O trabalho Jornada da Cidadania Financeira no Brasil, que conta a trajetória de mais de duas décadas no fomento da educação e da inclusão financeira no país, ganhou nesta terça-feira (4) versão em inglês. Publicado em parceria com a Aliança para Inclusão Financeira (AFI), o texto foi lançado durante o fórum anual da entidade, que ocorre até sexta-feira (7) em Sochi, na Rússia. Leia a versão em português.
A publicação faz parte da AFI Member Series, série de artigos que destaca as realizações dos países-membros da AFI no campo da inclusão financeira e que pode beneficiar outros integrantes que persigam objetivos semelhantes, incluindo os mais de 90 países integrantes da AFI. 
Luis Mansur, chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central (BC), afirma que o lançamento faz parte de uma série de três publicações sobre o tema. Além da versão em inglês da Jornada, serão divulgados o artigo O que é cidadania financeira, previsto para outubro, e o primeiro Relatório de Cidadania Financeira, em novembro – publicação trienal que, com escopo ampliado e novo modelo, substituirá o antigo Relatório de Inclusão Financeira.
“A Jornada da Cidadania Financeira representa o histórico e os esforços que o Brasil tem feito nesse tema. Já o artigo O que é cidadania financeira é um trabalho mais acadêmico, que procura delimitar o escopo da expressão e fornecer as bases para a criação do Índice de Cidadania Financeira, que será lançado no I Relatório de Cidadania Financeira. Este apresentará um panorama dos obstáculos e desafios que temos pela frente, será o nosso olhar para o futuro”, destaca Mansur.
Avanços
A Jornada relaciona uma série de conquistas no período entre 2013 e 2017, desde o reconhecimento da cidadania financeira como estratégica para o BC, com a inclusão do tema como um dos pilares da Agenda BC+, passando pela evolução verificada na Semana Nacional de Educação Financeira, cuja edição de 2017 alcançou mais de 4 mil ações. A Jornada da Cidadania Financeira também mostra o aprofundamento do relacionamento do BC com o cidadão, com a criação do Registrato e o aprimoramento do registro e acompanhamento de demandas.
O documento destaca que, em dezembro de 2017, aproximadamente 140 milhões de adultos utilizavam serviços bancários no Brasil – o que corresponde a 87% da população, contra 60,8% em 2005. “Esses números mostram que houve forte evolução da inclusão financeira no Brasil. Transferências governamentais e a atuação dos bancos públicos podem estar entre os principais fatores para esse avanço”, informa o texto.
Já com relação aos canais de acesso e transações, houve aumento no uso de canais não presenciais (digitais ou eletrônicos), que cresceram à taxa média anual de 21% no período de 2010-2016 – bem acima da taxa média anual de 3% dos canais presenciais. “Os canais digitais/eletrônicos representam, hoje, o principal canal de acesso com o Sistema Financeiro Nacional. Existe, portanto, grande oportunidade a ser explorada na disseminação da cidadania financeira por meio desses canais, com elevado potencial de alcance das populações de baixa renda dispersas no território nacional”, destaca o documento.