Na última quinta-feira (29), o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou em 4,25% a meta de inflação para 2019. E em 4,00%, para 2020, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, em ambos os períodos. Após o anúncio das metas, as expectativas de mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aferidas pela Pesquisa Focus, foram revisadas, passando de 4,25% para 4,00%. Na prática, a revisão das projeções indica que os analistas do mercado financeiro acreditam que o Banco Central conduzirá a inflação de 2020 para os 4,00%, como definido pelo Conselho Monetário Nacional.
Na avaliação de Renato Baldini, chefe adjunto no Departamento Econômico, os agentes econômicos têm percebido o compromisso do Banco Central em conter a inflação, o que explica o efeito sobre as expectativas de mercado. “Não se trata de um simples anúncio. O sistema de metas e a comunicação transparente do BC com o público diminuem as incertezas quanto ao futuro da inflação e indicam aos agentes o alvo a ser perseguido”.
Para Baldini, é muito importante balizar e coordenar as expectativas futuras de acordo com as ações realizadas no presente, porque elas influenciam a própria inflação. “À medida que são projetadas taxas de inflação mais baixas para o futuro, o mercado passa a trabalhar com essas expectativas para os seus próprios negócios”.
Ele explica que um empresário, por exemplo, que precisa equilibrar constantemente suas receitas e despesas, tende a reajustar os preços dos serviços e produtos com base nas expectativas de inflação. “Se os empresários, trabalhadores e a sociedade como um todo acreditam que a inflação terá um nível mais baixo no futuro, isso ajuda de fato a ocorrer”, define. “Embora muito importante, esse não é o único fator. Além disso, para que as expectativas se cumpram é preciso que as políticas monetárias e fiscais sejam bem conduzidas”, ressalta.
A redução da meta deve possibilitar inflação e juros nominais mais baixos. Com taxas menores de inflação, têm-se efeitos diretos e positivos para o crescimento econômico: maior previsibilidade, ampliação dos horizontes de planejamento dos investidores e principalmente a preservação do poder de compra da população em geral. “O impacto social de uma inflação controlada é relevante”. E há impactos na distribuição de renda: “As classes com renda mais baixa se beneficiam mais da queda da inflação, não conseguem se proteger num cenário com inflação”, destaca.