Comunicado
18/09/2019
#66950

Comunicado N° 34.244

Define a meta da taxa Selic em 5,50% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.868, de 19 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 5,50% (cinco inteiros e cinquenta centésimos por cento) ao ano, a partir de 19 de setembro de 2019.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“Em sua 225ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 5,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Indicadores de atividade econômica divulgados desde a reunião anterior do Copom sugerem retomada do processo de recuperação da economia brasileira. O cenário do Copom supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual;

No cenário externo, a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes. Entretanto, o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,5%, 3,8%, 3,75% e 3,5%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,00% a.a. e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,90 e permanece nesse patamar até o final de 2020. No cenário com juros constantes a 6,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 4,05*, as projeções situam-se em torno de 3,4% para 2019 e 3,6% para 2020. O cenário híbrido com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus implica inflação em torno de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 5,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual. O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo. O Copom reitera que a comunicação dessa avaliação não restringe sua próxima decisão e enfatiza que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Mauricio Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 32.182, de 15 de junho de 2018, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 29 de outubro de 2019, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

 

                      Bruno Serra Fernandes
                                Diretor de Política Monetária

 

 

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.

Perguntas e respostas

O que é o Copom?
O Comitê de Política Monetária (Copom) é um órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a meta da taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira.
Quais são as expectativas de inflação para os próximos anos segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus são de 3,5% para 2019, 3,8% para 2020, 3,75% para 2021 e 3,5% para 2022.
Qual foi a decisão do Copom em sua 225ª reunião?
O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 5,50% ao ano, a partir de 19 de setembro de 2019.
Quando será a próxima reunião do Copom após a decisão de setembro de 2019?
De acordo com o Comunicado nº 32.182, de 15 de junho de 2018, o Copom voltará a se reunir ordinariamente em 29 de outubro de 2019 para apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
Quem são os membros do Copom que votaram pela redução da taxa Selic para 5,50% a.a.?
Os membros que votaram pela redução da taxa Selic foram: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Mauricio Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Qual é a importância do processo de reformas e ajustes na economia brasileira segundo o Copom?
O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. A continuidade desse processo afeta as expectativas e projeções macroeconômicas e é fundamental para a consolidação de um cenário benigno para a inflação prospectiva.
Quais são os cenários considerados pelo Copom para as projeções de inflação?
O Copom considera três cenários: um com trajetórias de juros e câmbio da pesquisa Focus, outro com juros constantes a 6,00% a.a. e câmbio constante a R$/US$ 4,05, e um cenário híbrido com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus.
Quais são os fatores de risco para a inflação mencionados pelo Copom?
Os fatores de risco incluem: (i) o nível de ociosidade elevado, que pode produzir uma trajetória de inflação abaixo do esperado; (ii) uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira, que pode elevar a trajetória da inflação; e (iii) a deterioração do cenário externo para economias emergentes.