipreciosa. (fotos 6123 e 6124) Com tiragem de 20 mil peças, a moeda entrou em circulação em 2005. No anverso da moeda, há a imagem simbólica de uma parte do rosto do personagem Pequeno Príncipe, na qual o olho é composto de um cristal transparente; abaixo do olho, imagens alusivas a passagens do livro como a flor, o lobo e o poço. Ao longo da borda superior, está a inscrição "O Pequeno Príncipe", no idioma local, bielorusso, uma mistura entre ucraniano e russo. No reverso da moeda, ao centro, vê-se a imagem de um menino e de uma menina segurando um livro aberto, sentados na Lua com céu estrelado ao fundo; acima, o Brasão das Armas da República da Bielorrússia, abaixo o ano "2005", com inscrições: "República da Bielorrússia" e "vinte rublos", no idioma local. Esta peça fez parte de uma série de moedas comemorativas, chamada Contos das Nações do Mundo (“Tales of the World’s Nations”) , que incluía moedas de histórias como: A Branca de Neve, O músico maravilhoso, O quebra-nozes, Alice no país das maravilhas  e As Mil e uma Noites, entre outras.


Brasil

Machado de Assis (1839 – 1908)
Joaquim Maria Machado de Assis foi um escritor brasileiro, considerado o maior nome da literatura ~nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época. Em sua maturidade, reunido colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras.



 


 

 

 

 


Sua extensa obra constitui-se de nove romances e peças teatrais, duzentos contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas. Machado de Assis é considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de Memórias ~Póstumas de Brás Cubas (1881). O seu trabalho foi de fundamental importância para as escolas literárias brasileiras dos séculos XIX e XX, sendo hoje de grande interesse acadêmico e público. Entre suas obras mais conhecidas estão: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba”, “Dom Casmurro” e “Esaú e Jacó”.

O autor estampou a cédula de 1000 Cruzados, emitida no fim do vigor desse padrão monetário. Pouco tempo depois, o valor da cédula passou a ser 1 Cruzado Novo, identificado através de um carimbo triangular com o novo valor escrito. A cédula circulou de 1989 a 1990. No anverso da cédula, vê-se a efígie de Machado, baseada em foto que o mostra já na maturidade. À esquerda, está o emblema da Academia Brasileira de Letras, ao qual se sobrepõem trechos manuscritos, extraídos dos originais do romance "Esaú e Jacó". À direita, está a representação estilizada de uma pena sobre um livro, que serve como registro coincidente entre anverso e reverso. O fundo de segurança é constituído pela representação de folhas esparsas. No reverso, a imagem do Rio de Janeiro em 1905.


Mário de Andrade (1893 – 1945)

Mário Raul de Moraes Andrade foi um poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta brasileiro. Ele foi um dos pioneiros da poesia moderna brasileira com a publicação de seu livro “Pauliceia Desvairada” em 1922, mesmo ano da Semana de Arte Moderna, movimento no qual teve destaque e que reformulou a literatura e as artes visuais no Brasil. Compôs o “Grupo dos 5”, junto com Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, e com as pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, com quem trabalhou para organizar a Semana da Arte Moderna. Andrade exerceu uma grande influência na literatura moderna brasileira.

Sua principal obra é “Macunaíma”, de 1928, inspirado em mitos dos povos indígenas. O personagem, nascido numa tribo amazônica, é um anti-herói cuja principal caraterística é a preguiça. A trama se baseia na busca por um amuleto, o muiraquitã, lhe dado por uma índia, seu grande amor.



 


 


 


 

Mario de Andrade estampou o anverso da cédula de 500.000 Cruzeiros, que circulou entre 1993 e1994. Vê-se, além do autor, um desenho à esquerda inspirado em fotografia de sua autoria, intitulada “Sombra minha”. À direita, vê-se a figura do muiraquitã, amuleto zoomorfo característico do folclore amazônico, utilizada como registro coincidente entre anverso e reverso. No reverso da cédula, uma cena representa o autor conversando com crianças, ladeado por prédios que simbolizam o crescimento da cidade de São Paulo na época do escritor. Contrapondo-se aos símbolos urbanos, uma representação de floresta circunda as imagens centrais. Os desenhos do fundo baseiam-se na representação de notas musicais.


Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)

Foi poeta, contista, cronista, jornalista e crítico literário, considerado o poeta brasileiro mais influente do século XX. Pertenceu à segunda geração do Modernismo brasileiro, fazendo uso do verso livre e da linguagem coloquial, escrevendo poemas de temática cotidiana, social, e política. Drummond foi servidor público por mais de 40 anos, passando pelo Ministério da Cultura e da Saúde Pública, e chegou a ser chefe da Seção de História da Divisão de Estudos e Tombamentos do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), onde se aposentou, em 1962.













Sua obra consiste em poesias, antologias poéticas, obras infantis e prosas. Muitas foram publicadas em diversos países. Entre seus poemas mais conhecidos estão “No meio do caminho” e “Quadrilha”, publicados em 1930 no livro “Alguma Poesia”. Entre as tantas homenagens que já teve, uma das mais populares é a estátua do poeta na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde o mineiro de Itabira viveu boa parte de sua vida e faleceu. A escultura representa um Drummond sentado em um banco, com as pernas cruzadas e de óculos.

Carlos Drummond de Andrade figurou na cédula de 50 Cruzados Novos, que circulou entre 1988 e 1990. No anverso da cédula, o autor aparece em frente a pedras que representam o minério e o calçamento de caminhos e ruas de Itabira (MG), sua cidade natal. Também estão representados o casario da cidade e as montanhas da região, além de um trecho do manuscrito de um dos poemas mais representativos da obra e da personalidade de Drummond, "Prece de mineiro no Rio". No reverso da cédula, uma gravura representa o poeta em sua mesa, no ofício de escrever. O fundo de segurança reproduz o desenho característico das calçadas de Copacabana, sugerindo a presença de Drummond no Rio de Janeiro, onde viveu a partir de 1934 e produziu a maior parte de sua obra. À direita da gravura estão reproduzidos os versos do poema "Canção Amiga".

Drummond também aparece em duas moedas comemorativas ao centenário de seu nascimento, de 2002. Uma delas tem valor facial de R$2, é feita em prata, representa a autocaricatura do autor, e contém a legenda "Carlos Drummond de Andrade 1902-2002". Em seu reverso, a imagem do poeta escrevendo, ladeado pela legenda "Brasil" e por ilustração estilizada de caneta bico-de-pena, onde se lê o valor facial (2 reais).

A segunda moeda, de ouro, tem o valor facial de R$20 e pode ser conferida na Sala Emissões, do Museu de Valores. O seu anverso é similar à moeda de prata. Já o reverso traz efígie do poeta, ladeada por ilustração estilizada de caneta bico-de-pena, onde se lê o valor facial (20 reais).


Cecília Meireles (1901 – 1964)
A poetisa, pintora, educadora e jornalista brasileira é considerada uma das vozes líricas mais importantes da literatura de língua portuguesa. Aos nove anos, ela começou a escrever poesia. E, em 1919, aos 18 anos de idade, publicou “Espectros”, seu primeiro livro de poesias, um conjunto de sonetos simbolistas. Em 1934, ela fundou a primeira biblioteca infantil do Brasil, localizada no Rio de Janeiro, que durou quatro anos. Cecília publicou mais de 50 livros, envolvendo poesias e ensaios, e atuou em outros meios, como o teatro. Em 1963, ela recebeu o Prêmio Jabuti de Poesia pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro. Em 1965, recebeu o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras.

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Após sua morte, recebeu como homenagem a impressão de uma cédula de 100 cruzados novos, que foi lançada pelo Banco Central, no Rio de Janeiro, em 1989. Durante o governo de Fernando Collor de Melo, quando houve troca da moeda, o valor foi mudado para 100 cruzeiros, o que justifica algumas cédulas estamparem um carimbo de 100 cruzeiros. No reverso, a gravura à esquerda representa o universo da criança, suas fantasias e o momento da leitura e da aprendizagem. O painel é completado, à direita, com a reprodução de desenhos de autoria da escritora, representativos, especialmente, de seus estudos e pesquisas sobre folclore, música e danças populares. A cédula pode ser vista na Sala Emissões do Museu de Valores.