O Museu de Valores do Banco Central passará por uma grande transformação nos próximos dois anos. As obras devem começar em junho, a depender da licitação para contratação da empresa responsável pela execução. A previsão para o fim dos trabalhos é dezembro de 2023, quando, então, terá início a montagem do espaço, cuja estimativa é de seis meses. "Ou seja, diante dessas previsões, teremos a abertura do novo Museu em junho de 2024", explicou Karla Valente, chefe do Museu.
Os recursos que fizeram a ideia sair do papel são do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), gerido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. As obras foram precedidas da elaboração do Plano Museológico, isto é, o planejamento estratégico do Museu. "Quando surgiu o edital de chamamento para a formação de um banco de projetos, com o eixo temático ‘Patrimônio cultural brasileiro’, vimos que era a nossa chance", afirmou Karla.
Spoiler
Karla avisa que o espaço, assim como o conteúdo do Museu, será totalmente reformulado. O projeto de reforma dos mais de 3 mil metros quadrados foi desenvolvido integralmente pela equipe de engenheiros e arquitetos do BC em colaboração estreita com a equipe do Museu. "O projeto é desafiador pelas demandas específicas de um museu, muito diferentes da rotina típica do Banco Central, além da introdução de práticas sustentáveis em reforma, como o uso de materiais energeticamente eficientes e o descarte sustentável dos resíduos da obra", disse.
"A modelagem do projeto de reforma utilizou a metodologia Building Information Modeling – BIM, uma forma revolucionária de projeção, construção e conservação de edifícios, por meio de criação de modelos 3D com elementos ricos em informações e dados compartilhados. Esta metodologia traz mais qualidade para o projeto e diminui o desperdício na obra e o risco de retrabalho, levando a um melhor uso do recurso público", explicou Paulo Coelho, do Departamento de Infraestrutura e Gestão Patrimonial do BC.
Além da implementação de uma nova exposição, a reforma vai permitir uma visita com mais conforto para diferentes perfis de público e desenvolver um ambiente mais seguro e acessível, considerando o aumento esperado do número de visitantes. Rampas e lajes, por exemplo, serão retiradas para que o piso fique no mesmo nível e dê mais acessibilidade ao visitante. Serão construídas áreas para atendimento do público escolar e de famílias, com salas multiuso, banheiros amplos, guarda-volumes e sala de amamentação, além da nova lojinha.
Os jardins do Museu serão uma atração à parte. Vão ganhar um novo paisagismo e serão transformados em espaço de convivência. Nos 600 metros quadrados de área, os visitantes poderão interagir com alguns elementos dos jardins como uma extensão da experiência do Museu, além de contemplar a paisagem ou fazer uma pausa para descanso.
Economia para leigos
Falar de economia e de educação financeira para a população é um desafio. Diante dele, o Museu de Valores viu uma oportunidade para repensar o seu papel: o de ser um museu dedicado à economia e não apenas com foco na história do dinheiro.
"De forma inovadora, o Museu de Valores pretende promover a aproximação entre a economia e o cidadão, mostrando que o assunto tem impacto direto nas nossas escolhas do dia a dia e que nossas decisões individuais influenciam o processo econômico como um todo. Para o Museu, o visitante é um protagonista econômico e somos todos parte da economia", disse Maurício Moura, diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central.
Experiências sensoriais e atrações tecnológicas
A interatividade, o uso de recursos tecnológicos e o humor estarão presentes para comunicar os conceitos básicos de economia de forma lúdica e leve aos visitantes. A ideia é que o visitante possa ter uma relação mais próxima com o Museu, seja tocando alguns objetos ou tendo uma experiência sensorial nas atrações tecnológicas, de funcionamento mecânico e audiovisuais. As atrações estão sendo planejadas por Marcello Dantas, curador contratado e responsável pelo desenvolvimento de vários museus no mundo entre eles o primeiro Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Tanto o acervo numismático como o artístico seguirão em exibição integradas ao novo conceito do museu, mas com expografia (conjunto de técnicas para o desenvolvimento de uma exposição) mais moderna e melhores condições de conservação e segurança.
A inspiração vem de locais referências no mundo quando o assunto são museus dedicados ao universo econômico, tais como o MIDE (Museo Interactivo de Economía), pioneiro no tema, no México, o Museu do Dinheiro, em Portugal, o Museu do Banco do Canadá (Bank of Canada Museum), a Cidade da Economia (Cité de l´Économie – Citéco), na França e o Money Museum, do Bundesbank, da Alemanha.
"O novo espaço não será uma cópia desses museus, pois a realidade brasileira é diferente desses diversos locais", disse Karla Valente, chefe do Museu,
O novo Museu ainda está sendo preparado e a exposição atual já foi desmontada. Entretanto, podemos aliviar as saudades passeando, virtualmente, pelo
tour virtual do Museu. No
Flickr estão as obras do acervo de arte do Banco Central. E no
Google Arts & Culture podem ser vistas exposições sobre Brasília 60+1, onde, usando o acervo do Museu, fala-se sobre o dinheiro dos candangos e a relação do Edifício-Sede com os cavaleiros medievais.