Segunda fase do Projeto de Integração da Pós-Negociação devolverá R$ 21 bilhões de capital de colateral para o mercado
A B3 finalizou às 06h da manhã de hoje a implantação da 2ª fase do Projeto de Integração da Pós-Negociação, que consiste na migração das operações dos mercados de renda variável e renda fixa privada para a clearing multiativos.
Com esta migração, R$ 21 bilhões de capital de colateral serão devolvidos para o mercado, com a preservação completa dos sistemas de segurança da clearing. Somadas as fases 1 (ocorrida em 2014) e 2 do projeto, chega-se ao total de R$ 41 bilhões de capital de colateral devolvidos.
A clearing multiativos tem uma capacidade para gerenciar 10 milhões de transações por dia e permite que os participantes dos seus mercados sejam mantidos informados dos requisitos de risco e margem de garantia em tempo real ao longo de todo o funcionamento do mercado. Com mais esta etapa de migração, a B3 e seus participantes modernizam e simplificam suas infraestruturas tecnológicas e também reduzem os custos de middle e back office com uma maior padronização de regras, processos e rotinas.
Na primeira fase do projeto, ocorrida em 2014, o registro, a compensação, a liquidação e o gerenciamento de risco de operações com derivativos financeiros e de commodities, mercado de balcão (swaps, termo de moeda e opções flexíveis) e mercado a vista de ouro migraram para a clearing multiativos.
Em 11/08/2017, o Banco Central do Brasil (BCB) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concederam à B3 as autorizações necessárias à implementação da 2ª fase do Projeto. Com isso, foram encerradas as atividades de compensação, liquidação e de gerenciamento de riscos da antiga Câmara de Ações da BM&FBOVESPA em 25/08/2017.
Veja os vídeos explicativos sobre a 2ª fase do Projeto de Integração da Pós-Negociação
CORE
A clearing multiativos conta com o CORE (Close-out Risk Evaluation), um dos mais modernos e seguros sistemas de administração de risco do mundo. O CORE possibilita maior eficiência na alocação de capital por realizar a avaliação conjunta de risco de portfólios heterogêneos, compostos por diferentes tipos de ativos, contratos e garantias nos Mercados de Bolsa e Balcão.
O sistema simula milhares de trajetórias de preços possíveis para os ativos, contratos e garantias presentes na carteira do investidor, por meio de técnicas de modelagem diferentes que se complementam, fornecendo maior robustez ao cálculo de risco.
| Linha do Tempo | |
|---|---|
| Implantação da Clearing BM&FBOVESPA | Conclusão da 1ª fase do projeto (Migração da Clearing de Derivativos) – Agosto de 2014 |
| Início da migração da Clearing de Ações e Renda Fixa Privada | 2ª fase do projeto – Outubro de 2014 |
| Etapa de Construção | Agosto de 2015 a Novembro de 2015 |
| Etapa de Testes Integrados | Outubro de 2015 a Fevereiro de 2016 |
| Etapa de Certificação | Dezembro de 2015 a Maio de 2016 |
| Etapa de Produção Paralela | Início: Julho de 2016 |
| Migração dos mercados de renda variável e renda fixa privada | 28 de agosto de 2017 |
Entenda a economia de colateral
Exemplo da Estratégia Long e Short
Muitos gestores nacionais e internacionais fazem estratégias do tipo Long e Short no mercado de ações. Nela, um investidor toma emprestado (no mercado de aluguel de ativos da B3) ações que tenham um peso grande na carteira do IBOVESPA, com o objetivo de “shortear”.
Estes papéis não precisam representar exatamente a carteira do Ibovespa, mas podem estar próximos ou semelhantes à carteira. Assim, o investidor toma os papéis, vende, e para fazer o hedge desta operação, (a ponta long da estratégia Long e Short) ele compra o futuro de IBOVESPA.
No passado, sem a integração das clearings, a ponta Short era liquidada e margeada numa clearing, e a ponta Long, que está no futuro de IBOVESPA, era liquidada e margeada em outra clearing.
À medida que as duas operações ocorrem numa mesma clearing, o sistema consegue compreender que os riscos do investidor em cada uma das pontas da estratégia são opostos e tendem a se compensar. Assim acontece a economia de colateral para o mercado, com a redução da chamada de margem de garantia do investidor.
Neste exemplo, a margem pode ser até de 80% menor em relação ao modelo anterior, uma quantia extremamente relevante para os clientes em termos de eficiência operacional.