Vigente Norma
26/06/2024
#73689

Resolução BCB N° 395

Altera regras sobre apuração de ativos ponderados pelo risco para exposições ao risco de crédito na carteira de negociação.

Resolução Nº 395

RESOLUÇÃO BCB Nº 395, DE 26 DE JUNHO DE 2024

Altera as Resoluções BCB ns. 319, de 18 de maio de 2023, 313, de 26 de abril de 2023, e 229, de 12 de maio de 2022, para manter a harmonia com a apuração da parcela dos ativos ponderados pelo risco − RWA relativa às exposições ao risco de crédito dos instrumentos financeiros classificados na carteira de negociação − RWADRC.

A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 5 de junho de 2024, com base no disposto no art. 9º-A, caput, inciso I, da Lei nº 4.728, de 14 de julho de 1965, e nos arts. 9º, caput, incisos II e IX, alínea “b”, e 15 da Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, e tendo em conta o disposto nos arts. 3º, caput, inciso VIII, e 14 da Resolução nº 4.282, de 4 de novembro de 2013, do Conselho Monetário Nacional e nos arts. 3º, caput, inciso I, e 4º da Resolução CMN nº 5.105, de 28 de setembro de 2023,

R E S O L V E :

Art. 1º  A Resolução BCB nº 319, de 18 de maio de 2023, publicada no Diário Oficial da União de 22 de maio de 2023, passa vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 2º  As instituições de pagamento integrantes de conglomerados prudenciais Tipo 3, definidos na Resolução BCB nº 197, de 11 de março de 2022, e as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários e sociedades corretoras de câmbio, líderes de conglomerados prudenciais ou não integrantes de conglomerados prudenciais, devem observar os limites máximos de exposição por cliente e o limite máximo de exposições concentradas, nos termos dos seguintes artigos desta Resolução:

I - arts. 3º a 18 e 25, para instituições enquadradas no Segmento 2 (S2), no Segmento 3 (S3) e no Segmento 4 (S4), segundo o disposto na Resolução nº 4.553, de 30 de janeiro de 2017, e na Resolução BCB nº 197, de 11 de março de 2022; ou

II - arts. 19 a 25, para instituições enquadradas no Segmento 5 (S5), segundo o disposto na Resolução nº 4.553, de 30 de janeiro de 2017, e na Resolução BCB nº 197, de 11 de março de 2022.

.........................................................................................................................” (NR)

“Art. 3º  A instituição mencionada no art. 2º, caput, inciso I, deve limitar o total das suas exposições perante um mesmo cliente ao montante máximo de 25% (vinte e cinco por cento) do Nível I do seu Patrimônio de Referência − PR, definido na Resolução CMN nº 4.955, de 21 de outubro de 2021, e na Resolução BCB nº 199, de 11 de março de 2022.

.........................................................................................................................” (NR)

“Art. 5º  Para fins deste Título, deve ser considerado como cliente a pessoa natural ou jurídica que seja contraparte em exposição da instituição, nos termos da Resolução nº 4.557, de 23 de fevereiro de 2017, e da Resolução BCB nº 265, de 25 de novembro de 2022.

.........................................................................................................................” (NR)

“Art. 6º  Devem ser consideradas como um único cliente as contrapartes que compartilhem o risco de crédito perante a instituição, nos termos do art. 22 da Resolução nº 4.557, de 23 de fevereiro de 2017, e do art. 20 da Resolução BCB nº 265, de 25 de novembro de 2022.

.........................................................................................................................” (NR)

“Art. 7º  Os limites de que tratam os arts. 3º e 4º abrangem cada exposição considerada no cálculo das seguintes parcelas do RWA de que tratam a Resolução CMN nº 4.958, de 21 de outubro de 2021 e a Resolução BCB nº 200, de 11 de março de 2022, que tenha como contraparte pessoa natural ou jurídica:

I - RWACPAD, relativa às exposições ao risco de crédito sujeitas ao cálculo do requerimento de capital mediante abordagem padronizada;

II - RWACIRB, relativa às exposições ao risco de crédito sujeitas ao cálculo do requerimento de capital mediante sistemas internos de classificação do risco de crédito (abordagens IRB) autorizados pelo Banco Central do Brasil; e

III - RWADRC, relativa às exposições ao risco de crédito dos instrumentos financeiros classificados na carteira de negociação.

§ 1º  ...........................................................................................................................

...................................................................................................................................

V - as exposições deduzidas para fins da apuração do Nível I do PR, nos termos da Resolução CMN nº 4.955, de 21 de outubro de 2021, e da Resolução BCB nº 199, de 11 de março de 2022;

.........................................................................................................................” (NR)

Seção I
Do valor das exposições na carteira bancária

Art. 8º  Ressalvado o disposto para exposições sujeitas a tratamento específico, o valor da exposição na carteira bancária, definida na Resolução nº 4.557, de 23 de fevereiro de 2017, e na Resolução BCB nº 265, de 25 de novembro de 2022, deve corresponder:

I - ao respectivo valor imediatamente antes da aplicação do Fator de Ponderação de Risco − FPR para fins da apuração da parcela RWACPAD mencionada na Resolução CMN nº 4.958, de 21 de outubro de 2021, e na Resolução BCB nº 200, de 11 de março de 2022, no caso de exposição considerada no cálculo do requerimento de capital mediante abordagem padronizada; e

II - ao respectivo valor do parâmetro indicador da exposição ao risco de crédito utilizado na apuração da parcela RWACIRB mencionada na Resolução CMN nº 4.958, de 21 de outubro de 2021, e na Resolução BCB nº 200, de 11 de março de 2022, no caso de exposição considerada no cálculo do requerimento de capital mediante sistemas internos de classificação do risco de crédito (abordagens IRB) autorizados pelo Banco Central do Brasil.

.........................................................................................................................” (NR)

“Seção II
Do valor das exposições na carteira de negociação

Art. 8º-A  Ressalvado o disposto para exposições sujeitas a tratamento específico, o valor da exposição a título ou valor mobiliário na carteira de negociação, definida na Resolução nº 4.557, de 23 de fevereiro de 2017, e na Resolução BCB nº 265, de 25 de novembro de 2022, deve corresponder ao valor da sua exposição bruta − JTD utilizado na apuração da parcela RWADRC nos termos da Resolução BCB nº 313, de 26 de abril de 2023.

§1º  Na obtenção do JTD referido no caput:

I - deve ser considerado o fator de perda dado o descumprimento igual a 100% (cem por cento);

II - não devem ser aplicados ajustes decorrentes da maturidade do título ou valor mobiliário; e

III - não devem ser aplicados ponderadores de risco.

§ 2º  O valor da exposição relativa a posições na carteira de negociação perante cliente único composto por conjunto de contrapartes conectadas, conforme disposto no art. 6º, deve ser a soma das exposições líquidas positivas (compradas) perante as contrapartes componentes do cliente único, vedada a compensação com posições líquidas negativas (vendidas) perante outras contrapartes componentes do cliente único.” (NR)

Seção I
Das exposições associadas a derivativos

Art. 9º  Para instrumento financeiro derivativo devem ser reconhecidas distintamente:

...................................................................................................................................

§ 1º Para fins do disposto no inciso I do caput, o valor da exposição à contraparte deve ser apurado nos termos do art. 8º, caput, inciso I.

.........................................................................................................................” (NR)

“CAPÍTULO VI
DA COMPENSAÇÃO ENTRE POSIÇÕES NA CARTEIRA DE NEGOCIAÇÃO

Art. 16.  Admite-se a compensação entre a posição comprada e a posição vendida relativas apenas aos instrumentos classificados na carteira de negociação, nos termos da Resolução nº 4.557, de 23 de fevereiro de 2017, e da Resolução BCB nº 265, de 25 de novembro de 2022, desde que atendidas as seguintes condições:

I - a posição comprada e a posição vendida referenciam-se em instrumentos de mesmo emissor com mesma forma de remuneração, mesma moeda de referência e mesmo prazo de vencimento; ou

II - a posição comprada e a posição vendida referenciam-se em instrumentos de mesmo emissor, com forma de remuneração ou moeda de referência distintas, desde que o instrumento em que se referencia a posição comprada tenha prioridade de pagamento maior ou igual à do instrumento em que se referencia a posição vendida, incluindo as posições protegidas por derivativo de crédito.

...................................................................................................................................

§ 4º  A compensação da posição comprada com a posição vendida de que dispõe o caput mediante proteção por instrumento derivativo de crédito implica o reconhecimento concomitante de exposição de igual valor perante o emissor do derivativo.

§ 5º  Para fins do disposto no § 4º, o Banco Central do Brasil poderá determinar a equiparação a derivativo de crédito de outro derivativo quando este cobrir significativamente o risco de crédito do ativo subjacente.” (NR)

“Art. 17.  A mitigação do risco de crédito mediante instrumento mitigador utilizado para fins da apuração das parcelas referidas no art. 7º deve ser também reconhecida para fins do disposto nesta Resolução.

...................................................................................................................................

§ 7º  Para fins do disposto no inciso I do § 2º, o Banco Central do Brasil poderá determinar a equiparação a derivativo de crédito de outro derivativo quando este cobrir significativamente o risco de crédito relacionado ao ativo subjacente.” (NR)

“Art. 19.  A instituição mencionada no art. 2º, caput, inciso II, deve limitar o total das suas exposições perante um mesmo cliente ao montante máximo de 25% (vinte e cinco por cento) do seu Patrimônio de Referência Simplificado − PRS5, nos termos da Resolução nº 4.606, de 19 de outubro de 2017, e da Resolução BCB nº 201, de 11 de março de 2022.

.........................................................................................................................” (NR)

Art. 2º  A Resolução BCB nº 229, de 12 de maio de 2022, publicada no DOU de 16 de maio de 2022 e retificada no Diário Oficial da União de 2 de setembro de 2022, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 3º  A parcela RWACPAD deve incluir na sua apuração:

I - todas as exposições classificadas na carteira bancária; e

II - as exposições relativas ao risco de crédito de contraparte de transações classificadas na carteira de negociação.

..................................................................................................................................

§ 3º  Para fins do disposto no caput, devem ser consideradas as definições das carteiras bancária e de negociação estabelecidas no art. 26 da Resolução nº 4.557, de 23 de fevereiro de 2017, e no art. 26 da Resolução BCB nº 265, de 25 de novembro de 2022.” (NR)

Art. 3º  Ficam revogados:

I - o art. 38 da Resolução BCB nº 313, de 26 de abril de 2023, publicada no Diário Oficial da União de 28 de abril de 2023; e

II - os seguintes dispositivos da Resolução BCB nº 319, de 18 de maio de 2023, publicada no Diário Oficial da União de 22 de maio de 2023:

a) o art. 8º, caput, inciso III;

b) o cabeçalho da Seção II do Capítulo V do Título II;

c) os arts. 10 e 11; e

d) o art. 16, § 2º.

Art. 4º  Esta Resolução entra em vigor:

I - na data de sua publicação, quanto ao art. 3º, caput, inciso I; e

II - em 1º de julho de 2024, quanto aos demais dispositivos.

Otávio Ribeiro Damaso
Diretor de Regulação

Material localizado por meio da Okai.

Perguntas e respostas

Como deve ser considerado o valor da exposição na carteira bancária?
O valor da exposição na carteira bancária deve corresponder ao valor imediatamente antes da aplicação do Fator de Ponderação de Risco (FPR) para exposições consideradas no cálculo do requerimento de capital mediante abordagem padronizada, ou ao valor do parâmetro indicador da exposição ao risco de crédito utilizado na apuração da parcela RWACIRB para exposições consideradas no cálculo do requerimento de capital mediante sistemas internos de classificação do risco de crédito (abordagens IRB).
Quando a Resolução BCB Nº 395 entra em vigor?
A Resolução BCB Nº 395 entra em vigor na data de sua publicação para o art. 3º, caput, inciso I, e em 1º de julho de 2024 para os demais dispositivos.
Qual é o limite máximo de exposição por cliente para instituições enquadradas nos Segmentos 2, 3 e 4?
Para instituições enquadradas nos Segmentos 2 (S2), 3 (S3) e 4 (S4), o limite máximo de exposição por cliente é de 25% do Nível I do seu Patrimônio de Referência (PR), conforme definido na Resolução CMN nº 4.955, de 21 de outubro de 2021, e na Resolução BCB nº 199, de 11 de março de 2022.
Quais instituições devem observar os limites máximos de exposição por cliente segundo a Resolução BCB Nº 395?
As instituições de pagamento integrantes de conglomerados prudenciais Tipo 3, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários e sociedades corretoras de câmbio, líderes de conglomerados prudenciais ou não integrantes de conglomerados prudenciais, devem observar os limites máximos de exposição por cliente.
Quais são as principais alterações introduzidas pela Resolução BCB Nº 395?
A Resolução BCB Nº 395 introduz alterações nas Resoluções BCB nº 319, nº 313 e nº 229, ajustando limites de exposição por cliente, definindo critérios para a apuração de valores de exposição na carteira bancária e de negociação, e estabelecendo regras para a compensação entre posições na carteira de negociação.
O que é RWA<sub>DRC</sub>?
RWADRC refere-se à parcela dos ativos ponderados pelo risco relativa às exposições ao risco de crédito dos instrumentos financeiros classificados na carteira de negociação.
O que é considerado como cliente para fins da Resolução BCB Nº 395?
Para fins da Resolução BCB Nº 395, cliente é a pessoa natural ou jurídica que seja contraparte em exposição da instituição, conforme definido na Resolução nº 4.557, de 23 de fevereiro de 2017, e na Resolução BCB nº 265, de 25 de novembro de 2022.
Quais são as condições para a compensação entre posições na carteira de negociação?
A compensação entre a posição comprada e a posição vendida é permitida apenas para instrumentos classificados na carteira de negociação, desde que a posição comprada e a posição vendida referenciem-se em instrumentos de mesmo emissor com mesma forma de remuneração, mesma moeda de referência e mesmo prazo de vencimento, ou em instrumentos de mesmo emissor com forma de remuneração ou moeda de referência distintas, desde que o instrumento da posição comprada tenha prioridade de pagamento maior ou igual à do instrumento da posição vendida.
O que é a Resolução BCB Nº 395?
A Resolução BCB Nº 395, de 26 de junho de 2024, altera as Resoluções BCB nº 319, de 18 de maio de 2023, nº 313, de 26 de abril de 2023, e nº 229, de 12 de maio de 2022, para manter a harmonia com a apuração da parcela dos ativos ponderados pelo risco (RWA) relativa às exposições ao risco de crédito dos instrumentos financeiros classificados na carteira de negociação (RWADRC).
Como devem ser tratadas as contrapartes que compartilham o risco de crédito perante a instituição?
As contrapartes que compartilham o risco de crédito perante a instituição devem ser consideradas como um único cliente, conforme disposto no art. 22 da Resolução nº 4.557, de 23 de fevereiro de 2017, e no art. 20 da Resolução BCB nº 265, de 25 de novembro de 2022.