O estoque de swap cambial encerrou o ano de 2017 com US$23,8 bilhões. Em 2016, no mesmo período, o estoque era de US$26,6 bilhões, enquanto no final de 2015, de US$108,1 bilhões.
Qual o significado desses números para a economia? Segundo Juan Pablo Paschoa, consultor no Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central (BC), isso significa que caiu a necessidade de proteção contra a desvalorização cambial. O aumento e a diminuição de estoque estão ligados à volatilidade da taxa de câmbio e à necessidade de hedge (proteção) cambial por parte dos participantes do mercado.
A partir de junho de 2013, no contexto dos primeiros sinais de normalização da política monetária norte-americana de juros muito baixos, grandes empresas brasileiras captaram recursos externos, o que gerou a necessidade de hedge. No intuito de oferecer estabilidade financeira e econômica, o BC optou por oferecer essa proteção via swaps, atendendo à demanda do mercado. O estoque seguiu crescendo até março de 2016 (estoque de US$105,6 bi).

A partir de abril de 2016, o estoque de swap cambial começou a reduzir-se devido ao bom momento do mercado internacional, principalmente com a sinalização de que os EUA não subiriam muito a taxa de juros no curto prazo, e mudanças na direção de política econômica. A partir do meio do ano o BC adotou postura de aproveitar o "interregno benigno" no mercado internacional e aproveitar as oportunidades no mercado para reduzir o estoque de swaps. Em questão de meses, o estoque foi reduzido para US$26,6 bi (em dezembro de 2016).
Ao longo de 2017, o estoque caiu de US$26,6 bilhões no início do ano para US$23,8 bi no final.
Proteção
Swap (do inglês, “troca”) é um derivativo financeiro que promove simultaneamente a troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros entre agentes econômicos. O swap cambial afeta a economia indiretamente. Por meio dele o BC procura evitar movimento disfuncional do mercado de câmbio.
O objetivo dessas operações é prover "hedge" cambial – proteção contra variações excessivas da moeda americana em relação ao real – e liquidez ao mercado de câmbio doméstico. A compra de contrato de swap pelo BC funciona como uma injeção de dólares no mercado futuro.
Quando uma empresa possui um ativo financeiro indexado à variação do dólar comercial e deseja trocar esse indexador por uma determinada taxa pré-fixada, sem se desfazer do ativo financeiro, ela poderá realizar essa operação por meio de uma troca de taxas.
No contrato de swap, o BC se compromete a pagar ao detentor do swap a variação do dólar, acrescida de uma taxa de juros ("cupom cambial"), e a receber a variação da taxa de juros doméstica acumulada no mesmo período (taxa Selic). Portanto, quem vende esse contrato fica protegido caso a cotação do dólar aumente, mas tem de pagar a taxa Selic para o comprador, no caso o BC.