Artigo
19/02/2021

Taxa de desconto e periodicidade nos testes de impairment

Explica critérios para definir a taxa de desconto e a frequência dos testes de impairment de ativos.

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Taxa de desconto

Sempre que se trata de ajuste a valor presente, um ponto polêmico é a definição da taxa de desconto utilizada. Falando especificamente do teste de impairment, o objetivo central ao determinar a taxa de desconto é chegar em um valor que reflita o potencial benefício econômico de um ativo ou, entre outras palavras, seu potencial de gerar fluxo de caixa.

Ademais, a taxa de desconto deve representar o retorno que um investidor exigiria se ele tivesse de escolher um investimento que gerasse fluxos de caixa de perfil de risco similar àquele que a entidade espera extrair do ativo. É o que os economistas chamam de custo de oportunidade.

Resumidamente, a taxa de desconto deve ser uma taxa antes dos impostos sobre a renda, que reflita as avaliações atuais de mercado do valor da moeda no tempo e os riscos específicos do ativo. Sendo assim, comumente a taxa de desconto é baseada na soma da taxa livre de risco com a taxa de risco que o mercado atribuiria a esse ativo.

No caso de uma taxa não diretamente disponível no mercado, a empresa deverá estimar a taxa de desconto considerando o valor temporal do dinheiro para os períodos até ao fim da vida útil do ativo e os riscos de os fluxos de caixa futuros diferirem em termos de valores e período das estimativas. Para isso, a entidade pode partir do custo médio ponderado de capital, que nada mais é do que uma ponderação do custo de capital próprio, muitas vezes obtido pela técnica do Capital Asset Pricing Model (CAPM) e do custo de capital de terceiros (kd).

Em termos matemáticos, seria algo como:

WACC = Equity/(Equity+Dívida) x CAPM + Dívida/(Equity+Dívida) x kd x (1 - alíquota de impostos sobre a renda)

O CAPM normalmente é calculado da seguinte forma:

CAPM = rf + β x (rm – rf)

Sendo que: rf = taxa livre de risco; rm = retorno de mercado e β é uma variável que reflete o risco do ativo que está sendo avaliado. Quanto maior a variabilidade de retornos de um ativo, maior será seu risco, logo, o retorno exigido por um investidor também será maior.

Periodicidade do teste de impairment

O teste de impairment deve ser realizado:

  • Sempre que houver uma evidência de perda;
  • Anualmente, quando se testa o goodwill (ágio pago por expectativa de rentabilidade futura em combinações de negócios: nos referimos aqui à parte do ágio que é registrada no ativo);
  • No mínimo anualmente, a qualquer momento do ano desde que consistentemente no mesmo período:
    • Ativos com vida útil indefinida; e
    • Ativos que ainda não estejam disponíveis pra uso, fase esta em que se concentra maior incerteza quanto ao ativo ser capaz de gerar benefícios econômicos futuros suficientes para recuperar o seu valor contábil.

REFERÊNCIAS
GELBCKE,E.R.; SANTOS, A.; IUDÍCIBIS,S.; MARTINS,E., Manual de Contabilidade Societária: Aplicável a Todas as Sociedades de Acordo com as Normas Internacionais e do CPC, 3a ed., Atlas, 2018.
Pronunciamento Técnico CPC 01 (R1) – Redução ao Valor Recuperável de Ativos
Pronunciamento Técnico CPC 00 (R2) – Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a taxa de desconto no contexto do teste de impairment?
A taxa de desconto no contexto do teste de impairment é utilizada para ajustar o valor presente de um ativo, refletindo seu potencial de gerar fluxo de caixa e o retorno exigido por um investidor para um investimento com perfil de risco similar.
O que a taxa de desconto deve representar?
A taxa de desconto deve representar o retorno que um investidor exigiria para um investimento com perfil de risco similar ao do ativo, considerando o custo de oportunidade.
Quais fatores a taxa de desconto deve refletir?
A taxa de desconto deve refletir as avaliações atuais de mercado do valor da moeda no tempo e os riscos específicos do ativo, sendo uma taxa antes dos impostos sobre a renda.
Como é comumente calculada a taxa de desconto?
A taxa de desconto é comumente baseada na soma da taxa livre de risco com a taxa de risco atribuída pelo mercado ao ativo.
O que deve ser feito se a taxa de desconto não estiver diretamente disponível no mercado?
Se a taxa de desconto não estiver diretamente disponível no mercado, a empresa deve estimá-la considerando o valor temporal do dinheiro e os riscos dos fluxos de caixa futuros, podendo partir do custo médio ponderado de capital (WACC).
O que é o custo médio ponderado de capital (WACC)?
O custo médio ponderado de capital (WACC) é uma ponderação do custo de capital próprio, muitas vezes obtido pela técnica do Capital Asset Pricing Model (CAPM), e do custo de capital de terceiros (kd).
Como é calculado o WACC?
O WACC é calculado da seguinte forma: WACC = Equity/(Equity+Dívida) x CAPM + Dívida/(Equity+Dívida) x kd x (1 - alíquota de impostos sobre a renda).
Como é calculado o CAPM?
O CAPM é calculado da seguinte forma: CAPM = rf + β x (rm – rf), onde rf é a taxa livre de risco, rm é o retorno de mercado e β é uma variável que reflete o risco do ativo.
O que representa a variável β no cálculo do CAPM?
A variável β no cálculo do CAPM representa o risco do ativo, indicando que quanto maior a variabilidade de retornos de um ativo, maior será seu risco e, consequentemente, o retorno exigido por um investidor.
Quando deve ser realizado o teste de impairment?
O teste de impairment deve ser realizado sempre que houver evidência de perda, anualmente para testar o goodwill, e no mínimo anualmente para ativos com vida útil indefinida ou que ainda não estejam disponíveis para uso.
Quais são as referências mencionadas para o teste de impairment?
As referências mencionadas são: GELBCKE, E.R.; SANTOS, A.; IUDÍCIBIS, S.; MARTINS, E., Manual de Contabilidade Societária, 3ª ed., Atlas, 2018; Pronunciamento Técnico CPC 01 (R1) – Redução ao Valor Recuperável de Ativos; e Pronunciamento Técnico CPC 00 (R2) – Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro.

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Cristiane Kussaba

Expert em Contabilidade e Finanças

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Eric Barreto

Partner e Prof. do Insper