Comunicado
16/09/2020
#47040

Comunicado N° 36.180

Mantida a taxa Selic em 2% ao ano com avaliação do cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.868, de 19 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 2% (dois por cento) ao ano, a partir de 17 de setembro de 2020.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“Em sua 233ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 2,00% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

.No cenário externo, a retomada da atividade nas principais economias, ainda que desigual entre setores, em conjunção com a moderação na volatilidade dos ativos financeiros, tem resultado em um ambiente relativamente mais favorável para economias emergentes. Contudo, há bastante incerteza sobre a evolução desse cenário, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e à própria evolução da pandemia da Covid-19;

.Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes sugerem uma recuperação parcial, similar à que ocorre em outras economias.  Os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos, apesar da recomposição da renda gerada pelos programas de governo. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais;

.O Comitê avalia que a inflação deve se elevar no curto prazo. Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade;

.As diversas medidas de inflação subjacente permanecem abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária;

.As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 1,9%, 3,0% e 3,5%, respectivamente;

.No cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$5,30/US$*, as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 2,1% para 2020, 2,9% para 2021 e 3,3% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 2,00% a.a. e se eleva até 2,50% a.a. em 2021 e 4,50% a.a. em 2022; e

.No cenário com taxa de juros constante a 2,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$5,30/US$*, as projeções de inflação situam-se em torno de 2,1% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,8% para 2022.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado, notadamente quando essa ociosidade está concentrada no setor de serviços. Esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional.

Por outro lado, políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. Adicionalmente, os diversos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda, implementados no combate à pandemia, podem fazer com que a redução da demanda agregada seja menor do que a estimada, adicionando uma assimetria ao balanço de riscos. Esse conjunto de fatores implica, potencialmente, uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 2,00% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022.

O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno. Consequentemente, eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva.

De forma a prover o estímulo monetário considerado adequado para o cumprimento da meta para a inflação, mas mantendo a cautela necessária por razões prudenciais, o Copom considera apropriado utilizar uma "prescrição futura" (isto é, um "forward guidance") como um instrumento de política monetária adicional. Nesse sentido, e apesar de uma assimetria em seu balanço de riscos, o Copom não pretende reduzir o grau de estímulo monetário, a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária, que atualmente inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022. Essa intenção é condicional à manutenção do atual regime fiscal e à ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 33.761, de 24 de junho de 2019, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 27 de outubro de 2020, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

                   Bruno Serra Fernandes
                           Diretor de Política Monetária

 

* Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Perguntas e respostas

Quais são as expectativas de inflação para os próximos anos, segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação são de 1,9% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,5% para 2022.
Quais são as projeções de inflação do Copom no cenário com taxa de juros constante?
No cenário com taxa de juros constante a 2,00% a.a. e câmbio constante a R$5,30/US$, as projeções de inflação são de 2,1% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,8% para 2022.
Como o Copom avalia o cenário externo?
O Copom observa uma retomada desigual da atividade nas principais economias e uma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, resultando em um ambiente mais favorável para economias emergentes, mas com incertezas devido à pandemia da Covid-19 e à possível redução dos estímulos governamentais.
Quais são os riscos para a inflação identificados pelo Copom?
Os riscos incluem a ociosidade que pode reduzir a inflação, políticas fiscais que pioram a trajetória fiscal do país, frustrações com reformas, e programas de estímulo que podem reduzir a demanda agregada menos do que o estimado.
Quando será a próxima reunião do Copom após 16 de setembro de 2020?
De acordo com o Comunicado nº 33.761, de 24 de junho de 2019, a próxima reunião do Copom será em 27 de outubro de 2020.
Quais são as projeções de inflação do Copom no cenário híbrido?
No cenário híbrido, com taxa de juros da pesquisa Focus e câmbio constante a R$5,30/US$, as projeções de inflação são de 2,1% para 2020, 2,9% para 2021 e 3,3% para 2022.
O que é 'forward guidance' e como o Copom pretende utilizá-lo?
'Forward guidance' é uma prescrição futura utilizada como instrumento de política monetária. O Copom pretende utilizá-lo para manter o estímulo monetário adequado, condicionando a não redução do grau de estímulo à proximidade das expectativas e projeções de inflação com a meta, e à manutenção do atual regime fiscal.
Qual é a perspectiva do Copom sobre a atividade econômica brasileira?
O Copom vê uma recuperação parcial da atividade econômica, com setores afetados pelo distanciamento social ainda deprimidos, e incerteza sobre o ritmo de crescimento econômico, especialmente após o fim dos auxílios emergenciais.
Quais são os principais fatores que influenciam a decisão do Copom sobre a Taxa Selic?
Os principais fatores incluem o cenário externo, a atividade econômica brasileira, a inflação, as expectativas de inflação e o balanço de riscos.
O que o Copom espera para a inflação no curto prazo?
O Copom espera uma elevação da inflação no curto prazo, influenciada pela alta temporária nos preços dos alimentos e pela normalização parcial dos preços de alguns serviços.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Qual foi a decisão do Copom sobre a Taxa Selic em 16 de setembro de 2020?
O Copom decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Selic em 2,00% ao ano.
O que o Copom considera essencial para a recuperação sustentável da economia brasileira?
O Copom considera essencial perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira.