Comunicado
10/12/2025
#87589

Comunicado N° 44.366

Define a meta da Taxa Selic em 15,00% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos inflacionários.

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Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 15,00% (quinze inteiros por cento) ao ano, a partir de 11 de dezembro de 2025.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, como observado na última divulgação do PIB, enquanto o mercado de trabalho mostra resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,4% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

Tabela 1

Projeções de inflação no cenário de referência

Índice de preços

2025

2026

2º tri 2027

IPCA

4,4

3,5

3,2

IPCA livres

4,0

3,6

3,2

IPCA administrados

5,3

3,2

3,4

No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,35/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2025 e de 2026. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 43.383, de 24 de junho de 2025, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 27 e 28 de janeiro de 2026, para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 28 de janeiro de 2026 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

NILTON JOSÉ SCHNEIDER DAVID
             Diretor de Política Monetária

Perguntas e respostas

Quais fatores foram apontados como riscos de baixa para a inflação?
Os riscos de baixa incluem: (i) desaceleração doméstica mais forte que a prevista; (ii) desaceleração global mais pronunciada devido a choques de comércio e incerteza; e (iii) queda de preços das commodities com efeito desinflacionário.
O que é o Copom e qual é sua principal responsabilidade?
O Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a meta da Taxa Selic e, assim, conduzir a política monetária para assegurar a estabilidade de preços no país.
Quando ocorrerá a próxima reunião ordinária do Copom após dezembro de 2025?
Conforme o Comunicado n.º 43.383, de 24/06/2025, a próxima reunião ordinária está agendada para 27 e 28 de janeiro de 2026, com decisão de política monetária na tarde do dia 28.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida para vigorar a partir de 11 de dezembro de 2025?
A meta para a Taxa Selic foi fixada em 15,00% ao ano, conforme decisão do Copom tomada em 10/12/2025.
O que significa 'horizonte relevante de política monetária'?
É o período de tempo no qual o Copom concentra seus esforços para que a inflação convirja à meta; no comunicado de 10/12/2025, esse horizonte foi o segundo trimestre de 2027.
O que significa dizer que a política monetária está em patamar 'significativamente contracionista'?
Significa que a Taxa Selic está deliberadamente mantida em nível elevado para reduzir a demanda agregada, conter pressões de preços e conduzir a inflação em direção à meta.
Qual bandeira tarifária foi assumida nas hipóteses do cenário de referência para 2025 e 2026?
Foi considerada a bandeira tarifária amarela em dezembro de 2025 e dezembro de 2026.
Como o cenário de referência trata a taxa de câmbio e o preço do petróleo?
A taxa de câmbio parte de R$ 5,35/US$ e evolui segundo a paridade do poder de compra. Já o preço do petróleo segue a curva futura por seis meses e, depois, passa a crescer 2% ao ano.
Quais riscos de alta para a inflação foram destacados?
Entre os riscos de alta estão: (i) desancoragem prolongada das expectativas de inflação; (ii) maior resiliência da inflação de serviços por um hiato do produto mais positivo; e (iii) políticas econômicas internas ou externas que provoquem depreciação cambial persistente.
Quais projeções de inflação para o IPCA constam no cenário de referência divulgado pelo Copom?
No cenário de referência, as projeções do IPCA são: 4,4% para 2025, 3,5% para 2026 e 3,2% para o 2º trimestre de 2027.
Em qual documento normativo atual está embasado o funcionamento do Copom?
O funcionamento do Comitê está disciplinado no Regulamento anexo à Resolução BCB n.º 61, de 13 de janeiro de 2021.
O que é a pesquisa Focus mencionada pelo Copom?
É um levantamento semanal realizado pelo Banco Central do Brasil com instituições financeiras e outros agentes de mercado, contendo expectativas para variáveis como inflação, câmbio e taxa de juros.