Comunicado
29/04/2026
#240221

Comunicado N° 45.152

Divulga a meta para a Taxa Selic, a partir de 30 de abril de 2026.

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Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 14,50% (quatorze inteiros e cinquenta centésimos por cento) ao ano, a partir de 30 de abril de 2026.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, perante a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.

O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.

O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David e Paulo Picchetti.

Tabela 1
Projeções de inflação no cenário de referência
Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)

Índice de preços

2026

4º tri 2027

IPCA

4,6

3,5

IPCA livres

4,5

3,5

IPCA administrados

4,8

3,6

​ No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,00/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela" em dezembro de 2026 e de 2027. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 43.383, de 24 de junho de 2025, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 16 e 17 de junho de 2026, para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 17 de junho de 2026 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

NILTON JOSÉ SCHNEIDER DAVID
             Diretor de Política Monetária

Perguntas e respostas

Como o Copom avaliou o cenário doméstico da economia brasileira em abril de 2026?
O Comitê observou moderação no crescimento da atividade econômica, um mercado de trabalho ainda resiliente e uma aceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes, que se afastaram da meta estabelecida para a inflação.
Qual é a lógica por trás da decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros para 14,50% a.a. em 2026?
O Comitê avaliou que a manutenção prolongada dos juros em nível contracionista já mostrou sinais de impacto na desaceleração da atividade. A redução para 14,50% a.a. busca convergir a inflação para a meta no horizonte relevante, ao mesmo tempo em que contribui para suavizar flutuações econômicas e fomentar o pleno emprego, sem comprometer a estabilidade de preços.
Quais são as projeções para 2026 e para o 4º trimestre de 2027 do IPCA, IPCA livres e IPCA administrados no cenário de referência?
No cenário de referência, as projeções são:
IPCA: 4,6% em 2026 e 3,5% no 4º tri/2027;
IPCA livres: 4,5% em 2026 e 3,5% no 4º tri/2027;
IPCA administrados: 4,8% em 2026 e 3,6% no 4º tri/2027.
Quem são os membros do Copom que votaram pela decisão de fixar a Taxa Selic em 14,50% a.a. em abril de 2026?
Votaram: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David e Paulo Picchetti.
Quais riscos de alta para a inflação foram destacados pelo Copom na reunião de abril de 2026?
Os riscos de alta incluem: (i) desancoragem prolongada das expectativas de inflação diante de restrições na oferta de petróleo; (ii) resiliência maior que a projetada na inflação de serviços, associada a um hiato do produto mais positivo; e (iii) políticas econômicas internas ou externas que levem a uma taxa de câmbio mais depreciada, elevando a inflação.
Quais eram as expectativas de inflação da pesquisa Focus para 2026 e 2027 na data da decisão?
Segundo a pesquisa Focus, as expectativas de inflação estavam em 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027.
Quando está marcada a próxima reunião ordinária do Copom após a decisão de abril de 2026?
De acordo com o Comunicado nº 43.383, de 24 de junho de 2025, o Copom se reunirá novamente em 16 e 17 de junho de 2026.
Quais riscos de baixa para a inflação foram identificados pelo Copom na mesma decisão?
Entre os riscos de baixa estão: (i) desaceleração da atividade econômica doméstica mais intensa que a prevista; (ii) desaceleração global pronunciada provocada por choques de comércio, petróleo e incerteza; e (iii) queda nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
Qual é a projeção do Copom para a inflação (IPCA) no quarto trimestre de 2027 no cenário de referência?
A projeção do Copom para a variação do IPCA acumulada em quatro trimestres no 4º trimestre de 2027 é de 3,5%.
Qual é o instrumento normativo que estabelece o regulamento do Copom citado na decisão de 29/04/2026?
O regulamento do Comitê de Política Monetária está previsto na Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021.
O que compõe o cenário de referência utilizado pelo Copom para suas projeções de inflação em abril de 2026?
O cenário de referência assume: (i) trajetória de juros da pesquisa Focus; (ii) taxa de câmbio inicial de R$ 5,00/US$, evoluindo segundo a Paridade do Poder de Compra; (iii) preço do petróleo seguindo a curva futura por seis meses e depois crescendo 2% ao ano; e (iv) bandeira tarifária amarela em dezembro de 2026 e de 2027.
Quais são os principais fatores de incerteza no ambiente externo apontados pelo Copom na decisão de abril de 2026?
O Copom destaca a indefinição sobre a duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, os quais têm gerado maior volatilidade nos preços de ativos e de commodities e exigem cautela dos países emergentes.
Qual foi a meta para a Taxa Selic fixada pelo Copom em 29/04/2026 e a partir de quando passou a valer?
O Comitê de Política Monetária (Copom) definiu a meta para a Taxa Selic em 14,50% ao ano, com vigência a partir de 30 de abril de 2026.

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