A agenda de crescimento para o Brasil passa necessariamente por reformas macro e microeconômicas. As medidas já sinalizadas pelo governo estão na direção correta e têm como premissa um ajuste fiscal lento e gradual, que vai requerer paciência dos mercados. A conclusão dos membros do nosso Comitê de Acompanhamento Macroeconômico deu o mote do debate que realizamos na terça-feira para os associados, em parceria com o jornal Valor Econômico.
Participaram o vice-presidente do comitê e economista do Banco Bradesco, Fernando Honorato; o nosso diretor e CEO da Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo; o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall; e o economista-chefe do UBS, Guilherme Loureiro, economista-chefe do UBS. A moderação ficou por conta da colunista Angela Bittencourt.
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Por quase duas horas eles discorreram sobre os ajustes necessários para a retomada do crescimento econômico e da confiança dos investidores. “A saída é dolorosa e lenta. Vai requerer paciência dos mercados, mais do que nos acostumamos a ter”, afirmou Kawall.

A melhora das contas primárias é fator decisivo para o país voltar a crescer. Ainda que as projeções não indiquem uma recuperação imediata e substantiva das contas públicas, elas são mais otimistas para 2017, fruto da expectativa em torno da implementação das reformas. O déficit primário, por exemplo, hoje na casa dos -2,6% do PIB, deve recuar para -2,1% em agosto de 2017, de acordo com as projeções do Comitê Macro. O déficit nominal, por sua vez, deve passar dos atuais -9,3% para -8,6% daqui a um ano. “Temos um dos déficits mais elevados entre os países com os quais o Brasil compete por investimento”, frisou Honorato.
Para o PIB, a projeção do Comitê Macro para este ano é de encolhimento de 3,10%. Para 2017, o grupo prevê crescimento de 1,46%. Segundo Figueiredo, o aumento pode ser ainda maior caso o governo consiga aprovar outras reformas também necessárias para destravar o crescimento econômico: previdenciária, trabalhista e a PEC do Teto de Gastos - que fixa limites para despesas públicas com saúde, educação, saneamento e habitação para os próximos 20 anos -, a ser aprovada pela Câmara.
Kawall destacou que a expectativa para o início de 2017 é de um contingenciamento nas despesas discricionárias, com possíveis revisões ao longo do exercício. “Será importante manter a cautela na execução do orçamento, contendo as despesas discricionárias e gerindo as obrigatórias de forma responsável”, disse.
Segundo Loureiro, a aprovação das reformas pelo Congresso também darão importante sinalização aos investidores de que o governo tem capacidade de avançar nas reformas estruturais necessárias, principalmente a previdenciária.