Impacto Baixo Comunicado
27/10/2021
#46752

Comunicado N° 37.863

Define a meta da taxa Selic em 7,75% ao ano e apresenta a avaliação do Copom sobre o cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 7,75% (sete inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) ao ano, a partir de 28 de outubro de 2021.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“Em sua 242ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 7,75% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

- No cenário externo, o ambiente tem se tornado menos favorável e a reação dos bancos centrais frente à maior persistência da inflação deve levar a um cenário mais desafiador para economias emergentes;

- Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores divulgados desde a última reunião mostram uma evolução ligeiramente abaixo da esperada;

- A inflação ao consumidor continua elevada. A alta dos preços veio acima do esperado, liderada pelos componentes mais voláteis, mas observam-se também pressões adicionais nos itens associados à inflação subjacente;

- As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;

- As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 9,0%, 4,4% e 3,3%, respectivamente; e

- No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de USD/BRL 5,60*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 9,5% para 2021, 4,1% para 2022 e 3,1% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 8,75% a.a. neste ano e para 9,75% a.a. durante 2022, terminando o ano em 9,50%, e reduz-se para 7,00% a.a. em 2023. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 17,1% para 2021, 5,2% para 2022 e 5,1% para 2023. Adota-se a hipótese de bandeiras tarifárias "escassez hídrica" em dezembro de 2021 e "vermelha patamar 2" em dezembro de 2022 e dezembro de 2023.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento recente nos preços das commodities internacionais em moeda local produziria trajetória de inflação abaixo do cenário básico.

Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país.

Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,50 ponto percentual, para 7,75% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O Copom considera que, diante da deterioração no balanço de riscos e do aumento de suas projeções, esse ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante. Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance ainda mais no território contracionista.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, João Manoel Pinho de Mello, Mauricio Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 35.834, de 22 de junho de 2020, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 7 de dezembro de 2021, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

Bruno Serra Fernandes
             Diretor de Política Monetária

 

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

 

Perguntas e respostas

O que é a pesquisa Focus?
A pesquisa Focus é uma pesquisa realizada pelo Banco Central do Brasil que coleta as expectativas de mercado sobre diversos indicadores econômicos, incluindo inflação, taxa de juros e câmbio.
Qual é o objetivo fundamental do Copom ao ajustar a taxa básica de juros?
O objetivo fundamental é assegurar a estabilidade de preços, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país.
Qual é a projeção do Copom para a inflação de preços administrados em 2021, 2022 e 2023?
As projeções são de 17,1% para 2021, 5,2% para 2022 e 5,1% para 2023.
Quando será a próxima reunião ordinária do Copom após 27 de outubro de 2021?
A próxima reunião ordinária do Copom será em 7 de dezembro de 2021.
O que são bandeiras tarifárias e quais foram adotadas nas projeções do Copom?
Bandeiras tarifárias são mecanismos que sinalizam o custo da geração de energia elétrica. O Copom adotou a hipótese de bandeiras tarifárias "escassez hídrica" em dezembro de 2021 e "vermelha patamar 2" em dezembro de 2022 e dezembro de 2023.
O que é a paridade do poder de compra (PPC)?
A paridade do poder de compra (PPC) é uma teoria econômica que sugere que as taxas de câmbio entre duas moedas devem se ajustar para que um determinado cesto de bens e serviços tenha o mesmo custo em ambas as moedas.
Qual foi o valor da taxa de câmbio USD/BRL utilizado nas projeções do Copom?
O valor utilizado foi USD/BRL 5,60.
O que o Copom considera apropriado para a próxima reunião?
O Copom antevê outro ajuste da mesma magnitude na próxima reunião.
Quais são as expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação são de 9,0% para 2021, 4,4% para 2022 e 3,3% para 2023.
Quem são os membros do Copom que votaram pela decisão de elevar a Taxa Selic para 7,75% a.a.?
Os membros são: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, João Manoel Pinho de Mello, Mauricio Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Quais são os fatores de risco para a inflação mencionados pelo Copom?
Os fatores de risco incluem a possível reversão dos preços das commodities internacionais e novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal.
Qual foi a decisão do Copom sobre a Taxa Selic em 27 de outubro de 2021?
O Copom decidiu elevar a Taxa Selic para 7,75% ao ano, a partir de 28 de outubro de 2021.
Qual é o cenário básico do Copom para a taxa de juros em 2022 e 2023?
O cenário básico supõe uma trajetória de juros que se eleva para 9,75% a.a. durante 2022, terminando o ano em 9,50%, e reduz-se para 7,00% a.a. em 2023.