Comunicado
21/03/2018
#50336

Comunicado N° 31.798

Comunica a redução da taxa Selic para 6,50% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.868, de 19 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 6,50% (seis inteiros e cinquenta centésimos por cento) ao ano, a partir de 22 de março de 2018.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 6,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O conjunto dos indicadores de atividade econômica mostra recuperação consistente da economia brasileira;

O cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica cresce globalmente.  Isso tem contribuído até o momento para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes;

O Comitê julga que o cenário básico para a inflação evoluiu de forma mais benigna que o esperado nesse início de ano. O comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2018 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,6%. As expectativas para 2019 e 2020 situam-se em torno de 4,2% e de 4,0%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,8% para 2018 e de 4,1% para 2019. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2018 em 6,5% e 2019 em 8,0%.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, a (i) possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.  Esse risco se intensifica no caso de (iii) reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 6,50% a.a. O Comitê entende que esse movimento é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e, com peso gradualmente crescente, de 2019.

O Copom entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê enfatiza que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural.  As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê.

A evolução do cenário básico tornou adequada a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião. Para a próxima reunião, o Comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional. O Comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas. Essa visão para a próxima reunião pode se alterar e levar à interrupção do processo de flexibilização monetária, no caso dessa mitigação se mostrar desnecessária. Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária, visando avaliar os próximos passos, tendo em vista o horizonte relevante naquele momento. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 30.921, de 30 de junho de 2017, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 15 de maio de 2018, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.


                           Reinaldo Le Grazie
                     Diretor de Política Monetária

Perguntas e respostas

Quem são os membros do Copom que votaram pela decisão de reduzir a Taxa Selic para 6,50% a.a.?
Os membros que votaram foram: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.
Qual é a relação entre as reformas econômicas e a taxa de juros estrutural, segundo o Copom?
O Copom acredita que o processo de reformas e ajustes na economia brasileira contribui para a redução da taxa de juros estrutural.
O que o Copom entende por 'política monetária estimulativa'?
Política monetária estimulativa refere-se à adoção de taxas de juros abaixo da taxa estrutural, com o objetivo de estimular a economia.
Quando será a próxima reunião ordinária do Copom após 21 de março de 2018?
A próxima reunião ordinária do Copom está marcada para 15 de maio de 2018.
O que é a pesquisa Focus?
A pesquisa Focus é um levantamento realizado pelo Banco Central do Brasil que reúne as expectativas de mercado sobre diversos indicadores econômicos, incluindo a inflação e a taxa de juros.
Quais são os riscos mencionados pelo Copom para a inflação?
Os riscos incluem a possível propagação do nível baixo de inflação, a frustração das expectativas sobre reformas econômicas e uma possível reversão do cenário externo favorável para economias emergentes.
Qual foi a decisão do Copom sobre a Taxa Selic em 21 de março de 2018?
O Copom decidiu reduzir a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 6,50% ao ano, a partir de 22 de março de 2018.
Quais são as expectativas de inflação para 2018, 2019 e 2020, segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação são de 3,6% para 2018, 4,2% para 2019 e 4,0% para 2020.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Quais são os fatores que influenciaram a decisão do Copom de reduzir a Taxa Selic?
A decisão foi influenciada pela recuperação consistente da economia brasileira, um cenário externo favorável, a evolução benigna da inflação e as expectativas de inflação controladas para os anos seguintes.