Comunicado
07/12/2022
#72413

Comunicado N° 39.517

Comunica a decisão do Copom de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano e apresenta a análise do cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 13,75% (treze inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) ao ano, a partir de 8 de dezembro de 2022.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“Em sua 251ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 13,75% a.a.

A atualização do cenário do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

- O ambiente externo mantém-se adverso e volátil, marcado pela perspectiva de crescimento global abaixo do potencial no próximo ano, alta volatilidade nos ativos financeiros e um ambiente inflacionário ainda pressionado. A política monetária nos países avançados em direção a taxas restritivas e a maior sensibilidade dos mercados a fundamentos fiscais requerem maior cuidado por parte de países emergentes;

- Em relação à atividade econômica brasileira, a divulgação do PIB apontou ritmo de crescimento mais moderado no terceiro trimestre. O conjunto dos indicadores mais recentes corrobora o cenário de desaceleração esperado pelo Copom;

- Apesar da queda recente, especialmente em itens voláteis e afetados por medidas tributárias, a inflação ao consumidor continua elevada;

- As diversas medidas de inflação subjacente seguem acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;

- As expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 5,9%, 5,1% e 3,5%, respectivamente; e

- No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de USD/BRL 5,25*, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária "verde" em dezembro de 2022 e "amarela" em dezembro de 2023 e de 2024. Nesse cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 6,0% para 2022, 5,0% para 2023 e 3,0% para 2024. As projeções para a inflação de preços administrados são de -3,6% para 2022, 9,1% para 2023 e 4,2% para 2024. O Comitê optou novamente por dar ênfase ao horizonte de seis trimestres à frente, que reflete o horizonte relevante, suaviza os efeitos diretos decorrentes das mudanças tributárias, mas incorpora os seus impactos secundários. Nesse horizonte, referente ao segundo trimestre de 2024, a projeção de inflação acumulada em doze meses situa-se em 3,3%. O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual.

O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; (ii) a elevada incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais adicionais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporados nas expectativas de inflação e nos preços de ativos; e (iii) um hiato do produto mais estreito que o utilizado atualmente pelo Comitê em seu cenário de referência, em particular no mercado de trabalho. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma queda adicional dos preços das commodities internacionais em moeda local; (ii) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e (iii) a manutenção dos cortes de impostos projetados para serem revertidos em 2023. A conjuntura, particularmente incerta no âmbito fiscal, requer serenidade na avaliação dos riscos.  O Comitê acompanhará com especial atenção os desenvolvimentos futuros da política fiscal e, em particular, seus efeitos nos preços de ativos e expectativas de inflação, com potenciais impactos sobre a dinâmica da inflação prospectiva.

Considerando os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui os anos de 2023 e de 2024. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O Comitê se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação. O Comitê reforça que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Maurício Costa de Moura, Paulo Sérgio Neves de Souza e Renato Dias de Brito Gomes.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 38.783, de 20 de junho de 2022, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2023, para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 1º de fevereiro de 2023 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

                  Bruno Serra Fernandes
                           Diretor de Política Monetária

 

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Perguntas e respostas

Quais são os riscos de baixa para o cenário inflacionário mencionados pelo Copom?
Os riscos de baixa incluem uma queda adicional dos preços das commodities internacionais em moeda local, desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada, e manutenção dos cortes de impostos projetados para serem revertidos em 2023.
O que significa a bandeira tarifária 'verde' e 'amarela' mencionada pelo Copom?
A bandeira tarifária 'verde' indica condições favoráveis de geração de energia, sem custo adicional para os consumidores. A bandeira 'amarela' indica condições menos favoráveis, com um custo adicional na conta de luz.
O que é a pesquisa Focus mencionada pelo Copom?
A pesquisa Focus é uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central do Brasil com instituições financeiras, que coleta projeções sobre diversos indicadores econômicos, como inflação, taxa de câmbio e taxa de juros.
Qual é a projeção de inflação acumulada em doze meses para o segundo trimestre de 2024, segundo o Copom?
A projeção de inflação acumulada em doze meses para o segundo trimestre de 2024 é de 3,3%.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 7 de dezembro de 2022?
A meta para a Taxa Selic foi definida em 13,75% ao ano, a partir de 8 de dezembro de 2022.
Quando o Copom voltará a se reunir após a reunião de 7 de dezembro de 2022?
O Copom voltará a se reunir em 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2023 para apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
Quem são os membros do Copom que votaram pela manutenção da Taxa Selic em 13,75% a.a. na 251ª reunião?
Os membros que votaram foram: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Maurício Costa de Moura, Paulo Sérgio Neves de Souza e Renato Dias de Brito Gomes.
Qual é a importância da Taxa Selic para a economia brasileira?
A Taxa Selic é fundamental para a economia brasileira, pois influencia todas as outras taxas de juros do país, impactando o crédito, o consumo, os investimentos e a inflação.
O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a meta da Taxa Selic e conduzir a política monetária do país.
Quais foram as principais observações do Copom sobre o cenário econômico em sua 251ª reunião?
O Copom destacou um ambiente externo adverso e volátil, crescimento global abaixo do potencial, alta volatilidade nos ativos financeiros, inflação ao consumidor elevada, desaceleração da atividade econômica brasileira e expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 em 5,9%, 5,1% e 3,5%, respectivamente.
Quais são os riscos de alta para o cenário inflacionário mencionados pelo Copom?
Os riscos de alta incluem maior persistência das pressões inflacionárias globais, incerteza sobre o arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais adicionais, e um hiato do produto mais estreito do que o utilizado atualmente pelo Comitê.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Quais são as expectativas de inflação do Copom para os anos de 2022, 2023 e 2024?
As expectativas de inflação do Copom são de 6,0% para 2022, 5,0% para 2023 e 3,0% para 2024.
Qual é a importância da política monetária para a economia?
A política monetária é crucial para controlar a inflação, estabilizar a moeda, influenciar o nível de atividade econômica e promover o pleno emprego.