Comunicado
18/03/2020
#70471

Comunicado N° 35.364

Comunica a redução da taxa Selic para 3,75% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos associados.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.868, de 19 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) ao ano, a partir de 19 de março de 2020.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“Em sua 229ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 3,75% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

No cenário externo, a pandemia causada pelo novo coronavírus está provocando uma desaceleração significativa do crescimento global, queda nos preços das commodities e aumento da volatilidade nos preços de ativos financeiros. Nesse contexto, apesar da provisão adicional de estímulo monetário pelas principais economias, o ambiente para as economias emergentes tornou-se desafiador;

Dados de atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom vinham em linha com o processo de recuperação gradual da economia brasileira. Entretanto, esses dados ainda não refletem os impactos da pandemia de COVID-19 na economia brasileira;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram em níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária;

As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,1%, 3,65% e 3,5%, respectivamente;

No cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$4,75/US$*, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,0% para 2020 e 3,6% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 3,75% a.a. e se eleva até 5,25% a.a. em 2021; e

No cenário com taxa de juros constante a 4,25% a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,75/US$*, as projeções situam-se em torno de 3,0% para 2020 e 3,6% para 2021.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado. Esse risco se intensifica caso um agravamento da pandemia provoque aumento da incerteza e redução da demanda com maior magnitude ou duração do que o estimado.

Por outro lado, o aumento da potência da política monetária, a deterioração do cenário externo ou frustrações em relação à continuidade das reformas podem elevar os prêmios de risco e gerar uma trajetória da inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 3,75% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário 2020 e, principalmente, de 2021.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom enfatiza que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas têm o potencial de elevar a taxa de juros estrutural da economia. Nessa situação, relaxamentos monetários adicionais podem tornar-se contraproducentes se resultarem em aperto nas condições financeiras.

O Copom entende que a atual conjuntura prescreve cautela na condução da política monetária, e neste momento vê como adequada a manutenção da taxa Selic em seu novo patamar. No entanto, o Comitê reconhece que se elevou a variância do seu balanço de riscos e novas informações sobre a conjuntura econômica serão essenciais para definir seus próximos passos.

O Banco Central do Brasil ressalta que continuará fazendo uso de todo o seu arsenal de medidas de políticas monetária, cambial e de estabilidade financeira no enfrentamento da crise atual.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 33.761, de 24 de junho de 2019, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 5 de maio de 2020, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

                  Bruno Serra Fernandes
                           Diretor de Política Monetária

 

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.

Perguntas e respostas

O que é a pesquisa Focus?
A pesquisa Focus é uma pesquisa realizada pelo Banco Central do Brasil que coleta as expectativas de mercado sobre diversos indicadores econômicos, incluindo a inflação.
Quem são os membros do Copom que votaram pela decisão de reduzir a Taxa Selic para 3,75% ao ano?
Os membros do Copom que votaram pela decisão foram: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Qual foi a decisão do Copom sobre a manutenção da Taxa Selic após a redução para 3,75% ao ano?
O Copom considerou adequada a manutenção da Taxa Selic em 3,75% ao ano, mas reconheceu que novas informações sobre a conjuntura econômica serão essenciais para definir os próximos passos.
Quais foram os principais fatores externos considerados pelo Copom na decisão de março de 2020?
O Copom considerou a desaceleração significativa do crescimento global, a queda nos preços das commodities e o aumento da volatilidade nos preços de ativos financeiros, todos provocados pela pandemia de COVID-19.
Por que o Copom considera importante perseverar no processo de reformas e ajustes na economia brasileira?
O Copom considera que perseverar no processo de reformas e ajustes é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia e evitar que questionamentos sobre a continuidade das reformas elevem a taxa de juros estrutural da economia.
Quais são os riscos para a inflação mencionados pelo Copom?
Os riscos para a inflação incluem a ociosidade da economia, que pode levar a uma inflação abaixo do esperado, e fatores como a potência da política monetária, deterioração do cenário externo ou frustrações com reformas, que podem elevar os prêmios de risco e gerar uma inflação acima do projetado.
Como a pandemia de COVID-19 afetou a economia brasileira segundo o Copom?
Embora os dados de atividade econômica divulgados até a última reunião do Copom estivessem em linha com a recuperação gradual da economia brasileira, esses dados ainda não refletiam os impactos da pandemia de COVID-19.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Quais são as projeções de inflação do Copom para 2020 e 2021 no cenário com taxa de juros constante?
No cenário com taxa de juros constante a 4,25% ao ano e taxa de câmbio constante a R$4,75/US$, as projeções situam-se em torno de 3,0% para 2020 e 3,6% para 2021.
O que o Copom entende por 'política monetária estimulativa'?
Política monetária estimulativa refere-se à adoção de taxas de juros abaixo da taxa estrutural, com o objetivo de estimular a economia.
Quais são as expectativas de inflação para os anos de 2020, 2021 e 2022?
As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus são de 3,1% para 2020, 3,65% para 2021 e 3,5% para 2022.
Qual foi a decisão do Copom sobre a Taxa Selic em 18 de março de 2020?
O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a Taxa Selic para 3,75% ao ano, a partir de 19 de março de 2020.
Quando será a próxima reunião do Copom após a decisão de março de 2020?
Conforme o Comunicado nº 33.761, de 24 de junho de 2019, o Copom voltará a se reunir em 5 de maio de 2020 para apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
Quais são as projeções de inflação do Copom para 2020 e 2021 no cenário híbrido?
No cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$4,75/US$, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,0% para 2020 e 3,6% para 2021.
O que é o Copom?
O Comitê de Política Monetária (Copom) é um órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a meta da Taxa Selic e implementar a política monetária do país.

Temas

Itens vinculados

Nenhum item vinculado a este artefato.