Comunicado
05/11/2025
#86147

Comunicado N° 44.160

Define a meta da Taxa Selic em 15,00% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos inflacionários.

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Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 15,00% (quinze inteiros por cento) ao ano, a partir de 06 de novembro de 2025.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,5% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

Tabela 1

Projeções de inflação no cenário de referência

Índice de preços

2025

2026

2º          tri 2027

IPCA

4,6

3,6

3,3

IPCA livres

4,5

3,6

3,2

IPCA administrados

5,0

3,4

3,5

No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,40/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2025 e de 2026. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 41.779, de 24 de junho de 2024, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 9 e 10 de dezembro de 2025, para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 10 de dezembro de 2025 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

                NILTON JOSÉ SCHNEIDER DAVID
                            Diretor de Política Monetária

 

 

 

 

Perguntas e respostas

Qual hipótese o Copom utiliza para a evolução do preço do petróleo em seu cenário de referência?
O cenário de referência assume que o preço do petróleo seguirá a curva futura pelos seis meses subsequentes e, depois, passará a crescer 2% ao ano.
O que significa "desancoragem das expectativas de inflação" conforme citado pelo Copom?
Desancoragem das expectativas de inflação ocorre quando os agentes econômicos deixam de acreditar que a inflação futura convergirá à meta oficial, projetando taxas persistentemente superiores, o que pode dificultar o controle inflacionário.
O que significa "bandeira tarifária amarela" mencionada no cenário de referência?
A bandeira tarifária amarela indica um patamar intermediário de custos de geração de energia elétrica no sistema brasileiro; seu uso implica acréscimo moderado nas contas de luz. O Copom assumiu essa bandeira para dezembro de 2025 e 2026 ao projetar a inflação.
Que fatores o Copom cita como riscos de baixa para a inflação?
Entre os riscos de baixa, o Copom lista: (i) desaceleração da atividade doméstica mais forte que a projetada; (ii) desaceleração econômica global pronunciada por choques de comércio e incerteza elevada; e (iii) queda nos preços das commodities com efeito desinflacionário.
Como o Copom descreve o contexto internacional que influencia sua decisão de política monetária em 2025?
O Comitê aponta um ambiente externo incerto, marcado pela política econômica dos Estados Unidos e por tensões geopolíticas, fatores que impactam as condições financeiras globais e exigem cautela de economias emergentes.
O que é a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 6 de novembro de 2025?
A meta para a Taxa Selic foi fixada em 15,00% ao ano, com vigência a partir de 6 de novembro de 2025, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) amparada no Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021.
Quais são as projeções de inflação do Copom para o IPCA no cenário de referência divulgado em 5/11/2025?
Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Copom projeta inflação de 4,6% em 2025, 3,6% em 2026 e 3,3% para o segundo trimestre de 2027.
Quais são os principais riscos de alta para a inflação destacados pelo Copom em novembro de 2025?
Os riscos de alta mencionados incluem: (i) desancoragem prolongada das expectativas de inflação; (ii) maior resiliência da inflação de serviços devido a um hiato do produto mais positivo; e (iii) políticas econômicas interna e externa que provoquem inflação superior ao esperado, como uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
O que é o "horizonte relevante de política monetária" e qual o período considerado pelo Copom nesta reunião?
O horizonte relevante de política monetária corresponde ao intervalo de tempo que o Copom observa para assegurar a convergência da inflação à meta. Na decisão de 5/11/2025, o horizonte foi definido até o segundo trimestre de 2027.
Como a pesquisa Focus foi usada na elaboração do cenário de referência?
No cenário de referência, o Copom utiliza a trajetória esperada da taxa de juros extraída da pesquisa Focus e incorpora a taxa de câmbio inicial de R$ 5,40/US$, que evolui conforme a paridade do poder de compra.
Qual é a principal justificativa do Copom para manter a Taxa Selic em patamar elevado em 2025?
Segundo o Copom, a conjuntura externa incerta, a persistência de inflação acima da meta, a resiliência do mercado de trabalho e a desancoragem das expectativas de inflação exigem uma postura significativamente contracionista da política monetária por período prolongado para garantir a convergência da inflação à meta.
Por que o Copom enfatiza a necessidade de vigilância contínua após decidir manter a Selic?
Devido ao cenário de expectativas de inflação desancoradas, projeções ainda acima da meta e elevada incerteza interna e externa, o Copom afirma que poderá ajustar a política monetária ou retomar o ciclo de altas de juros se julgar necessário para garantir a convergência da inflação.
Quando será a próxima reunião ordinária do Copom após novembro de 2025?
Conforme o Comunicado nº 41.779, de 24 de junho de 2024, a próxima reunião ordinária do Copom está marcada para 9 e 10 de dezembro de 2025, com deliberação sobre política monetária na tarde do dia 10.
Qual a diferença entre IPCA, IPCA livres e IPCA administrados nas projeções do Copom?
IPCA: mede a inflação geral ao consumidor.
IPCA livres: contempla preços formados pelo mercado, sem controle direto do governo.
IPCA administrados: refere-se a preços sujeitos a regulação ou contratos, como tarifas de energia e combustíveis.
Quais membros votaram pela manutenção da Taxa Selic em 15,00% a.a. em novembro de 2025?
Votaram pela manutenção: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.