Notícia
30/11/2018

“Queremos taxa básica de juros e custo do crédito baixos, mas de maneira sustentável”, afirma presidente do BC

Presidente do BC destaca busca por taxa básica de juros e custo do crédito baixos de forma sustentável e apresenta avanços da Agenda BC+.

​Desde março deste ano, a taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, está em 6,50% ao ano, o menor valor da série histórica. O Indicador de Custo do Crédito (ICC) também apresenta trajetória de queda, passando de 39,2% a.a  em janeiro do ano passado para 32,5%a.a em setembro de 2018. Na avaliação do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn (foto), esses números refletem o sucesso do redirecionamento da política econômica, promovido por todo o governo, da atuação firme da política monetária e da Agenda BC+, um pacote de medidas lançado no final de 2016 que busca revisar questões estruturais do BC e do Sistema Financeiro Nacional (SFN), gerando benefícios duradouros para a sociedade, especialmente para os consumidores de serviços e produtos Financeiros.

"A palavra de ordem aqui é sustentabilidade. Nós queremos quedas sustentáveis, tanto da taxa básica de juros quanto do ICC. Há demanda por soluções de curto prazo, mas o que estamos oferecendo é uma mudança sustentável", afirmou Ilan, nessa quarta-feira (28), ao apresentar um balanço da Agenda BC+.

A Agenda BC+ engloba 68 ações divididas em quatro pilares – SFN Mais Eficiente, Crédito Mais Barato, Legislação Mais Moderna e Mais Cidadania Financeira. Do total, 19 foram concluídas entre 2016 e 2017; 22 foram concluídas neste ano e 27 estão em andamento.



"A agenda é da instituição, não do presidente. A Agenda BC+ já existia antes de eu chegar e tenho certeza que vai continuar nos próximos meses. Nós apenas organizamos essas medidas, divulgando de forma mais transparente." Clique para ver a apresentação.

Nessa quarta, o BC divulgou mais uma medida da Agenda BC+: as compras feitas em moeda estrangeira nos cartões de crédito internacionais terão seu valor fixado em reais pela taxa de conversão vigente no dia em que o gasto for realizado. A medida aumenta a previsibilidade para os clientes em relação ao valor a ser pago, evitando o efeito da variação da cotação da moeda estrangeira entre o dia do gasto e o dia de pagamento da fatura.

"Alguns bancos já oferecem essa possibilidade, mas com a medida será obrigatório. Acreditamos que o consumidor vai se sentir mais confortável sabendo quanto está gastando em reais na hora da compra, é uma medida que facilita a vida do cidadão", destacou Ilan. As instituições financeiras terão até março de 2020 para adequar seus sistemas operacionais à nova norma.

Compulsórios e competitividade
O presidente do Banco Central também ressaltou a simplificação das normas que regem o recolhimento compulsório como avanços promovidos pela Agenda BC+. De acordo com Ilan, as mudanças beneficiam principalmente as instituições financeiras de médio e pequeno porte e fazem com que o Brasil se aproxime do padrão observado em outros países.

"A medida mais recente para simplificação do compulsório foi anunciada na semana passada. Estamos chegando a alíquotas semelhantes às de economias desenvolvidas, mas ainda há muito trabalho a fazer. As distorções que observamos nos recolhimentos compulsórios foram criadas ao longo de décadas e vamos ter que trabalhar ao longo de anos para reduzi-las."

Ilan também ressaltou a importância das ações que fomentam a atuação das fintechs. "Há algumas semanas, foi aprovado decreto que facilita a captação de capital estrangeiro. A medida incentiva a entrada de novas instituições, estimulando a concorrência, e promove o processo de inovação. Isso é muito importante porque as fintechs necessitam de agilidade. Não podemos ter o mesmo modelo de captação de recursos dos grandes bancos para as fintechs."

Para garantir que a entrada de novos atores não afete a estabilidade e a resiliência do Sistema Financeiro Nacional, o BC publicou em agosto circular que determina que as instituições de pagamento deverão estabelecer uma política de segurança cibernética, além de plano de ação e resposta a incidentes. Para as demais instituições financeiras, a exigência havia sido estabelecida em abril deste ano, como parte do pilar SFN Mais Eficiente.

"Ao mesmo tempo que entramos nesse mundo de inovações digitais, temos que ter cuidado. Não basta que uma instituição financeira se cuide, todas devem atuar com cautela", afirmou Ilan.