Artigo
23/06/2025

Pix, Blockchain e Cooperação Regional: Um Caminho para Reduzir o Crime Financeiro na América Latina

Analisa como Pix, blockchain e cooperação regional podem fortalecer o combate ao crime financeiro na América Latina.

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A América Latina vive um momento crítico no enfrentamento ao crime financeiro. Redes criminosas transnacionais operam com sofisticação, utilizando brechas regulatórias e estruturas complexas para movimentar recursos ilícitos. Frente a esse cenário, o avanço dos pagamentos digitais, como o Pix no Brasil, abre uma oportunidade histórica de reconfigurar o combate ao crime organizado por meio da rastreabilidade, velocidade e tecnologia.

O Pix como ferramenta de mitigação de riscos

Apesar de ser alvo frequente de fraudes pontuais, o Pix possui características que, quando bem aproveitadas, fortalecem o sistema de integridade financeira:

  • Redução do uso de dinheiro em espécie, dificultando transações anônimas e lavagem clássica de dinheiro;

  • Rastreabilidade completa das transações, com dados vinculados a CPF/CNPJ, chaves Pix e registros digitais;

  • Mecanismos de bloqueio e devolução rápida, como o Mecanismo Especial de Devolução (MED);

  • Integração com ferramentas de monitoramento em tempo real, usando inteligência artificial e machine learning;

  • Estímulo à formalização de atividades econômicas antes informais.

Esses elementos tornam o Pix um aliado importante das áreas de compliance, PLD/FT e antifraude, permitindo reações mais rápidas, cruzamento de dados e maior previsibilidade regulatória.

Blockchain como próxima fronteira da integridade

A adoção de tecnologias como blockchain ou registros distribuídos (DLT) pode ser o próximo passo na evolução da infraestrutura de pagamentos da América Latina. Integrar essas tecnologias ao Pix ou a sistemas semelhantes traria benefícios como:

  • Transparência imutável dos fluxos financeiros;

  • Registro em cadeia da origem e destino de cada valor movimentado;

  • Interoperabilidade segura e auditável entre países.

Esses recursos fortaleceriam a capacidade de investigação, controle e responsabilização — especialmente em um cenário onde as transações digitais e online se tornam vetores crescentes de transferências internacionais.

A urgência da cooperação regional

O crime organizado não respeita fronteiras. Portanto, ações isoladas de países são insuficientes para lidar com fraudes sofisticadas, lavagem de dinheiro transnacional e financiamento ilícito. A criação de padrões regionais de compliance, dados interoperáveis e respostas integradas é um caminho necessário.

Proposta: Latin America Open Compliance

Para catalisar essa evolução, propomos a criação de uma iniciativa colaborativa regional, o Latin America Open Compliance — um espaço de diálogo técnico e estratégico entre:

  • Reguladores e bancos centrais;

  • Instituições financeiras, fintechs e operadoras de pagamentos;

  • Casas de apostas, telecomunicações e plataformas digitais;

  • Organismos multilaterais como o BID;

  • Especialistas em compliance, PLD/FT, tecnologia e segurança.

A proposta é estimular a troca estruturada de informações, desenvolver padrões mínimos regionais, integrar bases públicas e privadas e promover ações coordenadas de prevenção ao crime financeiro, usando o melhor da tecnologia aplicada — como Pix, blockchain, IA e APIs abertas.

Conclusão

A América Latina tem uma oportunidade concreta de reverter a lógica de atuação do crime organizado com o uso estratégico da inovação. Pix, blockchain e cooperação institucional formam uma tríade poderosa. Mas, para que ela seja efetiva, é preciso liderança, visão compartilhada e espaços reais de articulação.

A criação de uma iniciativa como o Latin America Open Compliance é um passo decisivo nesse caminho. Trata-se não apenas de combater ilícitos, mas de construir uma infraestrutura ética, moderna e interoperável, capaz de proteger economias, governos e cidadãos.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

Qual é o cenário do crime financeiro na América Latina e como as redes criminosas operam?
A América Latina enfrenta um momento crítico no combate ao crime financeiro.Redes criminosas transnacionais operam com um alto grau de sofisticação, explorando brechas regulatórias e utilizando estruturas financeiras complexas para movimentar recursos de origem ilícita.
De que forma o avanço dos pagamentos digitais, como o Pix, pode auxiliar no combate ao crime organizado na América Latina?
O avanço dos pagamentos digitais, exemplificado pelo Pix no Brasil, representa uma oportunidade histórica para reconfigurar o combate ao crime organizado na América Latina.Isso ocorre por meio da melhoria da rastreabilidade das transações, da velocidade com que podem ser monitoradas e da aplicação de tecnologia para identificar atividades suspeitas.
Quais são as características do Pix que contribuem para fortalecer o sistema de integridade financeira?
O Pix possui várias características que fortalecem o sistema de integridade financeira:Primeiramente, a redução do uso de dinheiro em espécie, o que dificulta transações anônimas e métodos clássicos de lavagem de dinheiro.Em segundo lugar, a rastreabilidade completa das transações, pois os dados são vinculados a CPF/CNPJ, chaves Pix e mantêm registros digitais detalhados.O sistema também conta com mecanismos de bloqueio e devolução rápida de valores, como o Mecanismo Especial de Devolução (MED).Adicionalmente, o Pix permite a integração com ferramentas de monitoramento em tempo real que utilizam inteligência artificial e machine learning.Por fim, ele estimula a formalização de atividades econômicas que antes operavam na informalidade.
O que é o Mecanismo Especial de Devolução (MED) associado ao Pix?
O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é um recurso do Pix que permite o bloqueio e a devolução rápida de valores em situações específicas, como fraudes.
Como o Pix se posiciona como um aliado para as áreas de compliance, PLD/FT e antifraude?
O Pix é considerado um importante aliado para as áreas de compliance, Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo (PLD/FT) e antifraude.Suas características permitem reações mais ágeis a atividades suspeitas, facilitam o cruzamento de dados para análises mais profundas e contribuem para uma maior previsibilidade regulatória.
Quais são os potenciais benefícios da integração de tecnologias como blockchain ou DLT à infraestrutura de pagamentos da América Latina?
A adoção de tecnologias como blockchain ou registros distribuídos (DLT) na infraestrutura de pagamentos da América Latina, como uma evolução para sistemas como o Pix, pode trazer diversos benefícios.Entre eles, destacam-se a transparência imutável dos fluxos financeiros, o registro em cadeia da origem e destino de cada valor movimentado, e a criação de uma interoperabilidade segura e auditável entre diferentes países.Esses recursos podem fortalecer a capacidade de investigação, controle e responsabilização, especialmente considerando que as transações digitais e online são vetores crescentes de transferências internacionais.
Por que a cooperação regional é considerada urgente e essencial no combate ao crime financeiro transnacional?
A cooperação regional é urgente e essencial porque o crime organizado opera de forma transnacional, não respeitando fronteiras.Consequentemente, ações isoladas de cada país são insuficientes para lidar com fraudes sofisticadas, lavagem de dinheiro que cruza fronteiras e financiamento ilícito.A criação de padrões regionais de compliance, dados interoperáveis e respostas integradas é vista como um caminho necessário para um combate eficaz.
O que é a proposta "Latin America Open Compliance"?
A Latin America Open Compliance é uma proposta para a criação de uma iniciativa colaborativa regional.O objetivo é estabelecer um espaço de diálogo técnico e estratégico entre diversos atores para catalisar a evolução no combate ao crime financeiro na América Latina.
Quais entidades e especialistas participariam da iniciativa "Latin America Open Compliance"?
A iniciativa Latin America Open Compliance propõe um diálogo técnico e estratégico envolvendo diversos participantes:
  • Reguladores e bancos centrais;
  • Instituições financeiras, fintechs e operadoras de pagamentos;
  • Casas de apostas, empresas de telecomunicações e plataformas digitais;
  • Organismos multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID);
  • Especialistas em compliance, PLD/FT (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo), tecnologia e segurança.
Quais são os objetivos da iniciativa colaborativa regional "Latin America Open Compliance"?
A iniciativa Latin America Open Compliance tem como objetivos principais:
  • Estimular a troca estruturada de informações entre os participantes;
  • Desenvolver padrões mínimos regionais de compliance;
  • Integrar bases de dados públicas e privadas para otimizar a análise de informações;
  • Promover ações coordenadas de prevenção ao crime financeiro.
Para alcançar esses fins, a proposta sugere o uso de tecnologias avançadas como Pix, blockchain, Inteligência Artificial (IA) e APIs abertas.
Qual tríade de elementos é considerada poderosa para reverter a lógica de atuação do crime organizado na América Latina?
A tríade composta por Pix, blockchain e cooperação institucional é considerada uma combinação poderosa com potencial para reverter a lógica de atuação do crime organizado na América Latina.No entanto, para que essa tríade seja efetiva, são necessários liderança, uma visão compartilhada entre os atores envolvidos e a criação de espaços reais de articulação.
Além de combater ilícitos, qual é o objetivo mais amplo da criação de uma iniciativa como o Latin America Open Compliance?
Além do combate direto a atividades ilícitas, a criação de uma iniciativa como o Latin America Open Compliance visa um objetivo mais amplo: a construção de uma infraestrutura ética, moderna e interoperável.Essa infraestrutura tem o propósito de proteger as economias, os governos e os cidadãos da região.

Autor

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Alison Dorigão Palermo

Diretor de Compliance | AML | KYC | Fintech | Apostas & Crypto | +18 anos em Risco Reg., ESG e GRC | Ex-Nuvei | Consultor | Professor | Autor | Palestrante | Top Voice em Compliance