Notícia
17/05/2023

Banco Central premia Melhores Trabalhos para Discussão 2022

Anuncia os vencedores do Prêmio Melhores Trabalhos para Discussão 2022, que reconhece pesquisas técnicas internas do Banco Central.

O BC divulgou os vencedores do Prêmio Melhores Trabalhos para Discussão 2022. A premiação existe desde 2016 e tem como propósito estimular a participação dos servidores e reconhecer a qualidade na produção de trabalhos técnicos nas áreas de atuação do Banco Central.

Visite a página do prêmio com todas as informações aqui.

Na categoria Economia, o primeiro lugar ficou com o trabalho Machine Learning Methods for Inflation Forecasting in Brazil: new contenders versus classical models, de autoria de Gustavo Silva Araujo e Wagner Piazza Gaglianone, ambos assessores plenos no Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) do Banco Central.

No artigo, os servidores exploraram vários métodos de aprendizagem de máquina (ML – Machine Learning, em inglês) para prever a inflação de preços ao consumidor no Brasil, com base em um grande número de variáveis macroeconômicas e financeiras.

"O trabalho foi iniciado em 2018, como um projeto de pesquisa envolvendo métodos de aprendizado de máquina e modelos econométricos de projeção de inflação. Após uma ampla pesquisa no tema sobre os principais métodos em uso na literatura, iniciamos a fase de implementação empírica dos métodos e algoritmos escolhidos para o trabalho usando a linguagem de programação R", explicou Wagner, engenheiro civil pela UFRJ, com especialização em cálculo estrutural, e mestre e doutor em economia pela FGV-EPGE. 

"Tanto a metodologia proposta quanto os resultados empíricos obtidos foram apresentados e discutidos em diversos encontros acadêmicos dentro e fora do BC", completou Gustavo, que é engenheiro de produção pela PUC-Rio, mestre em administração-finanças pelo IAG/PUC-Rio e doutor em economia pela FGV-EPGE.

"Em julho de 2022, o trabalho foi divulgado como o Trabalho para Discussão n.561 do BC e, em abril de 2023, recebemos a grata notícia da eleição desse estudo como o melhor trabalho em economia publicado na Série de Trabalhos para Discussão do BC em 2022, o que nos deixou bastante orgulhosos e satisfeitos com o desfecho do projeto", disse Gustavo Silva Araujo , assessor pleno no Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) do Banco Central. 

E não foi apenas no BC que o estudo foi reconhecido. Ele também recebeu a segunda colocação do Prêmio de Banca Central Rodrigo Gómez de 2022, organizado pelo Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos (CEMLA), além de ter sido publicado recentemente no periódico acadêmico Latin American Journal of Central Banking.

Múltiplas variáveis
No artigo, um extenso exercício de previsão "fora-da-amostra" foi construído para diversos horizontes de projeção, utilizando uma base de dados com 501 séries temporais e 50 métodos de previsão de inflação.

Também foram usadas diversas ferramentas para identificar as variáveis mais relevantes para prever a inflação, o que os ajudou a "abrir a caixa preta" de ML.

Apesar de não terem identificado um modelo que domine os demais de forma universal, os resultados indicam, de acordo com os autores, que os métodos de ML podem, em vários casos, superar modelos econométricos tradicionais em termos do erro quadrático médio. Além disso, os resultados indicam a existência de não linearidades na dinâmica da inflação que são relevantes para a previsão da mesma.

O conjunto de melhores métodos de previsão, continuam os autores, geralmente inclui combinações de previsões, métodos baseados em árvores (como random forest e xgboost), breakeven inflation e expectativas baseadas em surveys. Em conjunto, esses resultados oferecem uma valiosa contribuição para a literatura de projeção de variáveis macroeconômicas, especialmente com foco na inflação brasileira.

Leia o estudo na íntegra aqui.

Finanças e Economia Bancária
Na categoria Finanças e Economia Bancária, o vencedor foi o artigo Does Fintech Lending Lower Financing Costs? Evidence From An Emerging Market. Seus autores são Jose Renato Haas Ornelas (assessor pleno no Depep) e Alexandre Reggi Pecora (da Universidade de Minessota, nos EUA).

"O prêmio é uma forma de reconhecimento por um grupo altamente qualificado, e nos incentiva a seguir em frente com a pesquisa. É uma sinalização também de que o artigo pode almejar publicações de alto fator de impacto", festejou Ornelas. "Além disso, a pesquisa acadêmica no BC pode dar suporte à tomada de decisões, de forma que as mesmas sejam baseadas na melhor evidência científica disponível", completou.

Ele explica que o trabalho mostra como inovações financeiras – entre elas as plataformas de P2P (peer-to-peer lending) – podem afetar a competição no mercado de crédito. Essas plataformas, mesmo sendo ainda muito pequenas, conseguem atender nichos de mercados e estimular a competição local, demonstra o estudo.

"Para os que ainda não conhecem, o peer-to-peer lending é uma modalidade inovadora de economia compartilhada, onde um ou mais investidores se unem para emprestar dinheiro para empresas ou pessoas. A função de plataforma P2P é conectar os investidores que possuem recursos disponíveis com as empresas ou pessoas que precisam de dinheiro emprestado, seja para consumo, investimento, capital de giro etc", detalhou o assessor pleno, que pretende, em termos de pesquisa, estudar o uso do Pix a partir de agora.

O BC, inclusive, já regulou o funcionamento desse mercado no Brasil. Saiba mais aqui.

Ao usarem dados de empréstimos de capital de giro sem garantia para empresas no Brasil, Ornelas e Pecora identificaram que as plataformas de empréstimos P2P se concentram em firmas menores e mais arriscadas, e que já são atendidas por bancos. Essas plataformas penetram relativamente mais em municípios distantes dos principais centros financeiros, onde os mercados bancários são oligopolistas, segundo o estudo.

De acordo com o trabalho, os tomadores de crédito de P2P obtêm taxas de juros mais baixas em comparação aos bancos tradicionais. Além disso, uma vez que tomam empréstimos de P2Ps, essa firmas encontram uma taxa mais baixa nos empréstimos bancários subsequentes, indicando que os bancos tentam recapturar os seus clientes. 

O artigo conclui que as plataformas de P2Ps aumentam significativamente o bem-estar social em mercados oligopolistas, oferecendo taxas de juros mais baixas para tomadores de empréstimos mais arriscados e forçando os bancos a fazer o mesmo. Os ganhos de bem-estar variam de 10% da produção local em municípios com apenas um banco incumbente a 1% naqueles com cinco bancos.

Leia a íntegra do trabalho aqui.



Banca
Os vencedores da atual edição foram escolhidos por uma banca composta por 78 pessoas, entre pesquisadores de universidades e servidores do BC.

Depois dos problemas sanitários advindos da pandemia e consequentes cancelamentos, a premiação volta a ocorrer de forma presencial nesse ano. Tradicionalmente realizada durante o Seminário Anual de Metas de Inflação, ela será feita agora durante a I Conferência Anual do BC, evento que sucedeu o seminário.

Visite a página do prêmio aqui. E saiba mais sobre os Trabalhos em Discussão do BC aqui.