Notícia
19/05/2015

Mercado de capitais começa a dar sinalizações positivas, mostra Panorama

Abril registrou sinais positivos no mercado de capitais com destaque para emissões de debêntures e ofertas de renda variável.

Abril foi um mês com sinalizações positivas no mercado de capitais. Segundo o Panorama ANBIMA, duas grandes operações foram realizadas no período, o que fez com que o volume total das ofertas domésticas no mês (R$ 25,1 bilhões) superasse abril de 2014 (R$ 24,6 bilhões). No segmento de renda fixa, o destaque foi a emissão de debêntures da Cielo, que movimentou R$ 4,6 bilhões. Já no de renda variável, a oferta da Telefônica Brasil, de R$ 16,1 bilhões, foi a primeira de 2015.

Vários movimentos indicam  que o mercado doméstico de títulos de dívida, em especial o de debêntures, começa a dar sinais de aquecimento. Nos últimos dias de abril, por exemplo, mais de R$ 2,4 bilhões em debêntures foram distribuídos ao mercado, e, nas duas primeiras semanas de maio, o volume chegou a R$ 1,3 bilhão. Também contribuem para este ambiente a existência de duas ofertas a serem distribuídas pela Instrução nº 400 da CVM, em análise na autarquia, além da expectativa de realização de uma grande operação por parte da Petrobras (R$ 3 bilhões), ainda pendente de decisão por parte da empresa.

Já a indústria de fundos voltou a registrar ingresso líquido de recursos em abril, de R$ 9,4 bilhões, acumulando R$ 10,9 bilhões no ano. As categorias Referenciado DI (R$ 6,4 bilhões), Curto Prazo (R$ 3,6 bilhões) e FIDC (R$ 3,4 bilhões) lideraram a captação líquida no mês, com os ingressos concentrados em poucos fundos pertencentes a investidores dos segmentos Corporate e Poder Público. As categorias Referenciado DI (R$ 12,1 bilhões) e Curto Prazo (R$ 12,9 bilhões), seguidas pela categoria Previdência (R$ 10,1 bilhões),  são as que acumulam maior ingresso líquido em 2015, o que evidencia o conservadorismo no direcionamento dos recursos neste início de ano. No que se refere à rentabilidade, os fundos de ações, impulsionados pela alta de 9,93% do Ibovespa, foram destaque em abril. Boa parte desse movimento, no entanto, deveu-se à expressiva valorização das ações da Petrobras, impulsionada pela divulgação do balanço da companhia.

No mercado de renda fixa, a indicação do Banco Central de que o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá aumentar a meta da taxa Selic em junho induziu os analistas a revisarem suas estimativas quanto à trajetória dos juros e fez ajustar a curva do DI futuro e os preços dos ativos. A continuidade da política monetária restritiva é justificada pelo desafio de atingir o centro da meta de inflação em 2016 (4,5%), com a inflação corrente acumulada em 12 meses acima do patamar de 8%. No ano, até abril, todos os índices do IMA (Índice de Mercado ANBIMA) apresentaram rentabilidade positiva. A carteira do IMA-B5+, que reflete as NTN-Bs acima de cinco anos, registrou variação de 6,48%, a maior entre os subíndices. Na outra ponta, o IMA-S, índice que tem sua rentabilidade balizada pela taxa Selic, registrou retorno de 3,80%, superior ao desempenho dos índices das carteiras prefixadas. Com isto, o que se observa é um quadro de transição para o segmento, que tem permitido a valorização de ativos com características de curto prazo, os títulos atrelados à Selic, e de longo prazo, envolvendo em especial os papéis indexados ao IPCA.