A crescente interação do BC com outros bancos centrais e organismos internacionais, assim como o frequente diálogo com instituições financeiras, são importantes para determinar a evolução da atuação e minimizar os efeitos de riscos socioambientais e climáticos na economia e sistema financeiro do país. Visando uma atuação integrada, o Banco Central promoveu debate com participantes do mercado financeiro do Brasil e do mundo a fim de ressaltar a importância do tema e discutir as respostas ao novo desafio do BC.
Participaram do lançamento: Mark Carney, enviado especial das Nações Unidas para Ação Climática e Finanças; Larry Fink, CEO da Blackrock; Carola Schuler, diretora gerente de bancos para Europa, Oriente Médio e África da Moody's; Marcio Lopes, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban); e Justine Leigh-Bell, vice-CEO da Climate Bonds Initiative (CBI).
“A sustentabilidade está transformando o sistema financeiro”, destacou Larry Fink. Mark Carney acrescentou que os riscos climáticos são substanciais para o planeta, mas também estão no centro do risco financeiro para o sistema. E defendeu a estabilização da temperatura global: “O grande desafio é a transição de um mundo que está usando economia baseada em combustíveis fosseis para um que não emita carbono.”
Para Marcio Lopes, presidente da Organização Brasileira de Cooperativas (OCB), o Brasil ainda está longe na fila do desenvolvimento dos green bonds (títulos verdes), mas reconheceu a importância da iniciativa lançada pelo BC. Assegurou, ainda, que as cooperativas serão as grandes parceiras da autarquia nessa agenda. “Como são empresas formadas por pessoas, as cooperativas percebem esse movimento de mudança social. Essa geração nova está comandando uma revolução nos mercados, na política e em diversos outros setores, por isso, é essencial tratar do tema sustentabilidade, pois ele faz parte da agenda desse novo consumidor”, afirmou.
Já o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Isaac Sidney, destacou que serão necessários mais recursos para financiar uma transição para uma economia verde. “Em dezembro de 2019, nós chegamos a 22% do saldo da carteira de crédito para os setores que contribuem com a cadeia da economia verde.”
Segundo a diretora gerente de bancos para Europa, Oriente Médio e África da Moody's, Carola Schuler, em 2020, a pandemia do novo coronavírus influenciou drasticamente a visão da economia global sobre o tema sustentabilidade. “Nós teremos que fazer uma grande observação, incluindo todo esse risco de mudança climática”, disse. E destacou, ainda, que “bancos centrais do mundo inteiro precisam ter uma conversa muito sincronizada para que todas as ações (verdes) sejam muito reguladas”.
São três os elementos centrais do lançamento: a responsabilidade do Banco Central frente às mudanças estruturais na economia; a emergência de riscos socioambientais e climáticos e suas implicações para a autoridade monetária; e a nova dimensão Sustentabilidade da Agenda BC#.
“A Agenda BC# é dinâmica e, hoje, estamos incorporando a dimensão Sustentabilidade. O tema ambiental é importante e desperta interesse na sociedade. O tema entrou definitivamente na ordem do dia”, avaliou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Segundo Campos Neto, “a crise tem provocado mudanças profundas, que trazem tanto desafios como oportunidades”. Durante o lançamento, ele ressaltou que “o tema ambiental, que já era preocupação da sociedade antes da crise, se tornou ainda mais relevante. As agendas ecológicas devem se tornar importantes para a recuperação. Então, o primeiro grande pilar é que a recuperação deve ser sustentável e inclusiva; o segundo grande pilar é a parte de aceleração de tecnologia e o terceiro pilar são as mudanças nas cadeias globais de valor”.
O BC tem como objetivos assegurar a estabilidade de preços e garantir a solidez e a eficiência do sistema financeiro nacional. “Para atingir esses objetivos, o Banco Central precisa permanecer na fronteira em sua atuação, respondendo a choques e riscos, presentes e futuros, à evolução das demandas da sociedade e às mudanças estruturais da economia. Em suma, a atuação do Banco Central deve se manter dinâmica e abrangente”, explicou Fernanda Nechio, diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC.
Ações da Agenda BC#, o Pix e o Open Banking são exemplos de resposta às transformações tecnológicas nos meios de pagamento e à evolução nas demandas da sociedade em busca de um sistema financeiro ágil, competitivo e seguro. De mãos dadas à atuação do Banco Central no âmbito tecnológico, a nova dimensão Sustentabilidade da Agenda BC# nasce com o objetivo de responder a mais um conjunto de transformações estruturais na economia.
A nova dimensão responde à emergência de novos riscos e de novas demandas da sociedade. “Está claro que eventos climáticos antes considerados raros se tornaram mais frequentes. Tais eventos vêm acompanhados de alterações nas principais variáveis econômicas no horizonte relevante para a política monetária, além de trazerem riscos significativos para o sistema financeiro”, destacou Fernanda.
Choques climáticos – incêndios, secas, enchentes, temperaturas extremas – afetam preços relativos na economia e, portanto, podem ter impactos sobre nossas decisões de política monetária. As alterações no clima põem em risco o sistema financeiro nacional, podendo alterar a demanda por moeda, valores de bens físicos e de colaterais, além de trazerem custos financeiros altos para a sociedade como um todo.
“Para corresponder aos objetivos do Banco Central determinados por lei, de assegurar a estabilidade de preços e garantir a solidez e eficiência do sistema financeiro nacional, é preciso responder adequadamente a essas mudanças estruturais na economia”, ressalta a Diretora Fernanda Nechio. A formulação de políticas do Banco Central deve considerar os riscos socioambientais e o impacto de alterações climáticas em nossa economia e no sistema financeiro.
Principais medidas
Supervisão
Regulação
Políticas
Reservas internacionais
Responsabilidade socioambiental do BC
Importante destacar, também, que o BC vai revisar sua Política de Responsabilidade Socioambiental, com a adoção de processos internos com gestão sustentável de recursos naturais e de materiais deles derivados.
Também propõe reduzir o impacto ambiental verificado nos processos de meio circulante, identificando os elos da cadeia passíveis de otimização econômica, energética e ambiental; e analisando impactos ambientais da produção, distribuição, recolhimento e saneamento; e destinando de maneira integral os resíduos para coprocessamento na produção de cimento.
O Banco Central se propõe, também, a implementar as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), como instituição apoiadora. E numa gestão integrada de riscos do BC, aprimorar a abordagem para avaliação de riscos socioambientais e prestar contas à sociedade com o Relatório Anual de Riscos Socioambientais do Banco Central.

Parcerias
Clique para ver o vídeo da apresentação.