Comunicado
06/02/2019
#50959

Comunicado N° 33.121

Mantida a taxa Selic em 6,50% ao ano com avaliação do cenário econômico e riscos inflacionários.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.868, de 19 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 6,50% (seis inteiros e cinquenta centésimos por cento) ao ano, a partir de 7 de fevereiro de 2019.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

  “O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 6,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Indicadores recentes da atividade econômica continuam evidenciando recuperação gradual da economia brasileira;

O cenário externo permanece desafiador, mas com alguma redução e alteração do perfil de riscos.  Por um lado, diminuíram os riscos de curto prazo associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas. Por outro lado, aumentaram os riscos associados a uma desaceleração da economia global, em função de diversas incertezas, como as disputas comerciais e o Brexit;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram em níveis apropriados ou confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,9%, 4,0% e 3,75%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 6,5% a.a. e se eleva a 8,00% a.a. em 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,70 e 2020 em R$/US$ 3,75. No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,70[1], as projeções situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 4,0% para 2020.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções, mas com maior peso nos dois últimos riscos, portanto, com assimetria. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.  Esse risco se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes.  O Comitê avalia que, desde o último Copom, especialmente quanto ao cenário externo, houve arrefecimento dos riscos inflacionários.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2019 e, com peso menor e gradualmente crescente, de 2020.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.  O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

O Copom avalia que cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 32.182, de 15 de junho de 2018, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 19 de março de 2019, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

                Carlos Viana de Carvalho
                         Diretor de Política Monetária

 

[1] Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.

Perguntas e respostas

O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a meta da Taxa Selic e conduzir a política monetária do país.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 6 de fevereiro de 2019?
A meta para a Taxa Selic definida pelo Copom foi de 6,50% ao ano, a partir de 7 de fevereiro de 2019.
Qual foi a decisão do Copom sobre a Taxa Selic em 6 de fevereiro de 2019?
O Copom decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Selic em 6,50% ao ano.
Qual é a importância da continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira segundo o Copom?
Segundo o Copom, a continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.
Quais foram as expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021 segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021, segundo a pesquisa Focus, eram de 3,9%, 4,0% e 3,75%, respectivamente.
Quais são as projeções do Copom para a inflação em 2019 e 2020 no cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,70?
No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,70, as projeções do Copom para a inflação situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 4,0% para 2020.
Quando o Copom voltará a se reunir após a reunião de 6 de fevereiro de 2019?
O Copom voltará a se reunir ordinariamente em 19 de março de 2019 para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
Quais são os principais fatores de risco para a inflação mencionados pelo Copom?
Os principais fatores de risco para a inflação mencionados pelo Copom são: (i) o nível de ociosidade elevado, (ii) a frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira, e (iii) a deterioração do cenário externo para economias emergentes.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Quem são os membros do Copom que votaram pela manutenção da Taxa Selic em 6,50% a.a. em 6 de fevereiro de 2019?
Os membros do Copom que votaram pela manutenção da Taxa Selic em 6,50% a.a. foram: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.