Comunicado
18/09/2024
#74790

Comunicado N° 42.153

Define a meta da Taxa Selic em 10,75% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos para a inflação.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 10,75% (dez inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) ao ano, a partir de 19 de setembro de 2024.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O ambiente externo permanece desafiador, em função do momento de inflexão do ciclo econômico nos Estados Unidos, o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário externo, também marcado por menor sincronia nos ciclos de política monetária entre os países, segue exigindo cautela por parte de países emergentes.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem apresentado dinamismo maior do que o esperado, o que levou a uma reavaliação do hiato para o campo positivo. A inflação medida pelo IPCA cheio assim como medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes.

As expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,4% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5% no cenário de referência (Tabela 1).

O Comitê avalia que há uma assimetria altista em seu balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e (ii) os impactos do aperto monetário sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.

O Comitê monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal, junto com outros fatores, tem impactado os preços de ativos e as expectativas dos agentes. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária.

O cenário, marcado por resiliência na atividade, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas, demanda uma política monetária mais contracionista. Considerando a evolução do processo de desinflação, os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 10,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O ritmo de ajustes futuros na taxa de juros e a magnitude total do ciclo ora iniciado serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerão da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Gabriel Muricca Galípolo, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

Tabela 1
Projeções de inflação no cenário de referência
Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)

Índice de preços 2024 2025 1º tri 2026
IPCA 4,3 3,7 3,5
IPCA livres 4,4 3,6 3,4
IPCA administrados 4,2 4,0 3,9


No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,60/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária "amarela" em dezembro de 2024 e de 2025. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual. ”

 

Conforme estabelece o Comunicado nº 40.330, de 26 de junho de 2023, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 5 e 6 de novembro de 2024, para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 6 de novembro de 2024 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

                    GABRIEL MURICCA GALÍPOLO
                              Diretor de Política Monetária

 

 

 

 

Perguntas e respostas

O que é o IPCA?
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice oficial de inflação do Brasil, calculado pelo IBGE. Ele mede a variação de preços de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias.
O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a taxa básica de juros (Selic) e por conduzir a política monetária do país.
O que é a desinflação?
A desinflação é o processo de redução da taxa de inflação, ou seja, uma diminuição no ritmo de aumento dos preços.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 18 de setembro de 2024?
A meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 18 de setembro de 2024 foi de 10,75% ao ano.
Quem são os membros do Copom que votaram pela decisão de elevar a taxa básica de juros em 18 de setembro de 2024?
Os membros do Copom que votaram pela decisão foram: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Gabriel Muricca Galípolo, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.
Qual foi a decisão do Copom em relação à taxa básica de juros em 18 de setembro de 2024?
O Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano.
O que é a pesquisa Focus?
A pesquisa Focus é uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central do Brasil que coleta projeções de mercado sobre diversos indicadores econômicos, como inflação, taxa de câmbio e taxa de juros.
Quais são os riscos de baixa para o cenário inflacionário mencionados pelo Copom?
Os riscos de baixa para o cenário inflacionário incluem uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada e impactos mais fortes do aperto monetário sobre a desinflação global.
Quais são os riscos de alta para o cenário inflacionário mencionados pelo Copom?
Os riscos de alta para o cenário inflacionário incluem a desancoragem das expectativas de inflação, maior resiliência na inflação de serviços e políticas econômicas que impactem a taxa de câmbio.
Como a política fiscal impacta a política monetária segundo o Copom?
Segundo o Copom, uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, impactando positivamente a política monetária.
O que são IPCA livres e IPCA administrados?
O IPCA livres refere-se aos preços que são determinados pelo mercado, enquanto o IPCA administrados refere-se aos preços que são controlados ou regulados pelo governo.
O que é a paridade do poder de compra (PPC)?
A paridade do poder de compra (PPC) é uma teoria econômica que sugere que, no longo prazo, as taxas de câmbio entre duas moedas devem se ajustar de forma que um determinado cesto de bens e serviços tenha o mesmo custo em ambas as moedas.
Quais são os principais fatores que o Copom considera ao definir a Taxa Selic?
O Copom considera diversos fatores ao definir a Taxa Selic, incluindo o cenário econômico externo e interno, a inflação, as expectativas de inflação, o hiato do produto, o balanço de riscos e a política fiscal.
Quando será a próxima reunião ordinária do Copom após 18 de setembro de 2024?
A próxima reunião ordinária do Copom será realizada em 5 e 6 de novembro de 2024.
O que é o hiato do produto?
O hiato do produto é a diferença entre o produto efetivo de uma economia e seu produto potencial. Um hiato positivo indica que a economia está operando acima de seu potencial, enquanto um hiato negativo indica o contrário.
Quais são as projeções de inflação para o IPCA no cenário de referência?
As projeções de inflação para o IPCA no cenário de referência são: 4,3% para 2024, 3,7% para 2025 e 3,5% para o primeiro trimestre de 2026.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. Ela serve como referência para as demais taxas de juros do mercado.
Quais são as expectativas de inflação para 2024 e 2025 segundo a pesquisa Focus?
Segundo a pesquisa Focus, as expectativas de inflação para 2024 e 2025 são de 4,4% e 4,0%, respectivamente.