Artigo
10/03/2024
Atualizado em 19/04/2026

Potencial Uso da Inteligência Artificial Gerativa (IA Gerativa) na Gestão de Riscos

A IA Gerativa promete transformar a gestão de riscos e conformidade no setor financeiro, automatizando tarefas, acelerando análises e aprimorando controles para maior eficiência e segurança.

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A Inteligência Artificial Gerativa (IA Gerativa) está se consolidando como uma nova e poderosa ferramenta no setor financeiro, especialmente para as instituições financeiras, e por que não também começando a ser usada nas áreas de gestão de riscos e conformidade, prometendo transformar fundamentalmente as operações bancárias, automatizando, acelerando e aprimorando as funções desde a conformidade regulatória até o controle de riscos.

Queria então comentar neste domingo sobre algumas áreas e tarefas que eu pessoalmente vejo como promissoras do uso desta nova tecnologia como:

  • Automatização de Tarefas e Foco na Análises de Risco: A IA Gerativa pode liberar as funções de risco e conformidade de atividades manuais orientadas para tarefas, permitindo que estas se concentrem mais em funções e análises estratégicas para prevenção de riscos, agregando mais valor, o que pode incluir por exemplo a sempre desafiadora tarefa da implementação de controles desde o início de novas jornadas de clientes, uma abordagem frequentemente denominada como "shift left". Essa mudança de foco pode também capacitar os profissionais de risco a aconselhar sobre o desenvolvimento de novos produtos e decisões de negócios estratégicas, fortalecendo a resiliência e melhorando a gestão proativa dos riscos.
  • Centros de Inteligência de Risco Alimentados por IA: Avanços tecnológicos podem resultar na criação de centros de inteligência de risco potencializados por IA e IA Gerativa, servindo todas as linhas de defesa dentro das empresas. Esses centros ofereceriam relatórios automatizados, maior transparência de riscos, eficiência aprimorada na tomada de decisões relacionadas a riscos e automação parcial na redação e atualização de políticas e procedimentos para refletir os requisitos regulatórios em mudança.
  • Novas Aplicações na Gestão de Riscos e Conformidade: Vale a pena explorar novos usos em várias áreas promissoras da IA Gerativa, incluindo: conformidade regulatória, crime financeiro (PLD), risco de crédito, modelagem e análise de dados, risco cibernético e até na nova fronteira do risco climático. Esta tecnologia pode automatizar tarefas manuais demoradas, atualizar ou traduzir códigos antigos, ou mesmo escrever novos códigos, abrangendo uma gama de responsabilidades críticas nessas áreas.
  • Aceleração do Processo de Avaliação de Adequação de Capital Interno: A IA Gerativa tem o potencial de acelerar significativamente o processo de avaliação da adequação de capital interno, permitindo que os bancos obtenham e processem os dados necessários de maneira mais rápida e precisa. Isso pode levar a uma gestão de capital mais eficiente e a uma resposta mais ágil às mudanças nas condições de mercado.
  • Resumo de Posições de Risco e Relatórios Executivos: Além disso, a IA Gerativa pode ser utilizada para resumir posições de risco e elaborar relatórios de risco e briefings executivos para a alta gestão. Essa capacidade de síntese e análise rápida de grandes volumes de dados pode proporcionar aos gestores uma visão mais clara dos riscos enfrentados pela instituição, permitindo uma tomada de decisão mais informada e estratégica.
  • Risco Operacional e Automação de Controles: No que diz respeito ao risco operacional, a IA Gerativa pode ajudar na automação de controles, no monitoramento e na detecção de incidentes. Isso não apenas aumenta a eficiência operacional, mas também reforça a capacidade da instituição de responder rapidamente a potenciais ameaças e vulnerabilidades.

Para que a implementação da IA Gerativa seja eficaz e responsável, é fundamental que as IFs considerem cuidadosamente os desafios e riscos associados, ou seja, incluir a necessidade de novos mecanismos de gestão de riscos e controles, a importância das demandas de dados e tecnologia e os requisitos de talento e modelo operacional.

As instituições devem estar cientes dos riscos potenciais como: a justiça prejudicada, infração de propriedade intelectual, preocupações com a privacidade, uso malicioso, ameaças à segurança, riscos de desempenho e explicabilidade, riscos estratégicos e riscos de terceiros.

Os especialistas sugerem que as instituições financeiras adotem uma abordagem focada e "de cima para baixo" para iniciar sua jornada com IA Gerativa, ou seja, começando com casos de uso de alto risco e conformidade que estejam alinhados com suas prioridades estratégicas. Isso exige a criação de um ecossistema de IA Gerativa que aborde áreas críticas como governança, modelos de talento, alinhamento de processos e desenvolvimento de uma estratégia clara e escalável.

Porém, uma nova camada de gestão de riscos e controles será necessária com a introdução da IA Gerativa, ou seja, as instituições financeiras precisam evoluir suas capacidades de mitigação de riscos para lidar tanto com os riscos inerentes ao desenvolvimento e uso de casos de IA Gerativa quanto com aqueles provenientes da integração da tecnologia em ferramentas de trabalho padrão. Vamos precisar implementar processos de revisões humanas, e até a utilização da própria IA Gerativa para verificar a si mesma.

Estamos só no começo de uma nova fase revolucionária pela nossa frente do melhor uso desta poderosa ferramenta.

Se estivesse na posição de gestão hoje de um time de riscos, como já estive no passado, eu hoje criaria um grupo de trabalho dentro da área de riscos, para pensar em como melhor usar esta ferramenta, desenvolvendo projetos e investindo em inovação. O futuro passa por aí.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

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Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante