Comunicado
18/03/2026
#168

Comunicado N° 44.919

Define a meta da Taxa Selic em 14,75% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos inflacionários.

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Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 14,75% (quatorze inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) ao ano, a partir de 19 de março de 2026.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.

O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.

O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

Tabela 1

Projeções de inflação no cenário de referência

Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)

Índice de preços

2026

 3º tri 2027

IPCA

3,9

3,3

IPCA livres

3,7

3,3

IPCA administrados

4,3

3,2

No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,20/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela" em dezembro de 2026 e de 2027. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 43.383, de 24 de junho de 2025, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 28 e 29 de abril de 2026, para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 29 de abril de 2026 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.



                             NILTON JOSÉ SCHNEIDER DAVID
                            Diretor de Política Monetária

Perguntas e respostas

O que caracteriza o cenário de referência utilizado pelo Copom em suas projeções?
O cenário de referência adota: (i) trajetória da taxa de juros extraída da pesquisa Focus; (ii) taxa de câmbio inicial de R$ 5,20/US$, evoluindo pela paridade do poder de compra; (iii) preço do petróleo seguindo a curva futura por seis meses e, depois, aumentando 2% ao ano; e (iv) hipótese de bandeira tarifária elétrica "amarela" em dezembro de 2026 e 2027.
Quais projeções de inflação (IPCA) o Copom apresentou para o cenário de referência?
No cenário de referência, a projeção para a variação do IPCA acumulada em quatro trimestres é de 3,9% em 2026 e 3,3% no 3º trimestre de 2027.
Por que o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a.?
O Copom avaliou que o período prolongado de juros em patamar contracionista já mostrou evidências de desaceleração da atividade econômica. A redução para 14,75% a.a. foi considerada compatível com a convergência da inflação à meta e, simultaneamente, contribui para suavizar flutuações da atividade econômica e apoiar o pleno emprego, sem descuidar da estabilidade de preços.
Quais foram os principais riscos de alta para a inflação apontados pelo Copom?
Três riscos de alta foram enfatizados: (i) desancoragem prolongada das expectativas de inflação; (ii) maior resiliência da inflação de serviços, possivelmente ligada a um hiato do produto mais positivo; e (iii) combinações de políticas econômica interna e externa que resultem em impacto inflacionário maior que o esperado, como uma taxa de câmbio persistentemente depreciada.
Quem votou a favor da decisão que fixou a Selic em 14,75% a.a.?
Votaram favoravelmente: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
O que é o Copom e qual a base regulatória de seu funcionamento?
O Comitê de Política Monetária (Copom) é o colegiado responsável por definir as diretrizes da política monetária no Brasil, incluindo a meta para a Taxa Selic. Seu funcionamento está estabelecido no Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021.
Quais fatores externos pesaram na decisão de política monetária anunciada em março de 2026?
O Comitê destacou o acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que aumentou a incerteza e elevou a volatilidade nos preços de ativos e commodities, exigindo maior cautela por parte de países emergentes.
Quando ocorrerá a próxima reunião ordinária do Copom após a decisão de março de 2026?
A próxima reunião ordinária está agendada para 28 e 29 de abril de 2026, sendo que a deliberação sobre a política monetária ocorrerá na tarde do dia 29.
Como estavam as expectativas de inflação da pesquisa Focus para 2026 e 2027 na data da decisão?
Segundo a pesquisa Focus, as expectativas de inflação situavam-se em 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027, ambos valores acima da meta oficial.
E quais riscos de baixa para a inflação o Comitê listou?
Foram citados: (i) eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais forte que a projetada; (ii) desaceleração global mais pronunciada decorrente de choques de comércio e maior incerteza; e (iii) redução nos preços das commodities, gerando efeitos desinflacionários.
Qual foi a meta para a Taxa Selic fixada em março de 2026 e a partir de quando ela vigora?
A meta para a Taxa Selic foi fixada em 14,75% ao ano, com vigência a partir de 19 de março de 2026.