Comunicado
05/08/2020
#61467

Comunicado N° 36.010

Define a meta da taxa Selic em 2% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Circular nº 3.868, de 19 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 2% (dois por cento) ao ano, a partir de 6 de agosto de 2020.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“Em sua 232ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 2,00% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

. No cenário externo, a pandemia da Covid-19 continua provocando a maior retração econômica global desde a Grande Depressão. Nesse contexto, apesar de alguns sinais promissores de retomada da atividade nas principais economias e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador;

. Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes sugerem uma recuperação parcial.  Os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos, apesar da recomposição da renda gerada pelos programas de governo. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais;

. O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente permanecem abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária;

. As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 1,6%, 3,0% e 3,5%, respectivamente;

. No cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$5,20/US$*, as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 1,9% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,4% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 2,00% a.a. e se eleva até 3,00% a.a. em 2021 e 5,00% a.a. em 2022; e

. No cenário com taxa de juros constante a 2,25% a.a. e taxa de câmbio constante a R$5,20/US$*, as projeções de inflação situam-se em torno de 1,9% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,7% para 2022.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado. Esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional.

Por outro lado, políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. Adicionalmente, os diversos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda, implementados no combate à pandemia, podem fazer com que a redução da demanda agregada seja menor do que a estimada, adicionando uma assimetria ao balanço de riscos. Esse conjunto de fatores implica, potencialmente, uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,00% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022.

O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno. Consequentemente, eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva.

Apesar de uma assimetria em seu balanço dos riscos, o Copom não antevê reduções no grau de estímulo monetário, a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária, que atualmente inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022. Essa intenção é condicional à manutenção do atual regime fiscal e à ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 33.761, de 24 de junho de 2019, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 15 de setembro de 2020, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

                 Bruno Serra Fernandes
                          Diretor de Política Monetária

* Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Perguntas e respostas

O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a taxa básica de juros (Selic) e outras diretrizes da política monetária do país.
Qual foi a decisão do Copom sobre a Taxa Selic em 5 de agosto de 2020?
O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a Taxa Selic para 2,00% ao ano, a partir de 6 de agosto de 2020.
Quais são as expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 são de 1,6%, 3,0% e 3,5%, respectivamente.
Quais são as projeções de inflação do Copom para 2020, 2021 e 2022 no cenário híbrido?
No cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$5,20/US$, as projeções de inflação do Copom são de 1,9% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,4% para 2022.
Quais são os riscos para a trajetória de inflação mencionados pelo Copom?
Os riscos incluem o nível de ociosidade que pode produzir inflação abaixo do esperado, políticas fiscais que piorem a trajetória fiscal do país, frustrações em relação à continuidade das reformas, e programas de estímulo creditício e de recomposição de renda que podem reduzir a demanda agregada menos do que o estimado.
Quais são as projeções de inflação do Copom para 2020, 2021 e 2022 no cenário com taxa de juros constante?
No cenário com taxa de juros constante a 2,25% a.a. e taxa de câmbio constante a R$5,20/US$, as projeções de inflação do Copom são de 1,9% para 2020, 3,0% para 2021 e 3,7% para 2022.
Qual é a importância das reformas e ajustes econômicos segundo o Copom?
O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia brasileira e evitar elevações na taxa de juros estrutural.
Quando será a próxima reunião do Copom após 5 de agosto de 2020?
Conforme o Comunicado nº 33.761, de 24 de junho de 2019, o Copom voltará a se reunir em 15 de setembro de 2020 para apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
Quais foram os principais fatores considerados pelo Copom na decisão de reduzir a Taxa Selic?
O Copom considerou a retração econômica global causada pela pandemia da Covid-19, a recuperação parcial da economia brasileira, a incerteza sobre o ritmo de crescimento econômico, e as medidas de inflação subjacente abaixo dos níveis compatíveis com a meta de inflação.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.