Notícia
22/05/2017

Tahr, sambar e malkoha: se não dá para visitar um zoológico na Ásia, vá ao Museu de Valores para conhecê-los!

Apresenta animais representados em cédulas e moedas de diversos países, destacando espécies da fauna brasileira e asiática expostas no Museu de Valores do Banco Central.

​Você certamente conhece a arara-vermelha, a garoupa e a onça pintada. Mas já ouviu falar do sambar, do tahr himalaio e da malkoha de cara vermelha? Por serem ícones de suas regiões de origem, esses e outros animais estamparam cédulas e moedas de diversas partes do mundo, entre elas o Brasil, o Nepal, o Sri Lanka, a Suíça e a Nova Zelândia. As edições deste e do próximo mês da coluna Dinheiro do Mundo serão dedicadas a mostrar essas peças e a contar um pouco sobre animais símbolos da fauna de diversos países. As cédulas fazem parte do acervo do Museu de Valores do BC. Confira: 

Brasil – série do Real
https://edicao-www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/PublishingImages/Jornalismo%20Interno/Dinheiro%20do%20mundo/Fauna%20(parte%20I)/real1.jpgEnquanto todos os anversos da Família do Real de 1994 trazem a efígie simbólica da República, cada um dos reversos foi dedicado a um animal. A cédula de 1 Real traz o Beija-flor-de-peito-azul (Amazilia lactea), um dos menores beija-flores existentes. No Brasil, ele é encontrado de Santa Catarina até a Floresta Amazônica, mas habita também outros países da América do Sul, como a Bolívia, o Peru e a Venezuela. A ave apareceu duas vezes na história monetária do Brasil: a primeira vez, no anverso da cédula de 100.000 cruzeiros, em 1992, e na subsequente reimpressão da nota de 100 cruzeiros reais, em 1993. A segunda vez foi com a criação do Plano Real. A impressão da cédula de 1 Real deixou de ter continuidade em 2005, mas as cédulas que ainda circulam por aí possuem valor fiduciário.

A tartaruga-de-pente ou tartaruga-de-escamas (Eretmochelys imbricata), que estampa o reverso da cédula de 2 Reais, de 2001, é uma tartaruga marinha da família dos Quelonídeos, encontrada em mares tropicais e subtropicais. Espécie ameaçada de extinção devido à extensa caça, possui carapaça entre 80 e 90 cm de comprimento. No Brasil, as placas que formam essa carapaça foram usadas para fabricar diversos utensílios, como pentes – costume que deu origem ao nome popular da espécie.

A garça-branca-grande (Ardea alba, sinônimo Casmerodius albus) estampa o reverso da cédula de 5 Reais. A ave tem bico longo e amarelado, as pernas e dedos negros e mede por volta de 90 cm. Com hábitos diurnos, a garça se recolhe nas copas de árvores altas no cair da tarde e à noite. Ela pode ser encontrada em todo o Brasil.

Já na cédula de 10 Reais está a arara-vermelha (Ara chloropterus), uma ave nativa das florestas do Panamá, do Brasil, do Paraguai e da Argentina. Essa espécie é mais comum do que suas parentes, as araras azuis. No Brasil, ela é encontrada na Amazônia, no oeste do Piauí, na Bahia, em Minas Gerais, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul e em São Paulo.

https://edicao-www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/PublishingImages/Jornalismo%20Interno/Dinheiro%20do%20mundo/Fauna%20(parte%20I)/real2.jpgJá no anverso da cédula de 20 Reais, de 2002, está a imagem do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), que habita exclusivamente na Mata Atlântica brasileira, no estado do Rio de Janeiro. Atualmente, são encontrados na Reserva Biológica Poço das Antas e na Reserva Biológica União. Os micos nascem em pares de gêmeos, possuem pelagem que varia do dourado ao alaranjado e são muito apegados à mãe quando pequenos. As famílias costumam conter de seis a sete integrantes e sempre têm um chefe, podendo pesar até 800g. O desmatamento levou essa espécie a quase desaparecer e, por isso, tornou-se um símbolo de conservação de toda a Mata Atlântica e da luta pela preservação das espécies brasileiras ameaçadas de extinção, tanto no Brasil quanto no mundo.

A cédula de 50 Reais retrata a onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como onça-preta, maior felino da América e terceiro maior do mundo, depois do tigre e do leão. Seu peso médio vai de 56 a 92 kg. Mas animais com até 158 kg já foram encontrados. O comprimento varia de 1,12m a 1,85m, sem contar a cauda. A onça-pintada, que corre risco de extinção, vive em áreas de floresta onde há água, pois gosta de nadar. No Brasil, ela habita a Mata Atlântica, a Amazônia e o Pantanal. Suas pintas servem como camuflagem em meio à mata e facilitam sua sobrevivência.

A cédula de 100 Reais homenageia a garoupa (Epinephelus malabaricus), um peixe comum no sudeste do Brasil. Elas nascem como fêmeas e se tornam machos por volta dos nove ou dez anos de idade e podem viver até 50 anos. Habitantes dos oceanos tropicais, subtropicais e temperados, vivem geralmente em fundos coralinos ou rochosos, onde costumam se esconder. Algumas espécies podem atingir 2,4m e mais de 300 kg. Muito apreciada na culinária devido à carne branca, a garoupa está ameaçada de extinção. As cédulas de Real estão expostas na Sala Emissões do Banco Central no Museu de Valores do BC.

Nepal – Rúpias Nepalesas

O país asiático dedicou uma série a seus animais típicos, com cédulas de 20, 50, 100, 500 e 1000 rúpias. Todas elas encontram-se em exposição na Sala Mundo do Museu de Valores do BC.

A de 20 rúpias nepalesas, de 1983, retrata o sambar, um dos maiores cervos do sudoeste asiático. O macho possui uma juba que o diferencia de outras espécies. Encontrado em florestas tropicais e subtropicais do norte da Ásia, em países como Índia, Sri Lanka, Nepal, sul da China e da Indochina, Malásia, Indonésia e Filipinas, é presa comum dos tigres de bengala, predador retratado na cédula de 500 rúpias.

Retratado na cédula de 50 rúpias nepalesas, de 1983, o tahr himalaio é uma espécie próxima às cabras selvagens. Possui uma grossa pelagem avermelhada e marrom escura, com uma crina ao redor do pescoço (no caso dos machos). Os chifres pontiagudos triangulares funcionam na defesa contra predadores. Adaptada ao clima frio, a espécie vive em regiões montanhosas, colinas arborizadas e florestas temperadas e subalpinas, no Himalaia e em países como Nepal, China e Índia. Devido ao crescimento da população humana e à caça, o tahr himalaio encontra-se em situação de ameaça.

https://edicao-www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/PublishingImages/Jornalismo%20Interno/Dinheiro%20do%20mundo/Fauna%20(parte%20I)/_B0C7181.jpgO rinoceronte indiano ou Ganda estampa a cédula de 100 rúpias nepalesas, de 1981, e habita o Nepal e a Índia, em planícies e florestas próximas à cordilheira do Himalaia. No início do século XX, a espécie esteve ameaçada de extinção, chegando ao número de apenas 100 no mundo. O motivo principal era a crença de que os chifres desses animais garantiam juventude eterna. O governo do Nepal, segundo as autoridades locais, tem se esforçado para proteger e aumentar o número de rinocerontes indianos em seu território.

O tigre de bengala, que figura na cédula de 500 rúpias nepalesas, de 1981, é encontrado na Índia, no Nepal, no Butão, em Bangladesh e em Myanmar, em florestas tropicais, pantanosas, de bambus, em locais com vegetação alpina e em florestas próximas à cordilheira do Himalaia. Ameaçados de extinção pela caça ilegal, os tigres têm partes de seu corpo comercializadas (principalmente na China), pois acredita-se que contenham propriedades medicinais. O governo do Nepal afirma permanecer comprometido com programas de proteção para que a população de tigres de bengala aumente nas terras nepalesas. Para isso, tem aumentado o policiamento e promovido ações contra a caça em parques nacionais, atividade que é ilegal. Em 2013, o número de tigres de bengala no Nepal era de apenas 198.

Simbolizado na cultura hinduísta como o deus Ganesha, o elefante asiático está presente na cédula de 1000 rúpias nepalesas, de 1981. Habitante de zonas florestais na Índia, na Tailândia, em Bangladesh, no Butão, no Camboja, no Nepal, em Sri Lanka, ele vive em pequenos grupos. Além de símbolo religioso, o elefante tem um histórico de domesticação, sendo muito utilizado como atração turística e no transporte. O governo do Nepal estabeleceu cinco reservas de proteção e um criadouro de elefantes.

Sri Lanka

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O Sri Lanka tem a mais antiga reserva de vida selvagem do mundo. Há mais de 2000 anos, no século III a.C., uma região no centro-norte do país foi separada por decreto real para ser livre de toda a caça. Atualmente, mais de 8% do território do país consiste em parques nacionais e reservas naturais. Lá existem mais de 90 espécies de mamíferos (incluindo elefantes, leopardos, ursos e macacos), centenas de borboletas, mais de 80 espécies de serpentes (as mais primitivas do mundo) e 435 espécies de aves. Em 1979, foi lançada uma série de cédulas em homenagem à fauna e à flora do Sri Lanka.

https://edicao-www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/PublishingImages/Jornalismo%20Interno/Dinheiro%20do%20mundo/Fauna%20(parte%20I)/_B0C7092%20copiar.jpgO anverso da cédula de 20 rúpias, traz um pombo-tocaz (Columba Torringtonie), ave típica do Sri Lanka, silenciosa, de voo rápido, que vive nas montanhas. A nuca da ave apresenta um padrão de cores parecido com o de um tabuleiro de xadrez. A parte superior da cabeça e a cauda são cinza escuro, enquanto as partes inferiores são lilás. Além dele, figura na mesma cédula o langur-de-cara-púrpura (Trachypithecus Vetulus Monticola), uma espécie de macaco encontrado no país. Ele está ameaçado de extinção, devido ao declínio de mais de 50% no número de animais nos últimos 36 anos, por causa da caça e da perda de habitat. No reverso, figura a espécie nativa de lagarto da família Agamidae, o lagarto com chifres de rinoceronte (Ceratophora stoddartii). Com capacidade de mudar de cor como o camaleão, seu corpo é largo, achatado e completamente coberto de espinhos. De cada lado da cabeça saem dois espinhos bem mais fortes que os outros e espetados como chifres. Adaptado para sobreviver no deserto, podendo viver semanas sem beber água, não é uma presa fácil. Predadores têm de ter mandíbula bem forte para comê-los. Também retratada no reverso, a serpente Aspidura Trachyprocta, nativa do Sri Lanka, não é venenosa e possui textura áspera e coloração escura. Sua cabeça é indistinguível do corpo e sua cauda é pontuda. Encontrada também nas Maldivas, sua alimentação consiste em vermes terrestres.


https://edicao-www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/PublishingImages/Jornalismo%20Interno/Dinheiro%20do%20mundo/Fauna%20(parte%20I)/_B0C7096%20copiar.jpgA cédula de 50 rúpias, de 1979, traz em seu anverso uma ave chamada malkoha de cara vermelha (Phaenicophaeus Pyrrhocephalus), um membro da ordem cuco dos pássaros, o Cuculiformes. Esta ave é típica do Sri Lanka. Além dela, traz a borboleta (Lethe dynsate), nativa do país. O nome científico da espécie, registrado em 1863 por William Chapman Hewitson, foi o primeiro a ser publicado de forma válida. No reverso da cédula, é possível ver o spurfowl (Galloperdix Bicalcarata), um membro da família dos faisões, conhecido no Sri Lanka como “bia kukula”. É um pássaro muito reservado, difícil de ser visto na vegetação rasteira. As pernas de ambos os sexos têm várias esporas nos metatarsos, que dão origem ao nome específico. Junto a ele está o lagarto-canguru (Otocryptis wiegmanni), espécie nativa do Sri Lanka que vive em zonas húmidas e escuras do país.


https://edicao-www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/PublishingImages/Jornalismo%20Interno/Dinheiro%20do%20mundo/Fauna%20(parte%20I)/_B0C1645%20copiar.jpgNo anverso da cédula de 100 rúpias está o corvo do Sri Lanka (Gracula Ptiloganys), ave muito comum na região. Possui uma faixa amarela na nuca que o diferencia das outras espécies de corvo. Também traz a víbora do Sri Lanka (Trimeresurus Trigonocephalus ou Sri Lanka Pit Viper), uma espécie de cobra venenosa com hábitos noturnos. Outro animal presente é o golden palm civet (Paradoxurus Zeylonensis), parecido com uma raposa, cuja sobrevivência está ameaçada no país. No reverso da cédula, há um barbet-de-testa-amarela (Psilopogon Flavifrons), um passarinho asiático presente em florestas, bosques, e grandes jardins, cuja alimentação são insetos e, raramente, pequenos frutos. Além dele, está a borboleta Idea Lynceus, espécie encontrada no sudeste asiático.


https://edicao-www.bcb.gov.br/conteudo/home-ptbr/PublishingImages/Jornalismo%20Interno/Dinheiro%20do%20mundo/Fauna%20(parte%20I)/_B0C7104%20copiar.jpgA cédula de 500 rúpias, de 1981, é a única que não faz parte da série em homenagem à fauna e à flora do Sri Lanka. Porém, ela traz um importante animal da região: o elefante asiático (Elephas Maximus), também conhecido como o elefante indiano. Seu único predador natural é o tigre – que ataca, na maioria das vezes, os filhotes. Assim como em diversos países asiáticos, no Sri Lanka há várias atrações turísticas envolvendo elefantes, além de reservas e orfanatos que recuperam animais maltratados pelo turismo. No reverso da cédula, está o pássaro-de-bico-laranja (Turdoides rufescens), membro da família Timaliidae. Ele tem asas curtas arredondadas e pouca habilidade de voo. Esta espécie é tagarela e não é migratória. Seu habitat é a floresta tropical e ele raramente é visto fora da selva profunda.


As informações foram retiradas de sites como Exame, Cambridge, African Wild Life Foundation, InfoEscola, Site institucional do BC, Wild Nepal, entre outros.

Saiba mais sobre a fauna de países como República Democrática do Congo, Nova Zelândia, Suíça e Quênia na próxima edição do Dinheiro do Mundo sobre fauna (Parte II).