O que mais me chama atenção quando converso com líderes fiscais não é a complexidade do sistema tributário brasileiro, e sim o quanto, mesmo com times qualificados, muitas empresas ainda operam no improviso.
Não porque estão despreparadas, apenas porque, em alguma das pontas do processo, a operação está funcionando no limite, mesmo que cumpra prazos e faça as entregas necessárias.
Da forma como eu vejo, boa parte das estruturas tributárias ainda foi construída para um outro momento, que é menos digital, menos integrado e, principalmente, menos exigente em termos de previsibilidade.
Só que esse cenário mudou. E continua mudando a cada dia que passa.
Olhando para o futuro, mas com pé no chão sobre o presente
Com a chegada de novos modelos como IBS e CBS, não dá mais para sustentar uma operação baseada em esforço manual, ajustes paralelos e validações de última hora.
O que antes era um desconforto operacional, agora começa a se tornar risco real para as áreas do negócio: financeiro, estratégico e até reputacional.
‘Patinar’ na execução tributária, por isso, tem a ver com 5 travas estruturais.
Travas essas que aparecem em realidades de forma muito mais comum do que deveriam. São elas:
#1 - Dependência de controles paralelos
Quando planilhas viram suporte crítico da operação, o problema não é a ferramenta, mas sim o que ela está tentando compensar.
Retrabalho, baixa rastreabilidade e validações manuais são sinais de que a base não está sólida.
#2 – Os dados fiscais estão espalhados
Muitas empresas até possuem as informações necessárias, mas não conseguem confiar nelas. Inconsistências em cadastros, classificações fiscais desalinhadas e falta de padronização comprometem qualquer tentativa de evoluir operacionalmente, seja em automação, seja em estratégia.
#3 – O uso limitado (e pouco estratégico) da tecnologia
Em muitas operações, as ferramentas digitais ainda são vistas como suporte, e não como alavanca. Falta integração entre sistemas, atualização contínua das regras fiscais e, principalmente, visão de longo prazo são aspectos que mostram que a tecnologia não resolve o problema sozinha.
#4 - Ausência de previsibilidade
Se você não consegue simular impactos tributários com clareza, você também não consegue tomar boas decisões de negócio. Preço, margem, expansão etc.; tudo fica mais arriscado quando o fiscal não consegue antecipar cenários.
#5 - Atualização reativa
Equipes que vivem correndo atrás de mudanças legais não conseguem, ao mesmo tempo, estruturar melhorias e escalar os processos de forma sadia. Ao invés disso, ficam presas em um ciclo operacional que consome energia, mas não gera evolução.
Percebe o padrão?
A falta de conhecimento técnico não é a única preocupação, os negócios devem olhar para a estrutura da operação.
Por isso, quando falamos de 2026, não estamos falando apenas de adaptação à Reforma Tributária. Estamos falando de uma mudança de postura para sair de uma operação que reage para uma gestão que antecipa.
Trocar o esforço operacional por inteligência estruturada e, principalmente, parar de tratar o fiscal como uma área de execução e começar a enxergá-lo como uma frente estratégica para o negócio.
Isso passa, inevitavelmente, por três pilares:
Dados confiáveis
Tecnologia bem aplicada
Planejamento contínuo
Não existe solução mágica aqui, mas existe um caminho que envolve fortalecer a base para ganhar previsibilidade, reduzir risco e destravar eficiência.