Obra foi retirada do Salão Nobre do Edifício-Sede, que será reformado. Com quase cinco metros de altura, painel é a peça mais valiosa do acervo artístico do Banco Central.
Uma das obras mais importantes do acervo artístico do Banco Central, o painel "Descobrimento do Brasil", de Candido Portinari, já pode ser visto por todos os visitantes do Edifício-Sede, em Brasília. A obra foi retirada do Salão Nobre de Reuniões do 8º andar, que será reformado, e foi levada para a Galeria de Arte, localizada no mesmo andar. A mudança foi realizada na segunda-feira (24) por empresa especializada no transporte e manuseio de obras de arte – leia mais abaixo –, e a partir desta quinta (27) o público externo poderá ver a obra em seu novo espaço.
“Tivemos que fazer alguns ajustes no local expositivo que recebeu o painel, tais como adequar a iluminação e acrescentar informações sobre a obra”, explica a chefe do Departamento de Educação Financeira, Elvira Cruvinel. Ela afirma que permitir o acesso geral ao painel é uma forma de aproximar o BC da sociedade. “‘Descobrimento do Brasil’ é a peça mais importante e valiosa do nosso acervo artístico, e a visitação externa era limitada ao primeiro sábado de cada mês. Aproveitamos a ocasião da reforma do Salão Nobre para facilitar o acesso à obra, que agora poderá ser vista de terça a sexta-feira, das 10 às 18h.”
O deslocamento do painel mobilizou servidores do Departamento de Educação Financeira e do Departamento de Infraestrutura e Gestão Patrimonial, além de empresa especializada no transporte e manuseio de obras de arte e de empresa responsável pelo seguro para movimentação da peça. Com 492cm de altura e 393cm de largura, "Descobrimento do Brasil" pesa 350 quilos.
Saiba mais
Pintado em 1955, o painel foi encomendado pelo Banco Português do Brasil, que desejava uma peça de Portinari para decorar o saguão do novo edifício da matriz no Rio de Janeiro. Em 1973, o Banco Português do Brasil foi incorporado ao Banco Itaú América, que antes de encerrar suas atividades vendeu o painel para o Banco Halles. Três anos depois, o Banco Halles ofereceu “Descobrimento do Brasil” como parte do pagamento de suas dívidas.
A incorporação do painel ao patrimônio do BC foi feita após deliberação de comissão técnica formada por Antonio Bento, Edson Motta e Glênio Bianchetti. A Diretoria Colegiada deu parecer favorável, e o painel – avaliado em Cr$2 milhões na época – passou a integrar o acervo do BC, junto com outras obras de Portinari. “Essas peças vieram para Brasília em 1978, mas só em 1982, após a inauguração do Edifício-Sede, que o painel foi instalado”, explica Karla de Sá Valente, chefe do Museu de Valores do BC.
Essa não é a primeira vez que a obra é deslocada do Salão Nobre para a Galeria de Arte. Em 2000, o espaço também foi reformado, o que exigiu a retirada do painel de Portinari. Na ocasião, ele passou por um processo de higienização, realizado por especialista do Centro de Conservação e Restauração da Universidade Federal de Minas Gerais. O painel já tinha passado por uma restauração emergencial, feita em 1994 por equipe do Museu Nacional de Belas Artes. “Foi um procedimento necessário para que a obra participasse de exposição realizada no ano seguinte”, conta Karla.
Além disso, em 2005, o BC lançou projeto exclusivo para a restauração de todas as obras de Portinari que integram o acervo artístico da instituição. O restauro das peças foi feito entre 2007 e 2008, com o objetivo de reparar os danos causados pelo tempo, recuperar os elementos autênticos das obras e melhorar suas condições de conservação. Devido a suas dimensões, o painel “Descobrimento do Brasil” foi restaurado em Brasília e não foi necessário reentelamento, nem troca de chassis e de molduras. Veja vídeo que fala sobre o processo de restauração.