O Banco Central do Brasil (BC) divulgou hoje o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2019. O REF é uma publicação semestral destinada a apresentar o panorama da evolução recente e as perspectivas para a estabilidade financeira no Brasil.
Até o final do segundo semestre de 2019, a atividade econômica doméstica prosseguia recuperando-se gradualmente em um ambiente de taxas de juros e inflação historicamente baixas. Esse cenário benigno permitiu a continuidade do avanço do financiamento às empresas no mercado de capitais. No âmbito do crédito bancário, o aumento do estoque de financiamento às Pequenas e Médias Empresas (PMEs) neutralizou a retração do crédito às empresas de grande porte. O risco de crédito das PMEs continuou em declínio, enquanto o risco relacionado às grandes empresas segue sendo um ponto de atenção.
O crédito às famílias manteve crescimento acima de um dígito durante todo o segundo semestre de 2019, com destaque para modalidades voltadas ao consumo. O índice de Ativos Problemáticos permaneceu muito próximo ao mínimo histórico até o final de 2019.
A rentabilidade permaneceu em elevação em 2019 devido, principalmente, ao crescimento do crédito em operações com maior spread. As despesas de provisão aumentaram, influenciadas pelo maior volume de operações de varejo e, principalmente, com o reforço de provisão ocorrido no final do exercício aproveitando os impactos da reavaliação do estoque de crédito tributário.
Os índices de capitalização mantiveram-se confortáveis, bastante superiores aos mínimos regulatórios, e os níveis de provisão mostram-se suficientes para enfrentar eventual elevação do risco de crédito. O nível de liquidez dos bancos manteve-se adequado e suficiente para apoiar o crescimento da atividade econômica.
Porém, nos dois primeiros meses de 2020, os potenciais efeitos econômicos negativos decorrentes da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) levantavam preocupação e, ao longo das primeiras semanas de março, as expectativas alteraram-se rapidamente, piorando a perspectiva de crescimento doméstico e global. Diante do novo ambiente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o BC anunciaram e implementaram medidas para mitigar e suavizar os efeitos do estresse provocado pela Covid-19 para a economia real e no SFN. Essas medidas tempestivamente liberaram capital, ampliaram e direcionaram liquidez, com o intuito de manter a funcionalidade dos mercados financeiros e assegurar a estabilidade financeira.
O teste de estresse realizado com base no impacto da Covid-19 nos agentes da economia mais afetados é um dos mais severos realizados até hoje pelo BC. Mesmo nessas condições, as simulações continuam demonstrando que os bancos brasileiros possuem capacidade para enfrentar situações de estresse. Incertezas ainda persistem quanto à duração e aos efeitos da Covid-19 na economia e no SFN. O BC permanece atento à evolução da pandemia e trabalha para que o sistema financeiro permaneça capitalizado, provisionado, líquido e resiliente para enfrentar situações de estresse.
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