Em 23 de maio de 2014, na Cidade de Buenos Aires, Argentina, ocorreu a XXVII Reunião de Presidentes de Bancos Centrais da América do Sul, para o intercâmbio de opiniões sobre fatores comuns que afetam a evolução de nossas economias e sobre experiências individuais relacionadas aos balanços dos Bancos Centrais e à relação entre políticas de estabilidade financeira e política monetária.
Os presidentes e representantes dos Bancos Centrais chegaram às seguintes conclusões:
1. Avaliam que, apesar de uma melhora na economia internacional, ainda persistem incertezas relevantes, particularmente no tocante à robustez da recuperação dos países desenvolvidos. Espera-se que as economias emergentes sigam dinamizando o crescimento global.
2. Uma das fontes de incerteza reside no impacto da redução das políticas de expansão monetária dos Estados Unidos que, apesar de ser um elemento positivo no médio prazo, pode impactar os preços dos produtos básicos e os mercados financeiros. É importante que a implementação de alterações nas políticas dos países desenvolvidos considere seus impactos nas economias emergentes.
3. Os países de América do Sul enfrentam esta conjuntura com fundamentos econômicos sólidos. Os baixos níveis de endividamento externo e um nível adequado de reservas internacionais contribuem para enfrentar eventuais choques externos com maior eficiência.
4. Em 2014, espera-se um crescimento sustentável na maioria dos países da região, . Espera-se também que a inflação continue sob controle na região. No entanto, faz-se necessária uma atitude prudente de atenção, dada a persistente incerteza internacional e certa volatilidade nos preços dos produtos básicos.
5. Durante o evento, foi apresentado estudo comparativo sobre a dinâmica dos balanços dos Bancos Centrais. Concluiu-se que esta dinâmica somente pode ser entendida no contexto enfrentado pelas referidas instituições, variando ao longo do ciclo e em função das políticas implementadas, considerados seus objetivos. Particularmente, a crise financeira internacional e suas consequências explicam parte da dinâmica observada nos balanços dos Bancos Centrais da região nos últimos 7 anos.
6. Na discussão da relação entre políticas de estabilidade financeira e política monetária, as principais conclusões foram: (i) a estabilidade financeira é um importante fator a ser considerado, explícita ou implicitamente, pelos Bancos Centrais da região; (ii) a coordenação e complementariedade das políticas monetária e macroprudencial é exercida, na prática, por meio de uma interação entre os Bancos Centrais e outras agências governamentais responsáveis pela estabilidade financeira.
Os Presidentes dos Bancos Centrais acordaram um novo encontro na cidade de Lima, Peru, durante o segundo semestre do ano em curso.