Em 26 de fevereiro ocorre a 89ª cerimônia dos Academy Awards, mais conhecida como The Oscars, a maior premiação mundial do cinema. Entregue anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, fundada em Los Angeles, Califórnia, nos Estados Unidos, em 11 de maio de 1927, a premiação teve sua primeira edição em 1929. Confira cédulas de diversos países que homenagearam grandes nomes das artes cênicas mundiais. As peças fazem parte do acervo do Museu de Valores do BC.
Ingmar Bergman (Suécia, 1918 – 2007) – cineasta e dramaturgo
Ernst Ingmar Bergman foi um dramaturgo e cineasta sueco. Dirigiu alguns dos mais influentes e aclamados filmes de todos os tempos, como Persona, O Sétimo Selo, Gritos e Sussuros, Fanny e Alexander e Cenas de um Casamento. O estudo psicológico dos personagens e das famílias disfuncionais é tema central de diversas de suas obras, assim como a angústia causada pela ausência de um deus. Seu pai, um pastor luterano que se tornou capelão do rei da Suécia, costumava humilhar e surrar Ingmar, uma criança doente. Bergman falou várias vezes sobre o amor profundo que nutria por sua mãe, de seu hábito de refugiar-se em fantasias e de seu gosto pelo macabro. Muitos atribuem os temas de repressão, culpa e castigo, constantes em sua obra, à educação rígida que o diretor teve em sua infância.

Considerado por alguns críticos como o maior cineasta da história, Ingmar Bergman exorcizou sua infância traumática por meio de obras-primas do cinema que exploraram a ansiedade sexual, a solidão e a busca por um sentido na vida. Em meio século de carreira, ele criou mais de 50 filmes e 125 produções teatrais, tornando-se a mais aclamada personalidade cultural da Escandinávia. Foram filmes como "Morangos Silvestres", "Cenas de um Casamento" e seu grande clássico "Fanny e Alexandre" que o elevaram à condição de um dos maiores mestres do cinema, conferindo, no entanto, à Suécia, seu país, a fama de melancólica.
Ele influenciou dezenas de cineastas, incluindo Woody Allen, que o idolatrava e que homenageou "O Sétimo Selo" (1956), filme que o levou ao reconhecimento internacional, com a comédia "A Última Noite de Boris Grushenko” (1975). “O Sétimo Selo”, ambientado na Idade Média em tempo de peste negra, mostra um cavaleiro à procura de Deus e do sentido da vida, que chega a jogar xadrez com a morte. O filme recebeu o prêmio do júri do Festival de Cannes em 1957. Bergman foi premiado com Oscar de melhor filme em língua estrangeira com “A Fonte da Donzela" (1960), "Através de um Espelho" (1961) e “Fanny e Alexander” (1982) nos anos de 1961, 1962 e 1984, respectivamente. Sua última produção cinematográfica foi "Saraband", um drama familiar feito para a televisão em 2003, altamente elogiado.
O retrato do cineasta estampa o anverso da cédula de 200 Coroas suecas, que traz ao fundo uma cena de bastidores de um de seus filmes. Na margem inferior direita da cédula, próxima ao valor, há uma frase de Ingmar Bergman: “Porque eu sei que com a ajuda do cinema, nós podemos adentrar em mundos até agora desconhecidos, em realidades além da realidade”. No reverso, uma paisagem da Ilha de Färo ao fundo (onde ele rodou alguns de seus filmes). A cédula faz parte de uma série de notas que homenageia celebridades nacionais, lançada em 2015.
Johanne Luise Heiberg (Dinamarca, 1812 – 1890) – atriz
Johanne Luise Heiberg, foi uma ilustre atriz dinamarquesa do século XIX, conhecida por seu trabalho no Royal Theatre (Teatro Real) de Copenhague, onde destacou-se com sucesso no cenário romântico nacional. De família proletária, ingressou na Royal Ballet School (Escola Real de Balé) aos 8 anos de idade, conseguindo pequenos papéis nas peças. Estreou em 1826 como Trine na peça Aprilsnarrene, escrita para ela por Johan Ludvig Heiberg, famoso dramaturgo e crítico dinamarquês, com quem se casou em 1831. Isso a lançou ao topo da sociedade, além de aproximá-la da poesia romântica dinamarquesa. Tornou-se usual referir-se ao casal como “Os Heibergs” e sua casa converteu-se em um centro cultural.
Com notável talento tanto para o teatro clássico quanto para o teatro contemporâneo, variando entre melancolia e charme risonho, Johanne atuou em diversas peças de seu marido e de outros dramaturgos dinamarqueses, que escreveram papéis especialmente para ela. Em sua carreira constam 275 peças. Sua popularidade, porém, resultou em acusações de favoritismo, além de, por vezes, ser considerada agressiva e arrogante.
Um desentendimento entre seu marido e colegas fez com que a carreira de diretor Johan Heiberg terminasse. Por um breve período, Johanne também abandonou o teatro. Após a morte do esposo, em 1860, a atriz se aposentou, em pleno apogeu, em 1864, levando-a a trabalhar como diretora de palco até 1874. Johanne escreveu uma autobiografia, Et Liv gjenoplevet i Erindringen ("A Life Relived in Memory", ed. 1891-92), uma das maiores obras literárias da época de ouro dinamarquesa, considerada pioneira por seu interesse quanto aos processos de atuação.

Johanne estampa o anverso da cédula de 200 Coroas dinamarquesas, de 1997. No reverso, a representação do leão em relevo em pedra, presente na Catedral de Viborg, na Dinamarca. Produzida pela Danmarks NationalBaken, a série de cédulas foi emitida ao longo de dois anos (1997-1999), e iniciou com a introdução do valor 200 Coroas (200 Kroner), cujo objetivo era preencher a lacuna entre a cédula de 100 Coroas e de 500 Coroas. Essa série sofreu atualizações em 2003 e deixou de ser impressa em outubro de 2010. O design do tema-chave de cada nota da série incorpora diversos dispositivos de segurança; o retrato de um indivíduo importante para a história dinamarquesa cuja contribuição artística ou cientifica tenha sido significativa; e figuras em relevo em pedra de igrejas posteriores à introdução do Cristianismo na Dinamarca.
Ferdinand Raimund (Áustria, 1790 – 1836) – ator e dramaturgo
Ferdinand Jakob Raimann foi um ator e dramaturgo austríaco. Seu primeiro contato com o teatro ocorreu quando ele vendia doces e refrescos na Galeria de Doces do Burgtheater. Raimund abandonou o trabalho para se tornar ator e em 1808 uniu-se a companhias de teatro ambulantes. Seu começo de carreira foi difícil, representando papéis de pequeno destaque, até que conseguiu interpretar Sancho Pança, alcançando sucesso entre o público. Em 1814, recebeu convite para atuar no Theater in der Josefstadt em Viena, onde estreou interpretando Franz Moor na peça Die Räuber, de Friedrich Schiller.
A partir de 1817, Ferdinand tornou-se membro do conjunto do Teatro Leopoldstadt e, em 1821, foi nomeado diretor, trabalhando também como ator e roteirista. Em 1823, trabalhou com Zauberspiel em “Der Barometermacher auf der Zauberinsel” (Os Fabricantes de Barômetro na Ilha Magia), peça de sua autoria, que obteve grande sucesso, lançando-o ao estrelato, estabelecendo sua reputação como o maior dramaturgo dos teatros suburbanos de seu tempo. Raimund representou mais de 170 de peças e escreveu oito, das quais se destacam três: “Das Mädchen aus der Feenwelt oder Der Bauer als Millionär” (A Menina dos Contos de Fada e o Camponês Milionário, 1826); “Der Alpenköenig und Menschenfeind” (O Rei dos Alpes e o Misantropo, 1828), e “Der Verschwender” (O Perdulário, 1834).
Raimund era um ator bastante carismático e mesmo preferindo atuar em tragédias, suas peças eram verdadeiras comédias, cativantes pela sólida caracterização das personagens, pelo humor popular, e pela encantadora apresentação com canções.
Raimund estampa o anverso da cédula de 50 Xelins, de 1970. À sua esquerda, vê-se o Brasão de Armas da Áustria: uma águia representando a soberania nacional com uma coroa mural representando a classe média. No corpo da águia, há um escudo com as cores da bandeira austríaca. Em sua garra esquerda, há uma foice representando a agricultura e, na garra direita, um martelo representando a indústria. A águia apresenta ainda uma corrente quebrada em suas garras, simbolizando a libertação da Áustria da ditadura nazista. O Brasão de Armas da Áustria foi criado em 1815.

No reverso da cédula, a vista do Teatro de Viena (Burgtheater), um dos teatros mais importantes do mundo, criado em 14 de março de 1741 pela imperatriz Maria Teresa da Áustria, que desejava um teatro ao lado de sua residência. Foi enquanto vendia seus doces e refrescos na Galeria de Doces desse teatro que Raimund se apaixonou pela atuação e decidiu largar o emprego para se tornar ator. A cédula parou de circular em 1988.
Joost van den Vondel (Holanda, 1587 – 1679) - dramaturgo e poeta
O poeta e dramaturgo Joost van den Vondel nasceu em Colônia, na Alemanha, mas viveu a maior parte de sua vida em Amsterdã. Embora essencialmente autodidata, foi o principal poeta da idade de ouro holandesa. Ele aprendeu sozinho a língua francesa, estudou latim e eventualmente traduziu obras de Virgílio e Seneca.
Seus primeiros trabalhos foram o resultado de seus estudos sobre o drama clássico e a teoria poética. Os poemas líricos de suas obras posteriores são considerados os melhores poemas em língua holandesa. Suas adaptações das tragédias gregas clássicas, a primeira época de obras de arte barrocas, são, na verdade, expressões de preocupação pela fé cristã. Ao mesmo tempo escreveu suas próprias tragédias, incluindo “Jerusalém Saqueada” (1620), “Jefté” (1659) e uma trilogia: “Lúcifer” (1654), “Adão no Exílio” (1664) e “Noé” (1667). As tradições medievais holandesas são um dos temas de uma das suas mais famosas peças, “Gijsbrecht van Aemstel” (1637).
Sua primeira peça “Het Pascha (The Passover)”, interpretada em 1610 e publicada em 1612, uma dramatização do êxodo dos judeus do Egito, foi seu mais importante trabalho precoce. Ela representava uma alegoria para os calvinistas que haviam fugido da tirania espanhola nos Países Baixos do sul. A obra “Lúcifer”, considerada obra-prima de van den Vondel, trata da revolta inexplicável dos anjos contra Deus. Em sua homenagem foi criado em 1867 um grande parque em Amsterdam, que leva o seu nome: o Vondelpark. 

Joost van den Vondel ilustra o anverso da cédula de 5 Gulden, de 1966. No reverso, pintura estilizada de vários elementos da arquitetura teatral, retiradas da gravura feita por Salomon Savery (1594-1666), do Teatro da Cidade, em Keizersgracht em Amsterdam, 1658, que foi demolido em 1664. A cédula saiu de circulação entre 1994 e 1995.
Henrik Ibsen (Noruega, 1828 – 1906) – dramaturgo
Henrik Ibsen foi um dos fundadores do teatro realista moderno, tido por muitos críticos como o maior dramaturgo depois de Shakespeare. Influenciou vários outros dramaturgos e romancistas, como Oscar Wilde, James Joyce e Eugene O’Neill. Suas peças mais conhecidas são “Brand”, “Um inimigo do povo”, “Imperador e Galileu”, “Casa de Bonecas”, “Hedda Gabler”, “Espectro”, “O pato selvagem”, “Rosmersholm” e “Peer Gynt”, que apresenta influência de elementos do Surrealismo. Suas peças exibem análises e críticas sobre questões morais e a realidade da sociedade europeia, que tinha como base a vida familiar e a propriedade. Ele buscava inspiração em pessoas próximas ou de sua própria família para criar seus personagens.
Suas obras costumam ser divididas em três fases: Romântica (1850-1873), Realista (1877-1890) e Simbolista (1892-1899). Passou a maior parte de seu tempo produtivo vivendo na Itália e na Alemanha, mas a maioria de suas peças se passam em lugares associados à Skien, comuna da Noruega onde o autor nasceu. Seu primeiro sucesso no teatro foi a peça “A festa em Soulhaug” (1856).
Sua importância como dramaturgo é tão marcante para a Noruega que, em 2006, foi comemorado o centenário de sua morte, formalizado pelo governo norueguês como o “Ano Ibsen”. Dentre os eventos, foi restaurado e reaberto o Museu Ibsen, em Oslo, na casa onde o autor morou durante os últimos 11 anos de sua vida. A nova versão do museu, criado originalmente em 1990, trouxe a decoração original da residência do autor. Na ocasião, foi inaugurado, também, um parque nomeado “Peer Gynt Sculpture Park” na mesma cidade, onde há diversas esculturas representando cada ato da peça “Peer Gynt” (1867). As esculturas são fruto de um concurso internacional de esculturas.

Ibsen aparece em duas cédulas. A primeira, de 1000 Coroas norueguesas, emitida entre 1975 e 1987, deixou de circular em 2001. O dramaturgo ilustra o anverso da cédula. No centro, imagem das armas nacionais. No reverso da cédula, à direita, reprodução de um quadro de Peder Balke, “Farol em Vardo”. A cédula pertence a Série V (1975-87) do Banco Central da Noruega. As artes dessa série foram feitas por dois funcionários que trabalham na área de impressão do Banco Central da Noruega (Norges Bank): o anverso foi produzido por Knut Lokke-Sorensen e o reverso por Henry Welde, também responsável pelas notas de 5, 50, 500 e 1000 Coroas. O planejamento para essa série começou em 1955, quando a cédula de 5 coroas foi substituída por moeda de mesmo valor, tornando a cédula de 10 coroas a menor da série, passando a ser fabricada na cor azul e não em amarelo, como ocorria nas séries anteriores.

O dramaturgo também estampa outra cédula de 1000 Coroas norueguesas da Série IV (1948-1976), que circulou até 1999. No reverso, representação do quadro “História” de Edvard Munch, em exibição na Universidade de Oslo Aula. As cédulas dessa série começaram a ser trabalhadas antes de 1930 por meio de um concurso. Porém, o advento da guerra pôs fim à sua realização. O tema escolhido para esta série foi a de grandes personalidades norueguesas de um passado recente, para o anverso, e de atividades econômicas importantes para o país, no reverso.
Jean-Baptiste Poquelin, Molière (França, 1622-1673) – ator e dramaturgo
Mais conhecido como Molière, Jean Baptiste Poquelin foi um dramaturgo, ator e diretor francês. Considerado o pai da Comédia Francesa, ele retratou em suas peças temas cotidianos da época em tom satírico e crítico, como o pedantismo dos falsos sábios, a pretensão dos burgueses enriquecidos, a corrupção em diversos setores sociais e as mentiras dos médicos ignorantes, além de defeitos e virtudes humanas, como inveja, cobiça e avareza. Por isso, foi perseguido, recebeu ameaças, protestos e críticas de setores conservadores, como a alta sociedade, a Igreja e os políticos.
As principais obras do dramaturgo são “As preciosas ridículas” (1659), “A Escola de Mulheres” (1662), “Tartufo” (1664), “O Misantropo” (1665), “Médico a força” (1666), “O Avarento” (1668), “Anfitrião” (1668), “O burguês fidalgo” (1670) e “As sabichonas” (1672).

Molière estampa a cédula de 500 Francos Novos, de 1965, que circulou entre os anos 1959 e 1966. No anverso da cédula, retrato do dramaturgo feito por Pierre Mignard, que está em exibição no Museu Condé, no Castelo de Chantilly. No fundo, espectadores e fosso de uma orquestra no teatro do século XVII Palais-Royal, em Paris. No reverso, retrato de Molière, com “Les Divertissements de Versailles” ao fundo, teatro temporário construído para a reapresentação de “O Doente Imaginário” (18 de julho de 1674), de Molière. Gravura de Jean le Pautre.
Jean Racine (França, 1639 – 1699) – dramaturgo
Jean-Baptiste Racine foi um dramaturgo, matemático, historiador e poeta francês, considerado um dos maiores autores da tragédia clássica francesa, entre elas, Fedra, Ester e Atália. Criado pelos avós por ter se tornado órfão aos 4 anos, teve a primeira peça “The Thébaide” (1664) representada pela companhia do dramaturgo Molière, no Théatre du Palais-Royal, em Paris. Descontente com a montagem da sua segunda peça “Alexandre, o Grande” (1665), entregou a montagem à companhia rival de Molière, Hotel de Bourgogne, o que gerou um conflito e o rompimento entre eles.
Em 1667 apresentou sua primeira peça de sucesso, “Andrômaca”, no mesmo ano em que começou sua rivalidade com o dramaturgo Pierre Corneille e com seus mestres jansenistas de Port-Royal (mestres que acreditavam em um conjunto de princípios estabelecidos por Cornélio Jansênio – 1585-1638 –, bispo de Ipres condenado como herege pela Igreja Católica. Tais princípios enfatizavam a predestinação, negavam o livre-arbítrio e sustentavam ser a natureza humana por si só incapaz do bem). Para contestá-los, escreveu a comédia “Les Pladeurs” (Os Litigantes), de 1668. Racine buscou inspiração na literatura grega. Em 1669 apresentou “Britânico”, considerado um ataque direto a Corneille, que triunfou graças ao apoio do rei. Em 1670 escreveu “Berenice”, dedicada a Jean-Baptiste Colbert, ministro do rei e, em 1675, recebeu o título de “Tesoureiro da França”.
Até 1677, Racine tinha alcançado sucesso como dramaturgo, sendo o primeiro a viver quase totalmente dos rendimentos de suas peças. Nesse ano publicou “Fedra”, obra que se tornou popular e que marcou sua reconciliação com os mestres da Port-Royal. No entanto, Racine já havia feito um grande número de inimigos, muitos dos quais apoiavam seu rival Pierre Corneille. Neste mesmo ano, Racine se aposentou do teatro comercial, casou-se e aceitou o posto de historiógrafo do rei Luis XIV. Abandonou o teatro por 12 anos para se dedicar à sua família e à educação de seus filhos. Jean Racine faleceu em Paris, em 1699. Foi enterrado no cemitério de Port-Royal, mas em 1710 seus restos mortais foram transladados para a igreja Saint-Étienne-du-Mont, também em Paris.

Jean Racine estampa a cédula de 50 Francos, de 1962, que circulou até 1976. A cédula pertence à segunda série de “criadores e cientistas célebres” do Banque de France, que contava com cédulas estampadas por Pasteur, Voltaire, Corneille e Pascal. No anverso, vê-se o retrato de Jean Racine feito por Jean Daullé. No centro da cédula, a abadia de Port-Royal des Champs, um convento situado em Magny-les-Hameaux, no Vale de Chevreuse, a sudoeste de Paris, que promoveu uma série de desenvolvimentos culturais historicamente relevantes. No reverso, atrás do retrato do dramaturgo está a comuna de La Ferté-Milon, sua cidade natal, localizada no departamento de Aisne, no norte da França.
Pierre Corneille (França, 1606 – 1684) – dramaturgo
Pierre Corneille foi um dramaturgo de comédias e de tragédias francês, um dos maiores produtores de dramas na França, durante o século XVII, ao lado de Molière e Racine. Chamado de "fundador da tragédia francesa", ele escreveu peças por mais de 40 anos.
Corneille começou a escrever em 1629. Sua primeira comédia, “Mélite”, estreou em Paris, pela companhia de Mondory e Le Noir. Em 1637, teve um enorme sucesso com a tragédia Le Cid, que retrata um amor tumultuoso, marcado por duelos mortais e conflitos familiares. Corneille cria, então, um novo estilo teatral, representando sentimentos trágicos na sociedade contemporânea. Foi eleito para a Academia Francesa em 1647, ocupando a cadeira 14 até sua morte, quando foi sucedido por seu irmão, Thomas.
A partir de 1650, as obras de Corneille começam a ter menos sucesso, e em 1652 ocorre seu primeiro fracasso, com a peça “Pertharite”, que o faz parar de escrever por alguns anos. Ele se dedica, então, à tradução em francês, do latim, de “A imitação de Jesus Cristo”. Apenas em 1659 o dramaturgo obtém sucesso novamente com a obra “Édipo”.
Corneille ganhou o título de Grand Corneille e Pai da Tragédia. Entre suas obras estão oito comédias, 23 tragédias, três discursos em prosa sobre arte dramática, além de exames sobre suas peças, poesias diversas e uma tradução em verso de “A Imitação de Jesus Cristo”. Devido à extensão e à riqueza de sua obra, surgiu, na França, o adjetivo corneliano, cujo significado remete à vez da vontade e do heroísmo, da força e da densidade literária, da integridade e ainda a uma oposição irredutível aos pontos de vista.

Pierre Corneille estampa as duas faces da cédula de 100 Francos, de 1964, produzida por Jean Lefeuvre e emitida por Gilbert Poilliot e Jules Piel, que teve tiragem total de 3,12 bilhões de exemplares. No anverso, vê-se o Castelo de Versailles, inaugurado em 1682. No reverso, a cidade natal do dramaturgo, Rouen, no norte da França, com a catedral da cidade. Na parte inferior direita, a casa de Corneille e, à esquerda, o Palácio da Justiça de Rouen. Os dois filigranas representam as cabeças dos personagens das tragédias do autor.
As cédulas citadas não necessariamente fazem parte do acervo atualmente em exposição no Museu de Valores do Banco Central. As informações contidas no texto foram retiradas de sites como Sua pesquisa, Uol Educação, Larousse, Ebiografia, Le Parisien, Études Litteraires, Academie Française, A La Lettre, L’internaute, Cinema Uol, Exame, Wolrd Bank Notes and Coins, De Nederlandsche Bank, Norges Bank.