RESOLUCAO N. 001668
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O BANCO CENTRAL DO BRASIL, na forma do artigo 9. da Lei n.
4.595, de 31.12.64, torna público que o CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL,
em sessão realizada em 29.11.89, tendo em vista as disposições do
art. 4., inciso VI, da citada Lei, e dos artigos 4. e 14 da Lei n.
4.829, de 05.11.65,
R E S O L V E U:
I - Alterar a base de cálculo para remuneração dos serviços
de orientação técnica a nível de imóvel e os limites para
ressarcimento do custo de medição de lavouras ou pastagens, previstos
no MCR 2-4-7/8 e 2-4-14, conforme folhas anexas destinadas à
atualização do Manual de Crédito Rural - MCR.
II - Delegar competência ao Banco Central para expedir as
normas complementares que se tornem necessárias à execução desta
Resolução.
III - Estabelecer que esta Resolução entra em vigor na data
de sua publicação.
Brasília-DF, 30 de novembro de 1989
Wadico Waldir Bucchi
Presidente
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TÍTULO : CRÉDITO RURAL
CAPÍTULO: Condições Básicas - 2
SEÇÃO : Despesas - 4
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1 - O crédito rural sujeita-se às seguintes despesas:
a) juros e correção monetária;
b) imposto sobre operações de crédito;
c) custo de prestação de serviços;
d) comissão sobre Empréstimos do Governo Federal - EGF;
e) adicional do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária
(PROAGRO);
f) sanções pecuniárias.
2 - Nenhuma outra despesa pode ser exigida do mutuário, salvo o exato
valor de gastos efetuados à sua conta pela instituição financeira
ou decorrentes de expressas disposições legais.
3 - As taxas de juros e correção monetária são as indicadas em seções
específicas deste manual, segundo a origem dos recursos aplicados.
4 - É vedada a concessão de crédito rural a taxas inferiores às
praticadas nos financiamentos com recursos obrigatórios, salvo na
hipótese de:
a) norma expressa do Banco Central, em programa ou linha de crédito
específica;
b) operação amparada por recursos fiscais transferidos à
instituição financeira pelo erário público federal ou estadual.
5 - O imposto sobre operações de crédito é devido, calculado e
recolhido segundo alíquotas e forma estabelecidas no Manual de
Normas e Instruções do Banco Central - MNI.
6 - Pode-se cobrar do mutuário o custo de:
a) orientação técnica a nível de empresa;
b) estudo técnico (plano ou projeto), avaliação, exame de escrita,
perícia e vistoria prévia;
c) outros serviços de terceiros.
7 - No caso de orientação técnica grupal a nível de empresa, seu
custo não pode exceder: (*)
a) 0,3% (três décimos por cento) do valor do orçamento ou do Valor
Básico de Custeio (VBC), exigíveis no ato da abertura do crédito;
b) 0,3% a.a. (três décimos por cento ao ano), exigíveis em 30 de
junho, 31 de dezembro e no vencimento ou na liquidação da dívida,
se antecipada, incidentes sobre os saldos da conta vinculada após
o primeiro ano de vigência da operação, acrescidos dos recursos
próprios proporcionais, corrigidos pelos mesmos critérios
aplicáveis ao crédito rural concedido com recursos obrigatórios.
8 - No caso de orientação técnica individual a nível de empresa, seu
custo não pode exceder: (*)
a) 2% (dois por cento) do valor do orçamento ou do Valor Básico de
Custeio (VBC), exigíveis no ato da abertura do crédito;
b) 2% a.a. (dois por cento ao ano), exigíveis em 30 de junho, 31 de
dezembro e no vencimento ou na liquidação da dívida, se
antecipada, incidentes sobre os saldos da conta vinculada após o
primeiro ano de vigência da operação, acrescidos dos recursos
próprios proporcionais, corrigidos pelos mesmos critérios
aplicáveis ao crédito rural concedido com recursos obrigatórios.
9 - A cobrança da taxa de orientação técnica a nível de empresa:
a) deve ser pactuada no instrumento de crédito;
b) é devida enquanto perdurar a prestação do serviço, cessando com
sua dispensa;
c) deve ser registrada na conta vinculada.
10 - As despesas totais de estudo técnico isolado (plano ou projeto),
avaliação, exame de escrita, perícia e vistoria prévia ficam
limitadas a:
a) 0,5% (cinco décimos por cento) do valor do crédito proposto;
b) 0,5% (cinco décimos por cento) do saldo devedor da operação em
curso.
11 - O custo do estudo técnico (plano ou projeto) é coberto pela
remuneração da orientação técnica a nível de empresa, quando for
exigida sua prestação.
12 - O custo de estudo técnico isolado referente a custeios
sucessivos incide apenas sobre o orçamento do primeiro ano.
13 - Não podem ser cobradas do mutuário despesas de cadastro,
assessoramento técnico a nível de carteira, fiscalização ou medição
de lavouras e pastagens, salvo permissão explícita neste manual.
14 - O ressarcimento do custo de medição de lavouras ou pastagens,
quando exigível do mutuário ou do PROAGRO, não pode exceder os
limites fixados no documento n. 28 deste manual, vedada a cobrança
de despesas adicionais (transportes, hospedagens, alimentação e
similares). (*)
(*)
15 - O pagamento de serviço a terceiros depende de:
a) evidência de sua necessidade;
b) prévia autorização do mutuário por escrito.
16 - Faculta-se capitalizar na conta vinculada à operação, na data de
exigibilidade, o custo de prestação de serviços.
17 - As normas referentes ao adicional do PROAGRO e comissão sobre
Empréstimos do Governo Federal (EGF) constam de seções específicas
deste manual.
18 - As sanções pecuniárias, independentemente da origem dos
recursos, são pactuadas entre financiado e financiador com base nos
mesmos parâmetros aplicáveis às operações bancárias comuns.
19 - Salvo disposição expressa em contrário, quando exigíveis das
instituições financeiras, as sanções pecuniárias no crédito rural
consistem em:
a) atualizar diariamente os valores em débito, com base na variação
do valor do Bônus do Tesouro Nacional (BTN fiscal);
b) aplicar sobre os valores atualizados na forma da alínea anterior
juros de 24% a.a. (vinte e quatro por cento ao ano), incorporados
ao principal em 30 de junho, 31 de dezembro e na data do
pagamento das sanções.
20 - Por delegação do Conselho Monetário Nacional, o Banco Central
pode, a qualquer tempo, estabelecer novos parâmetros para efeitos
de sanções pecuniárias, se entender que as condições de mercado o
recomendam.
21 - A cobrança de despesas indevidas ou em excesso conceitua-se como
infração grave, para efeitos do art. 44 da Lei n. 4.595, de
31.12.64.
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MANUAL DE CRÉDITO RURAL
2a. Parte - Documentos
Índice
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Número Denominação
1 Limites de Financiamento
1 - Tabela Geral
2 - Culturas com VBC
2 Valor Básico de Custeio (VBC) - Culturas Temporárias
1 - Safra das Águas (Verão)
2 - Região Nordeste, Roraima e Pará (a divulgar)
3 - Safra da Seca (a divulgar)
4 - Safra de Inverno
3 Valor Básico de Custeio (VBC) - Culturas Permanentes
4 Normas Especiais de Custeio
1 - Várias Atividades
2 - Trigo/Triticale - Safra de Inverno - 1989
5 RECOR - Instrumento de Crédito
6 RECOR - Complementação do Instrumento de Crédito
7 RECOR - Instrumento de Crédito (Modelo de Continuação)
8 RECOR - Categoria do Emitente
9 RECOR - Programas/Linhas de crédito
10 RECOR - Empreendimentos
11 RECOR - Carta-Remessa
12 RECOR - Exclusão de Operações Cadastradas
13 RECOR - Cédulas Excluídas e Não Reincluídas
14 RECOR - Cédulas Transferidas de Agência Operadora
15 Pauta da Política de Garantia de Preços Mínimos
16 Preços Mínimos - EGF/Dados Acumulados
17 PROAGRO - Recolhimento do Adicional
18 PROAGRO - Comunicação de Perdas e Solicitação de Perícia
19 PROAGRO - Laudo Pericial de Comprovação de Perdas
1 - Empreendimento Agrícola
2 - Empreendimento Pecuário
20 PROAGRO - Preços Mínimos Básicos e de Garantia - Produtos
Agrícolas
21 PROAGRO - Preços Mínimos Básicos - Produtos Pecuários
22 PROAGRO - Súmula do Julgamento do Pedido de Cobertura
23 PROAGRO - Pedido de Ressarcimento/Devolução
24 APLICAÇÕES OBRIGATÓRIAS - Demonstrativo Mensal
25 APLICAÇÕES OBRIGATÓRIAS - Convênios Interbancários
26 APLICAÇÕES OBRIGATÓRIAS - Ajuste de Posição
27 CADERNETA DE POUPANÇA RURAL - Demonstrativo Mensal
28 CUSTO DE MEDIÇÃO DE LAVOURAS OU PASTAGENS (*)
29/36 (a utilizar)
37 IRREGULARIDADES - Interpelação
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MCR - DOCUMENTO N. 28
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CUSTO DE MEDIÇÃO DE LAVOURAS OU PASTAGENS
1 - MÉTODO AEROFOTOGRAMÉTRICO:
- 84 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) para lavouras ou pastagens com
área não superior a 50 ha;
- 28 BTN por quilômetro do perímetro da área medida, no caso de
lavouras ou pastagens com área total superior a 50 ha.
2 - MÉTODOS TRADICIONAIS:
área tarifa
até 5 ha ................................... 56,0 BTN
de 5 ha a 10 ha ............................ 10,0 BTN/ha
de 10 ha a 50 ha ........................... 4,2 BTN/ha
de 50 ha a 100 ha .......................... 3,4 BTN/ha
de 100 ha a 200 ha ......................... 2,7 BTN/ha
de 200 ha a 400 ha ......................... 1,8 BTN/ha
de 400 ha a 600 ha ......................... 1,4 BTN/ha
de 600 ha a 800 ha ......................... 1,2 BTN/ha
de 800 ha a 1.000 ha ....................... 1,1 BTN/ha
de 1.000 ha a 2.000 ha ..................... 1,0 BTN/ha
de 2.000 ha a 5.000 ha ..................... 0,7 BTN/ha
de 5.000 ha a 10.000 ha .................... 0,6 BTN/ha
acima de 10.000 ha ......................... 0,3 BTN/ha
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Notas: a) o enquadramento nas diversas faixas é feito pela área
total apurada em cada financiamento, mesmo que as lavouras ou
pastagens se localizem em glebas distintas;
b) em qualquer caso é assegurada a remuneração correspondente
à área máxima da faixa imediatamente anterior;
c) para apurar o valor em cruzados novos utiliza-se o valor
do BTN do mês de conclusão do serviço.