Notícia
18/04/2019

Palestras ministradas pelo BC em SP e no RJ levam educação financeira a imigrantes

Banco Central promove palestras de educação financeira para imigrantes em São Paulo e Rio de Janeiro.

Para ajudar imigrantes que chegam ao Brasil a entender as particularidades do sistema financeiro brasileiro, o Banco Central realizou na última sexta-feira (12), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e com a ONG Cáritas, a palestra “Educação Financeira para Imigrantes”, ministrada por Fabiano Alberton, analista no Deres e membro da Rede de Educação Financeira do Banco Central. No Rio, o encontro ocorreu no auditório da representação regional do BC.

Vinte e cinco imigrantes participaram do evento e receberam orientações sobre como usar melhor o dinheiro, como abrir contas e os cuidados que precisam ter, por exemplo, quanto ao uso de crédito, além de conhecerem ferramentas como a Calculadora do Cidadão.

“É fundamental que os imigrantes tenham subsídios para tomarem decisões minimamente racionais sobre o uso do crédito e sobre os investimentos. Conhecer os órgãos que defendem seus direitos e saber onde buscar orientações isentas sobre crédito e investimentos é o primeiro passo”, afirma Alberton.

A palestra falou sobre como organizar gastos em nível de prioridade, como distinguir entre orçamento planejado e executado e de que maneira dívidas podem ser administradas para “transformar vermelho em verde” e melhorar sua saúde financeira.

   Palestrante tira selfie com os imigrantes

"Saber como gerenciar os recursos financeiros e conhecer as características do sistema bancários brasileiro é um passo fundamental para garantir a autonomia dos imigrantes no Brasil”, defende Bernardo Laferté, coordenador-geral do Comitê Nacional para os Refugiados, órgão da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ). “A ação mostra que todos estão engajados nesse propósito, tanto o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Defensoria Pública da União, a sociedade civil, com a participação ativa da Cáritas, e o Banco Central”, concluiu.

Os participantes são imigrantes vindos de Angola, Congo, Venezuela, Nicarágua e Colômbia.

Organização financeira
A venezuelana Vera Rios elogiou a iniciativa da palestra, um sinal de que "há interesse em ajudar os migrantes". Para ela, recém-chegada ao Brasil, o sistema financeiro do país ainda provoca dúvidas e dificuldades de compreensão. "Gostei muito porque pude conhecer termos com os quais não estamos acostumados. Também foi importante o que foi falado sobre não tomar crédito de maneira irresponsável", disse.

Já para o congolês Esaie Tshilolo, que trabalha de forma autônoma como fotógrafo e professor de fotografia, as orientações foram fundamentais para mudar sua percepção sobre organização financeira. Há nove anos vivendo no Brasil, ele admite que já cometeu imprudências. "Hoje aprendi a diferença entre o que é necessidade e o que é desejo. Sempre fiz confusão entre os dois. Agora vou me organizar para não ficar no vermelho", afirmou.

O evento também contou com uma palestra do defensor público da União André Ordacgy, que tirou dúvidas sobre a abertura de conta bancária por migrantes.

Semana de Trabalho e Renda para Imigrantes em SP
Na maior cidade do Brasil, uma equipe do BC também participou da “Semana de Trabalho e Renda Para Imigrantes”, organizada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho com a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo. As duas palestras foram realizadas nos dias 3 e 4 de abril e contaram com a presença de pessoas oriundas de Angola, Congo, Gâmbia, Haiti, Mali, Mauritânia, México, Nigéria, Peru, Serra Leoa, Singapura, Togo e Venezuela.

Palestrante em SP

A plateia, formada por homens e mulheres, era composta por pessoas que trabalham em profissões diversas, como professor, açougueiro, auxiliar de limpeza, repositor, segurança, ajudante geral, eletricista, advogado, administrador, engenheiro e vendedor. “Os imigrantes presentes, alguns já com conta bancária aberta no Brasil, demonstraram bastante interesse pelos temas apresentados”, afirma Ricardo Oliveira, analista no Deban.

O conteúdo ministrado teve como objetivo estimular mudanças de comportamento com base nas boas práticas de finanças pessoais, para que o público possa refletir sobre como usar bem o recurso que dispõe. De forma didática, o enfoque foi comportamental e utilizou exemplos do cotidiano e vídeos para uma abordagem acessível a todos os públicos.

Tópicos normalmente mais difíceis para imigrantes, como cheque especial, tarifas bancárias, situações nas quais se cobram juros, diferença entre compras à vista e a prazo e questões sobre a abertura de contas, além de aspectos das cédulas do Real, também foram abordados.

Abertura de contas para imigrantes
Para solicitar abertura de conta em qualquer instituição bancária do país, seja ela pública ou privada, uma opção para quem ainda não possui o RNE é levar o Protocolo do Pedido de Refúgio, que é emitido pela Polícia Federal, e apresentar número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e comprovante de endereço. O Banco Central, por meio da Carta Circular nº 3.813, de 7 de abril de 2017, esclarece que o protocolo é documento hábil para identificação no momento da abertura de conta.