Comunicado
16/05/2018
#70804

Comunicado N° 32.047

Mantida a taxa Selic em 6,50% ao ano com avaliação do cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.868, de 19 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 6,50% (seis inteiros e cinquenta centésimos por cento) ao ano, a partir de 17 de maio de 2018.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 6,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Os últimos indicadores de atividade econômica mostram arrefecimento, num contexto de recuperação consistente, mas gradual, da economia brasileira;

O cenário externo tornou-se mais desafiador e apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes;

O Comitê julga que o comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis ainda baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2018 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,5%. As expectativas para 2019 e 2020 situam-se em torno de 4,0%; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,6% para 2018 e de 3,9% para 2019. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2018 em 6,25% a.a. e 2019 em 8,0% a.a. e de taxa de câmbio que termina 2018 e 2019 em R$/US$ 3,40. No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,60(1), as projeções situam-se em torno de 4,0% para 2018 e 2019.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, a (i) possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.  Esse risco se intensifica no caso de (iii) continuidade da reversão do cenário externo para economias emergentes. Esse último risco se intensificou desde o último Copom.

O Copom entende que deve pautar sua atuação com foco na evolução das projeções e expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da atividade econômica. Choques externos devem ser combatidos apenas no impacto secundário que poderão ter na inflação prospectiva (i.e. na propagação a preços da economia não diretamente afetados pelo choque). Esses choques, entretanto, podem alterar o balanço de riscos ao reduzir as chances de a inflação ficar abaixo da meta no horizonte relevante, por meio de seus possíveis efeitos secundários.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete a mudança recente no balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e, em maior grau, de 2019.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê enfatiza que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural.  As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou desnecessária uma flexibilização monetária adicional para mitigar o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas. Para as próximas reuniões, o Comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 30.921, de 30 de junho de 2017, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 19 de junho de 2018, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.


                                Reinaldo Le Grazie
                         Diretor de Política Monetária


(1) Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.

Perguntas e respostas

Quais são os fatores de risco para a inflação mencionados pelo Copom?
Os fatores de risco para a inflação incluem a possível propagação do nível baixo de inflação, frustração das expectativas sobre reformas e ajustes na economia brasileira, e a continuidade da reversão do cenário externo para economias emergentes.
O que o Copom considera ao tomar decisões sobre a política monetária?
O Copom considera a evolução das projeções e expectativas de inflação, o balanço de riscos e a atividade econômica ao tomar decisões sobre a política monetária.
O que o Copom entende por política monetária estimulativa?
Política monetária estimulativa é aquela que mantém as taxas de juros abaixo da taxa estrutural para incentivar a atividade econômica.
Quando o Copom voltará a se reunir após a reunião de 16 de maio de 2018?
O Copom voltará a se reunir em 19 de junho de 2018 para apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 16 de maio de 2018?
A meta para a Taxa Selic definida pelo Copom foi de 6,50% ao ano, a partir de 17 de maio de 2018.
Quais são as expectativas de inflação para 2018, 2019 e 2020 segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação para 2018 são de 3,5%, para 2019 são de 4,0% e para 2020 também são de 4,0%.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Quais foram as principais observações do Copom sobre o cenário econômico em maio de 2018?
O Copom observou um arrefecimento nos indicadores de atividade econômica, um cenário externo mais desafiador e volátil, comportamento favorável da inflação e expectativas de inflação para 2018 em torno de 3,5%.
Quais são as projeções do Copom para a inflação em 2018 e 2019?
As projeções do Copom para a inflação são de 3,6% para 2018 e de 3,9% para 2019, considerando as trajetórias de juros e câmbio da pesquisa Focus.
O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é o órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a meta da Taxa Selic e conduzir a política monetária do país.