Comunicado
05/02/2020
#82586

Comunicado N° 35.131

Define a meta da taxa Selic em 4,25% ao ano a partir de 6 de fevereiro de 2020, com análise do cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.868, de 19 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 4,25% (quatro inteiros e vinte e cinco centésimos por cento) ao ano, a partir de 6 de fevereiro de 2020.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“Em sua 228ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 4,25% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Dados de atividade econômica divulgados desde o último Copom indicam a continuidade do processo de recuperação gradual da economia brasileira;

No cenário externo, apesar do recente aumento de incerteza, o caráter acomodatício da política monetária nas principais economias ainda tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária;

As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,4%, 3,75% e 3,5%, respectivamente;

No cenário híbrido com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$4,25/US$*, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,5% para 2020 e 3,7% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 4,25% a.a. e se eleva até 6,00% a.a. em 2021; e

No cenário com taxa de juros constante a 4,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,25/US$*, as projeções situam-se em torno de 3,5% para 2020 e 3,8% para 2021.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, pode elevar a trajetória da inflação acima do esperado no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) aumento da potência da política monetária decorrente das transformações na intermediação financeira e no mercado de crédito e capitais, (iv) deterioração do cenário externo para economias emergentes ou (v) eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 4,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e o balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, com peso crescente, o de 2021.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação, com peso crescente para o ano-calendário de 2021.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 33.761, de 24 de junho de 2019, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 17 de março de 2020, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.



                                    Bruno Serra Fernandes
                                Diretor de Política Monetária

 

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.

Perguntas e respostas

O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é o órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a meta da Taxa Selic e conduzir a política monetária do país.
Quais são os cenários considerados pelo Copom para as projeções de inflação?
O Copom considera dois cenários para as projeções de inflação: um com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$4,25/US$, e outro com taxa de juros constante a 4,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,25/US$.
Quem são os membros do Copom que votaram pela decisão de fevereiro de 2020?
Os membros do Copom que votaram pela decisão de fevereiro de 2020 foram: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Quando o Copom voltará a se reunir após a decisão de fevereiro de 2020?
O Copom voltará a se reunir ordinariamente em 17 de março de 2020 para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
Qual é a importância do processo de reformas e ajustes na economia brasileira segundo o Copom?
O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia brasileira.
Quais são os riscos mencionados pelo Copom para a inflação?
Os riscos mencionados pelo Copom para a inflação incluem: (i) o nível de ociosidade elevado, (ii) o atual grau de estímulo monetário, (iii) aumento da potência da política monetária, (iv) deterioração do cenário externo para economias emergentes, e (v) eventual frustração em relação à continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira.
Quais são as expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 segundo a pesquisa Focus são de 3,4%, 3,75% e 3,5%, respectivamente.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em fevereiro de 2020?
A meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em fevereiro de 2020 foi de 4,25% ao ano.
Qual foi a decisão do Copom em relação à taxa básica de juros em fevereiro de 2020?
O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros para 4,25% ao ano.