A preparação do BC para a implementação das novas regras começou cedo. “Estamos estudando desde abril de 2002 para adquirir massa crítica”, afirmou Jefferson Moreira, chefe do Departamento de Administração Financeira do BC (Deafi). Atualmente, cerca de dez servidores do Deafi participam do grupo de estudos, reunindo-se três vezes por semana, com apoio do professor Paulo Lustosa, da UnB. Além desse grupo, três assessores dedicam-se integralmente ao assunto.
Em março de 2004, terá início o trabalho conjunto entre o BC e a empresa Ernst & Young, quando será feita uma avaliação e iniciado o enquadramento das operações do BC segundo as recomendações do Iasb. A previsão é que essa etapa termine ainda no primeiro semestre de 2004. Após essa fase, o Deafi iniciará a reformulação dos seus procedimentos e a adaptação dos sistemas gerenciais que interagem com a contabilidade. O balanço de 31 de dezembro de 2005 deverá ser o primeiro publicado segundo as novas normas contábeis. Em 31/12/2006, o primeiro balanço comparativo poderá ser divulgado, requisito para que a implementação seja considerada concluída.
O trabalho desenvolvido pelo Iasb tem recebido o apoio e a aprovação do Fundo Monetário Internacional (FMI), e do Bank for International Settlements (BIS). Diversos bancos centrais já publicam demonstrações contábeis baseadas nas normas do Iasb e espera-se que em 2005 os organismos normatizadores contábeis de cerca de noventa países já estejam adotando essas normas, incluindo-se aí todos os países da União Européia, a Austrália, a Nova Zelândia, os países do sudeste asiático e a China.
A adoção de uma “linguagem” que possa ser entendida por uma maior quantidade de pessoas trará mais transparência à instituição. “A contabilidade do BC é importante porque reflete, de certa forma, a saúde financeira do País. O mercado, por exemplo, verifica a forma como nossas reservas internacionais estão sendo aplicadas para avaliar a capacidade que tem o Brasil de honrar seus compromissos”, afirmou Jefferson. Muitas agências de rating também utilizam os balanços dos bancos centrais para fazer a classificação de risco dos países.