Notícia
27/10/2021

ANBIMA Summit: Brasil enfrentará cenário cada vez mais complexo e desafiador, alerta Nouriel Roubini

Nouriel Roubini alerta para cenário econômico complexo no Brasil com alta inflação, juros elevados e incertezas políticas.

O mundo enfrentará tempos difíceis pela frente, com um alto risco de estagflação: alta da inflação e baixo crescimento. No Brasil, estas condições são ainda mais complexas com a inflação superando os dois dígitos, o BC respondendo com alta de juros e a economia amargando a forte retração de 2020, disse Nouriel Roubini, economista e professor da New York University, em conversa com a jornalista Patrícia Campos Mello, na tarde desta quarta, 27, durante o ANBIMA Summit.

Hoje, em sua segunda participação no evento, o economista disse que autoridades brasileiras enfrentam decisões difíceis em relação à política monetária e fiscal. “Se não subir os juros para enfrentar a inflação, as expectativas ficam desancoradas. Ao aumentar, o crescimento se desacelera e a pobreza aumenta”.

No passado, o Brasil se beneficiou do aumento das commodities como os vistos hoje. Grande exportador de commodities agrícolas e metálicas, o desempenho do passado impulsionou o crescimento econômico e a redução da desigualdade social. No entanto, a situação atual tende a ser diferente porque as perspectivas de aumento de juros nos EUA, também para conter uma inflação que já supera largamente as metas do Federal Reserve, contribuem para a desvalorização do real e mais pressão sobre os preços. Outro agravante é o pleito presidencial de 2022, que adiciona mais um elemento de incertezas ao cenário.

“Os investidores estão preocupados com as incertezas políticas e econômicas. O debate atual é tão polarizado quanto foi nos EUA. Você pode até ser otimista quanto ao Brasil, mas as dúvidas fazem com que as pessoas busquem outros mercados”, disse o Roubini. “Essas incertezas acabam afetando os preços dos ativos, e por isso muitos investidores decidem se desfazer de investimentos no Brasil e dolarizar suas carteiras. E isso é outra fonte de pressão para a moeda e os prêmios de risco”, analisou.

Para quem não tem essa alternativa de reduzir a exposição a ativos nacionais, Roubini recomenda a alocação de recursos em títulos indexados à inflação. “Os títulos ficam muito voláteis em um cenário como este. Espero que haja uma solução mais positiva para oferecer estabilidade”, afirmou.

Roubini também destacou as condições fiscais do Brasil. Embora tenha dito não estar preocupado com a ruptura do teto de gastos, que para ele tem o mesmo risco de acontecer quanto antes, o aumento de juro e o baixo crescimento, associado a um nível elevado de endividamento público, causa um círculo vicioso. “Não é uma crise, mas os próximos anos não serão fáceis para o Brasil”, concluiu o economista.

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