Notícia
10/05/2017

Primeiro dia do Congresso de Fundos reúne 1.200 pessoas

Evento reúne participantes para debater reformas, tributação e o papel do mercado de capitais na economia.

 

Cerca de 1.200 pessoas circularam pela Bienal de São Paulo no primeiro dia do 9º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento. Robert van Dijk, presidente da Associação, abriu o dia de debates destacando a melhoria dos fundamentos econômicos e a necessidade de avanços das reformas. “É imprescindível que o Congresso Nacional tenha a sensibilidade de aprovar com urgência as reformas trabalhistas e previdenciária”, afirmou. Ele enfatizou, também, os temas prioritários para a agenda da indústria de fundos, como a necessidade de mudanças na tributação e na regulação do setor.

Os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Dyogo Oliveira, prestigiaram o primeiro dia do evento. A reforma da previdência, e seus reflexos sobre o ambiente de negócios, ocupou boa parte do discurso de Meirelles. Além de defender a urgência na aprovação da medida, o ministro associou a busca de um novo modelo previdenciário a uma série de efeitos secundários, como elevar a capacidade de investimento e possibilitar a queda dos juros. “O modelo atual, além de ser deficitário e insustentável, também desestimula o cidadão a poupar. Além da falta de cultura, o principal motivo do nível baixo de poupança é que o cidadão não vê necessidade de poupar para manter o padrão de vida no futuro porque a previdência é generosa”, comentou Meirelles.

Já Oliveira destacou, em seu discurso, a importância de o Brasil ter um mercado de capitais mais participativo como financiador dos projetos de infraestrutura. “A captação nos primeiros meses do ano é uma notícia ótima. Precisa avançar na direção de um portfólio maior e de títulos mais longos de maturação. A participação da indústria de fundos é importante para o segmento de infraestrutura”, comentou.

O protagonismo do mercado de capitais na recuperação da economia brasileira também foi mencionado por Leonardo Pereira, presidente da CVM, que participou da cerimônia de abertura. “Com papel importante e crescente na economia real e na atração de investimentos, o mercado de capitais provoca impactos profundos na sociedade, na geração de empregos e na vida das pessoas”.

Não apenas autoridades enriqueceram os debates desta quarta-feira. Mario Sérgio Cortella, filósofo e educador, discursou sobre ética nas relações. Em sua visão, a escolha do tema para um painel do congresso é um sinalizador de que a indústria de fundos deseja, além do lucro e da rentabilidade, decência naquilo que faz. “Não fazemos qualquer negócio porque há negócios que, embora possam, não devam ser feitos. Podemos porque somos livres, mas não devemos porque eles apodrecem a nossa sustentabilidade e a nossa credibilidade, inclusive no campo dos negócios”, disse o educador.

Além das palestras, foram realizados nove painéis com foco em temas relevantes para a indústria. A agenda de fundos necessária para fazer frente aos desafios impostos ao segmento, a apresentação de pesquisa sobre a relação do brasileiro com dinheiro e as tendências do setor foram alguns dos assuntos que fomentaram os debates.