A Suécia é, há anos, reconhecida como uma das nações mais avançadas do mundo no que diz respeito a meios de pagamento digitais.
Em 2025, o novo relatório do Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank) reafirma esse status, ao mesmo tempo em que destaca novos desafios estruturais, principalmente ligados à inclusão financeira, resiliência operacional e preparação para situações de crise.
Neste artigo, exploramos os principais pontos do “Payments Report 2025”, com uma análise comparativa com o Brasil. Embora os dois países estejam em estágios econômicos e sociais distintos, o Brasil vem se destacando como referência global em inovação regulatória e tecnológica no setor financeiro, especialmente com o Pix, o Open Finance e o DREX.
O cenário sueco: digitalização quase total, novos riscos emergentes
A Suécia é frequentemente citada como exemplo de uma sociedade quase sem dinheiro em espécie. Atualmente, menos de 10% das compras em lojas físicas são feitas com cédulas e moedas. O uso de cartões e aplicativos como o Swish é amplamente disseminado, inclusive entre pequenos lojistas.
Apesar dos avanços, o relatório aponta três desafios críticos:
Exclusão digital: Parte da população ainda enfrenta barreiras no acesso a serviços financeiros digitais, seja por falta de documentação, idioma ou limitações tecnológicas.
Baixa resiliência em crises: Um sistema quase totalmente dependente de eletricidade e internet pode ser vulnerável diante de ataques cibernéticos, desastres naturais ou guerras.
Falta de transparência nos custos de aceitação: Muitos comerciantes não conhecem os custos reais envolvidos na aceitação de diferentes meios de pagamento, dificultando decisões informadas.
O Brasil em comparação: agilidade, inclusão e escalabilidade
Embora o Brasil ainda apresente uso relevante de dinheiro em algumas regiões, os avanços nos meios de pagamento nos últimos anos são expressivos e colocam o país na vanguarda da inovação:
Pix: Criado e operado pelo Banco Central, tornou-se o principal meio de pagamento eletrônico no país. Oferece liquidação instantânea, operação 24/7 e adesão massiva. Seu impacto é simultaneamente econômico, social e competitivo.
Open Finance: Ao contrário do modelo europeu (PSD2), mais fragmentado, o Brasil optou por uma estrutura regulatória centralizada, interoperável e de adesão obrigatória. A integração de dados bancários, produtos de crédito, seguros e investimentos é um diferencial do modelo nacional.
DREX: A moeda digital brasileira, ainda em fase de testes, é uma iniciativa do Banco Central voltada para a tokenização de ativos e modernização da liquidação financeira.
Comparativo Suécia X Brasil
Da Suécia para o Brasil
A experiência sueca destaca o valor de uma infraestrutura robusta e de instituições confiáveis. O país, que se preparou para praticamente eliminar o uso de dinheiro físico, agora reconhece a importância de manter alternativas resilientes e acessíveis, especialmente em contextos de crise.
Essa é uma lição relevante para o Brasil, que pode considerar a criação de mecanismos complementares ao Pix e ao DREX, pensando em cenários de emergência e inclusão total.
Do Brasil para a Suécia
O Brasil demonstra como a inovação regulatória pode impulsionar a digitalização com inclusão social. O sucesso do Pix, aliado ao ecossistema do Open Finance, mostra que é possível criar uma estrutura interoperável, competitiva e acessível, capaz de gerar impacto real na vida da população.
Essa abordagem tem chamado a atenção até mesmo de países desenvolvidos, que veem no modelo brasileiro uma referência a ser considerada.
Onde Consultar
O Payments Report 2025 elaborado pelo Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank) pode ser obtido pelo link: https://www.riksbank.se/globalassets/media/rapporter/betalningsrapport/2025/engelsk/payments-report-2025.pdf