Comunicado
19/02/2014
#69780

Comunicado Nº 25.306

Esclarece sobre a natureza, riscos e regulamentação das moedas virtuais no Brasil.

O Banco Central do Brasil esclarece, inicialmente, que as chamadas moedas virtuais não se confundem com a “moeda eletrônica” de que tratam a Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, e sua regulamentação infralegal. Moedas eletrônicas, conforme disciplinadas por esses atos normativos, são recursos armazenados em dispositivo ou sistema eletrônico que permitem ao usuário final efetuar transação de pagamento denominada em moeda nacional. Por sua vez, as chamadas moedas virtuais possuem forma própria de denominação, ou seja, são denominadas em unidade de conta distinta das moedas emitidas por governos soberanos, e não se caracterizam dispositivo ou sistema eletrônico para armazenamento em reais.

2. A utilização das chamadas moedas virtuais e a incidência, sobre elas, de normas aplicáveis aos sistemas financeiro e de pagamentos têm sido temas de debate internacional e de manifestações de autoridades monetárias e de outras autoridades públicas, com poucas conclusões até o momento.

3. As chamadas moedas virtuais não são emitidas nem garantidas por uma autoridade monetária. Algumas são emitidas e intermediadas por entidades não financeiras e outras não têm sequer uma entidade responsável por sua emissão. Em ambos os casos, as entidades e pessoas que emitem ou fazem a intermediação desses ativos virtuais não são reguladas nem supervisionadas por autoridades monetárias de qualquer país.

4. Essas chamadas moedas virtuais não têm garantia de conversão para a moeda oficial, tampouco são garantidos por ativo real de qualquer espécie. O valor de conversão de um ativo conhecido como moeda virtual para moedas emitidas por autoridades monetárias depende da credibilidade e da confiança que os agentes de mercado possuam na aceitação da chamada moeda virtual como meio de troca e das expectativas de sua valorização. Não há, portanto, nenhum mecanismo governamental que garanta o valor em moeda oficial dos instrumentos conhecidos como moedas virtuais, ficando todo o risco de sua aceitação nas mãos dos usuários.

5. Em função do baixo volume de transações, de sua baixa aceitação como meio de troca e da falta de percepção clara sobre sua fidedignidade, a variação dos preços das chamadas moedas virtuais pode ser muito grande e rápida, podendo até mesmo levar à perda total de seu valor.

6. Na mesma linha, a eventual aplicação, por autoridades monetárias de quaisquer países, de medidas prudenciais, coercitivas ou punitivas sobre o uso desses ativos, pode afetar significativamente o preço de tais moedas ou mesmo a capacidade de sua negociação.

7. Além disso, esses instrumentos virtuais podem ser utilizados em atividades ilícitas, o que pode dar ensejo a investigações conduzidas pelas autoridades públicas. Dessa forma, o usuário desses ativos virtuais, ainda que realize transações de boa-fé, pode se ver envolvido nas referidas investigações.

8. Por fim, o armazenamento das chamadas moedas virtuais nas denominadas carteiras eletrônicas apresenta o risco de que o detentor desses ativos sofra perdas patrimoniais decorrentes de ataques de criminosos que atuam no espaço da rede mundial de computadores.

9. No Brasil, embora o uso das chamadas moedas virtuais ainda não se tenha mostrado capaz de oferecer riscos ao Sistema Financeiro Nacional, particularmente às transações de pagamentos de varejo (art. 6º, § 4º, da Lei nº 12.685/2013), o Banco Central do Brasil está acompanhando a evolução da utilização de tais instrumentos e as discussões nos foros internacionais sobre a matéria – em especial sobre sua natureza, propriedade e funcionamento –, para fins de adoção de eventuais medidas no âmbito de sua competência legal, se for o caso.


Aldo Luiz Mendes                          Luiz Edson Feltrim
Diretor de Política Monetária             Diretor de Regulação, substituto
 

Perguntas e respostas

O uso de moedas virtuais oferece riscos ao Sistema Financeiro Nacional do Brasil?
Até o momento, o uso de moedas virtuais não mostrou oferecer riscos ao Sistema Financeiro Nacional, especialmente às transações de pagamentos de varejo. No entanto, o Banco Central do Brasil está monitorando a evolução do uso desses instrumentos.
Quais são os riscos associados ao armazenamento de moedas virtuais em carteiras eletrônicas?
O armazenamento de moedas virtuais em carteiras eletrônicas apresenta o risco de perdas patrimoniais devido a ataques de criminosos na internet.
Existe garantia de conversão das moedas virtuais para a moeda oficial?
Não, não há garantia de conversão das moedas virtuais para a moeda oficial, nem são garantidas por ativo real de qualquer espécie. A conversão depende da credibilidade e confiança dos agentes de mercado.
O que são moedas eletrônicas segundo a Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013?
Moedas eletrônicas são recursos armazenados em dispositivo ou sistema eletrônico que permitem ao usuário final efetuar transação de pagamento denominada em moeda nacional.
Qual a principal diferença entre moedas virtuais e moedas eletrônicas?
Moedas virtuais possuem forma própria de denominação, distinta das moedas emitidas por governos soberanos, e não são armazenadas em reais. Já as moedas eletrônicas são denominadas em moeda nacional e armazenadas em dispositivos ou sistemas eletrônicos.
Quais são os riscos associados à variação dos preços das moedas virtuais?
Devido ao baixo volume de transações, baixa aceitação como meio de troca e falta de percepção clara sobre sua fidedignidade, a variação dos preços das moedas virtuais pode ser grande e rápida, podendo até levar à perda total de seu valor.
Como medidas de autoridades monetárias podem afetar as moedas virtuais?
Medidas prudenciais, coercitivas ou punitivas aplicadas por autoridades monetárias podem afetar significativamente o preço das moedas virtuais ou mesmo a capacidade de sua negociação.
As moedas virtuais são emitidas ou garantidas por autoridades monetárias?
Não, as moedas virtuais não são emitidas nem garantidas por autoridades monetárias. Algumas são emitidas por entidades não financeiras e outras não têm uma entidade responsável por sua emissão.
Quais são os riscos de envolvimento em atividades ilícitas ao usar moedas virtuais?
Moedas virtuais podem ser usadas em atividades ilícitas, o que pode levar a investigações por autoridades públicas. Usuários de boa-fé podem acabar envolvidos nessas investigações.
As entidades que emitem ou intermediam moedas virtuais são reguladas por autoridades monetárias?
Não, as entidades e pessoas que emitem ou intermediam moedas virtuais não são reguladas nem supervisionadas por autoridades monetárias de qualquer país.

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