Comunicado
06/09/2017
#45774

Comunicado N° 31.169

Define a meta da taxa Selic em 8,25% ao ano e apresenta a avaliação do Copom sobre a economia e a política monetária.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.593, de 16 de maio de 2012, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 8,25% (oito inteiros e vinte e cinco centésimos por cento) ao ano, a partir de 8 de setembro de 2017.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em um ponto percentual, para 8,25% a.a., sem viés.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom mostra sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira;

O cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica global vem se recuperando sem pressionar as condições financeiras nas economias avançadas. Isso contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes;

O comportamento da inflação permanece bastante favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus subiram para em torno de 3,4% para 2017 e mantiveram-se em torno de 4,2% para 2018, 4,25% para 2019 e 4,00% para 2020; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom recuaram para em torno de 3,3% para 2017 e elevaram-se para aproximadamente 4,4% para 2018. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2017 em 7,25%, cai para 7,0% no início de 2018 e eleva-se para 7,5% ao final do ano.

O Comitê ressalta que seu cenário básico para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, a combinação de (i) possíveis efeitos secundários do contínuo choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da (ii) possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação corrente, inclusive dos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, pode produzir trajetória de inflação prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (iii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.  Esse risco se intensifica no caso de (iv) reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros em um ponto percentual, para 8,25% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2018, é compatível com o processo de flexibilização monetária.

O Comitê entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê enfatiza que o processo de reformas, como as recentes aprovações de medidas na área creditícia, e de ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural.  As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê.

O Copom ressalta que as condições econômicas permitiram a manutenção do ritmo de flexibilização monetária nesta reunião. Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. Além disso, nessas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo. Não obstante as perspectivas acima, o Copom ressalta que o processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.

Conforme estabelece o Comunicado nº 29.659, de 30 de junho de 2016, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 24 de outubro de 2017, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.



                                Reinaldo Le Grazie
                          Diretor de Política Monetária

Perguntas e respostas

O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a taxa básica de juros (Selic) e conduzir a política monetária do país.
Quais foram as principais observações do Copom sobre o cenário econômico em setembro de 2017?
O Copom observou sinais de recuperação gradual da economia brasileira, um cenário externo favorável, comportamento favorável da inflação e expectativas de inflação estáveis para os próximos anos.
Quando o Copom voltará a se reunir após a reunião de setembro de 2017?
O Copom voltará a se reunir ordinariamente em 24 de outubro de 2017 para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Quais eram as expectativas de inflação para os anos de 2017 a 2020, segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação eram de 3,4% para 2017, 4,2% para 2018, 4,25% para 2019 e 4,00% para 2020.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 6 de setembro de 2017?
A meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 6 de setembro de 2017 foi de 8,25% ao ano.
Qual foi a decisão do Copom em relação à taxa básica de juros na reunião de setembro de 2017?
O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros em um ponto percentual, para 8,25% ao ano, sem viés.
Quem eram os membros do Copom que votaram pela decisão de setembro de 2017?
Os membros do Copom que votaram pela decisão foram: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.
O que significa uma política monetária estimulativa?
Uma política monetária estimulativa é aquela que adota taxas de juros abaixo da taxa estrutural, com o objetivo de estimular a economia.
Quais são os fatores de risco para a inflação mencionados pelo Copom?
Os fatores de risco incluem possíveis efeitos secundários de choques favoráveis nos preços de alimentos, inflação de bens industriais em níveis baixos, propagação inercial do nível baixo de inflação corrente, frustração das expectativas sobre reformas e ajustes na economia brasileira, e reversão do cenário externo favorável para economias emergentes.