Em entrevista coletiva nessa terça-feira (13), em Brasília, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, falou sobre a conjuntura econômica e os avanços promovidos pela Agenda BC+, pauta de trabalho que elenca as principais contribuições da autoridade monetária para a sociedade.
Na avaliação do presidente, 2017 foi um ano positivo para a economia brasileira. Três avanços macroeconômicos foram especialmente observados: redução significativa da inflação, queda substancial da taxa de juros e recuperação da atividade econômica após dois anos de recessão. Veja a apresentação.
Conjuntura econômica
O trabalho do BC contribuiu para a queda do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que fechou o mês de novembro em 2,8% no acumulado em 12 meses. "Isso aumentou o poder de compra da população, o que aumentou o consumo e viabilizou o começo da recuperação econômica", afirmou Ilan. Ele destacou ainda que essa redução só foi possível porque o Banco Central conseguiu ancorar as expectativas futuras: "Para a inflação, o que vai acontecer no futuro é relevante."
Ainda segundo Ilan, houve mudança na direção da política econômica, que passou a ser menos intervencionista, a controlar menos os preços, a adotar um teto de gastos públicos e a implementar reformas estruturais, como a trabalhista. "Ajustes e reformas, em particular a da Previdência, que está sendo analisada pelo Congresso Nacional, são fundamentais para que a inflação baixa e a baixa taxa de juros se sustentem."
Agenda BC+
"Os avanços promovidos pela Agenda BC+ são estruturais, isto é, com potencial de trazer benefícios no médio e no longo prazo", afirmou Ilan. O presidente apresentou novas iniciativas da agenda, como a realização de estudos sobre os níveis estruturais de recolhimento compulsório no país; o acordo entre bancos e poupadores para o ressarcimento de perdas nas cadernetas de poupança com os planos econômicos implantados nas décadas de 1980 e 1990; e o combate ao endividamento via cartão de crédito. "A Agenda BC+ é uma agenda viva, que pode e será atualizada com regularidade."
Lançada no final do ano passado, o BC+ reúne ações de curto, médio e longo prazos que buscam baratear o crédito no país, aumentar a eficiência do Sistema Financeiro Nacional (SFN), promover a cidadania financeira e atualizar a legislação que regula a atuação das instituições financeiras e do próprio Banco Central. Das 39 iniciativas listadas como prioritárias, 16 foram concluídas – tais como a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), a aprovação do novo marco legal punitivo, a simplificação dos compulsórios e uma maior presença do BC nas mídias sociais.
Custo do crédito
O presidente do BC lembrou que há uma relação não imediata entre a taxa básica de juros da economia e as taxas cobradas por instituições financeiras: "Quando a taxa básica sobe, as taxas bancárias sobem. Quando a taxa básica cai, as taxas bancárias caem. Isso não ocorre imediatamente, há defasagem. Isso significa que o crédito deve ficar ainda mais barato, mas não podemos precisar o ritmo, porque depende de vários outros fatores. As reformas e ajustes, por exemplo, reduzem a taxa estrutural da economia."
O presidente do BC também lembrou que a autonomia formal da instituição pode reduzir os riscos na economia brasileira, uma vez que fortalecerá o Banco Central, e afirmou que a possibilidade de a inflação fechar o ano abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) não preocupa o Banco:
"Considero que a inflação ter chegado ao patamar atual é um grande ativo para sociedade brasileira, porque o poder de compra aumentou e permitiu a queda da taxa de juros a níveis históricos mínimos. Acredito que seguimos a boa prática da política monetária: primeiro você ancora as expectativas, isso permite a queda da inflação, e aí sim você reduz os juros", defendeu Ilan.