Notícia
21/09/2016

Inovação disruptiva impõe desafios ao mercado financeiro

Discussao sobre os desafios e tendencias da inovacao disruptiva no mercado financeiro, incluindo fintechs e tecnologias emergentes.

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O debate sobre inovação disruptiva e mudanças estruturais que fechou a Conferência ANBIMA Cetip de Renda Fixa jogou foco nas tendências e desafios enfrentados pelas companhias diante da evolução tecnológica. O painel encerrou o evento, que contou com mais de 400 pessoas na terça-feira, em São Paulo. Como moderador, Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS) e apresentador do programa Navegador da Globonews, destacou a crescente relevância das fintechs (startups financeiras) nos Estados Unidos.
 

Segundo ele, no ano passado, os investimentos em fintechs realizados no mercado norte-americano somaram US$ 19 bilhões. Há cinco anos, era US$ 1,8 bilhão – o que mostra como esse mercado está em expansão. “Existem algumas tendências claras, que são estruturantes, como mudanças no processo de automação, inteligência artificial e o uso de algoritmos para tomada de decisões”, comentou Lemos, citando também a economia compartilhada e o desenvolvimento de plataformas blockchain.

O vice-presidente de software da HP Enterprise, Ailton Santos, destacou novos paradigmas que terão de ser enfrentados pelas empresas. “Hoje, discutimos se o capital ainda é relevante como barreira de entrada, o que significa disrupções importantes para a teoria econômica”, explicou o executivo. “A economia das ideias é o que vale neste universo, é ela que vai prosperar e não o capital.”

Para Scott Riley, ex-diretor fundador da Chi-X Europe (atualmente BATS), a disrupção não será um evento e sim um processo, em especial no mercado financeiro. “Bancos mudam o tempo todo, novos meios de fazer transação vão surgir, mas a intermediação continuará”, avalia Riley.

Na opinião de Santos, da HP, os bancos tendem a criar plataformas paralelas para enfrentar as fintechs. “Eles preferem deixar o negócio como está e criar outro ambiente para atuação, em paralelo, com cara de fintech”, diz, lembrando que, neste setor, a inovação sempre foi endógena. “O desafio agora é capturar a inovação de fora para dentro”, disse, destacando que isso é muito mais complexo e altera todo o ecossistema do conhecimento.

O painel contou ainda com a participação de Thiago Alvarez, fundador e CEO do Guia Bolso, plataforma de finanças pessoais do Brasil com mais de 2 milhões de usuários. Segundo ele, as empresas precisam acompanhar a evolução tecnológica sem medo de errar ou de canibalizar o próprio negócio. “A Amazon começou vendendo livro físico na web, depois lançou o kindle e mais recentemente começou a alugar livros, sem medo de que um modelo canibalizasse o outro”, lembra Alvarez. 

Falando especificamente sobre concorrência entre bancos e fintechs, o fundador do Guia Bolso acredita que, no Brasil, são poucas as que realmente possam representar uma ameaça. “Precisa olhar uma a uma, as que realmente tem funding e que estão com negócios estruturados. Não passam de dez”, disse.¿ ¿¿¿¿